Reis SUEVOS migrados para a GALÍCIA (sec. IV e VI) e a DINASTIA AGILOFING
Reis
SUEVOS migrados para a GALÍCIA (sec. IV e VI)
e a DINASTIA AGILOFING
*Rosa Sampaio
Torres
Este artigo é especialmente dedicado
aos amigos portugueses e espanhóis interessados nas culturas formadoras de seus
povos. Ressaltando que a dinastia dos reis
suevos durante dois séculos estabelecida
na Península Ibérica tivera antepassados “agilofs” godos – posteriormente tidos
como “agilofings”.
O artigo está baseado em conclusão de um trabalho anterior sobre os agilofings, artigo alentado com todas
as fontes explicitadas, mas ainda inédito. Seu resumo, o artigo “A origem da
dinastia Agilofings na Antiguidade”, já publicado na revista ConTexto em 2024.
As datas genealógicas colocadas entre chaves podem, entretanto, ser
questionadas, provenientes de fontes informais de tradição oral e anônimas, servindo
apenas como auxiliares de balizamento para os fatos relatados.
* Rosa Sampaio Torres é historiadora brasileira, poeta e ensaísta. Autora do livro “Tenentismo 1922-1927”, 2 vol., publicado pela ed. Minerva em 1992. Muitos de seus artigos sobre a família Cavalcanti foram publicados em revistas brasileiras e portuguesas - atualmente considerada especialista na obra do poeta Guido Cavalcanti no século XIII. Sócia da ASBAF e várias outras associações de genealogia.
(segue)
INDICE
I INTRODUÇÃO
1 - Os Suevos e agilofings na antiguidade.
2 - Os
Agilofings e a Confederação Sueva de 406 d.C. em direção à Galícia.
3 - Agilofings que permaneceram
no centro europeu após 406 d.C.
II DESENVOLVIMENTO
1-
Comprovação da antiguidade dos agilofings e sua penetração na dinastia sueva. A
genealogia dos aegidius/siagrii.
2 - A antiguidade e atuação do povo suevo.
3 - Pactos dinásticos estabelecidos por
godos, suevos, e outros povos limítrofes do Império no século IV.
4 - O estabelecimento da liderança sueva do
guerreiro Hermérico.
5 - A Grande invasão “bárbara” de 406 d.C.
6 - O estabelecimento do “Reino Suevo” na Galícia.
7 – Os reis da dinastia sueva
descendentes de agilofings e mesmo outras “stirps” na Península Hispânica.
III CONCLUSÃO
Notas
Bibliografia.
Cronologia
histórica. Contexto histórico, antes e depois da era cristã
INTRODUÇÃO
Símbolo do dragão suevo
Bandeira da Romênia com golfinhos agilofings
Várias dinastias de povos ditos
“bárbaros” surgem na Alta Idade Media tendo como capostipides personalidadedes
masculinas marcantes - em geral guerreiros valorosos ou mesmo personalidades
martirizadas ou santificadas. Entretanto, observamos que estas dinastias muitas
vezes têm sua continuidade prolongada por importantes figuras femininas.
Figuras femininas de personalidades
também notáveis agregam posturas civilizatórias novas, gerando linhagens mais
adaptadas às novas condições do meio ambiente a ser enfrentado - personalidades
femininas que neste trabalho observarmos, valorizando suas ações.
1 - Os suevos e os agilofings na antiguidade
(1).
Os suevos são tradicionalmente
citados como povo antigo proveniente da região entre os rios Elba e Oder, na atual Alemanha. A palavra suevo – palavra originada de wēbaz -
raiz proto-germânica swe - em latim
suevi ou sueb (2).
Porém, de acordo com trabalhos mais recentes, o
povo suevo poderia ter tido uma origem
ainda muito mais antiga proveniente de áreas da Dinamarca, sudoeste da
Península Escandinava durante a Idade do Bronze
(800 a.C. - 476 d.C), expandindo-se se para
o sul noroeste da Alemanha antes da Idade do Ferro (c. 800 - 600 a.C.) - por
fim ocupado ao sul das ilhas dinamarquesas e ambos os lados do rio Elba (3).
Por ocasião das invasões bárbaras dos
anos 406/7 d.C. os suevos e sua confederação de aliados alcançaram
a Hispania, comandados pelo líder
suevo Herméricus, filho do
rei suevo Bitheid. Entretanto, por sua mãe Emertrude Ostogoda, Herméricus seria descendente de agilofs ou agiulfs godos e sua avó materna
uma princesa do Bósforo já cristianizada.
Os suevos com seus aliados vândalos e alanos haviam conseguido transpor o Reno e foram apoiados por grupos menores de várias outras etnias já
então associados por parentesco, juntos
enfrentando longa migração em direção á Península Hispânica.
A linhagem dinástica dos agilolfings, agilolfides ou gisulfs (palavras provenientes do proto-germânico
agilwulfaz) a nosso ver teria também
origem muito antiga, formada na era pré–cristã.
Segundo nossas pesquisas, esta dinastia agilofing poderia ter tido início na cidade
de Tulcea, Romênia e penetrando a realeza
sueva bem antes das invasões dos “bárbaras”
de 406/7 d.C. – dinastia aegidius ou
agilofing que associada pelos reis suevos que penetrará mais tarde a Galícia,
na península Hibérica.
A
dinastia dos agilogings
aparentemente de origem goda e síria,
muito antiga, usou freqüentemente o prenome Agiluf, Agilof. Agiluf
na etmologia alemã um nome próprio, originado do adjetivo ágil, rápido.
Suas variantes “Agilolf", "Egilulf", "Egilolf" – como abreviação
"Agilo" ou "Egilo". Em latim - Aegidius, em português Egídio,
italiano Giglio, em francês Gilles, em catalão Gil.
Mas no latim
a palavra aegidius teria origem grega (“aigýllion”), ou etrusca – “igilium” nome da flor lírio,
que significa pureza e escolha (4).
Ressaltamos que em uma vila chamada Agighiol, existente no condado de Tulcea na Romênia (atualmente uma reserva geológica) foi encontrado há poucos
anos belíssimo elmo geto-dácio do século V a. C. denominado “Elmo de Agighiol”.
O “elmo de Agighiol” é um capacete de prata geto-dácio que data do século
5 a.C. hoje no Museu Nacional de História Romena, Bucareste - encontrado em
pesquisas arqueológicas da área de Agighiol, no condado de Tulcea, na
Romênia e é semelhante ao “capacete de Cotofenesti”, ainda três outros
capacetes de ouro ou prata getos descobertos
até agora.
Elmo de ouro de Cotofenesti
capacete geto-daciano, no Museu Nacional de História da
Romênia (Gold helmet from Poiana Cotofenesti (now called Poiana Vărbilău),
Prahova County, Romania). Elmo
recentemente roubado deste museu.
Segundo fontes locais da cidade de Tulcea que se baseiam em Diodoro,
historiador grego, o nucleo desta cidade fora fundado no século VIII a. C. sob o nome de Egisso (Aegyssus ou Aegysso).
Ovídio,
em sua obra ‘’ex Ponto’’, informa que
antigo nome da cidade tem origem no próprio nome de seu fundador, um dácio chamado Cárpio Egisso (Carpyus
Aegyssus). A cidade de Egisso no século I d.C conquistada pelos romanos
que aí estabeleceram uma base para sua frota defender a área localizada a nordeste
do Império, com muralhas e torres de grandes dimensões - ruínas hoje ainda visíveis
(5).
Lembramos - a teoria construída pelo
historiador gótíco Jordanes do século VI d.C. baseava-se na ideia de
que os godos da alta Idade Média eram
o mesmo povo gauta do sul da
Escandinávia. Os godos vindos da ilha da Gotlândia ou Gotland a maior ilha
da Suécia e do mar Báltico, já como getas localizados nas margens do Mar
Negro. Getas ou “getae’ (em
grego: Γέται, singular Γέτης) o nome talvez generalizante, atribuído pelos gregos às tribos dácias ou trácias que
ocuparam na antiguidade as regiões ao sul do Baixo Danúbio, região atual norte
da Bulgária, e ao norte do Baixo Danúbio, a Romênia. Por fontes enciclopédicas:
“Por
vezes, a Dácia compreendeu áreas entre o Tisza e o Danúbio Médio. A cadeia de montanhas
dos Cárpatos localizava-se bem no meio da Dácia. Correspondia aos países atuais
da Romênia e Moldávia, bem como partes menores da Bulgária, Sérvia, Hungria e
Ucrânia”.
Assim sendo, sugerimos
que a dinastia agilofing tenha se formado a partir de dinastias de reis gedas
(ou godos) localizados próximo aos dácios. E, mais tarde, já na
era cristã, com o epônimo de Aegidius
(Aegyssus/Siagri/Hanibalianos), teriam no sec. III d.C. até mesmo penetrado a corte imperial romana – como procuraremos demonstrar.
A região
dos getas teria atingido o “hinterland”
das colônias gregas da costa do Mar
Negro, permitindo-lhes contato com os gregos desde tempos muito antigos. Estrabão, o historiador Geografia, Livro VII 3,12, (6) fala sobre a divisão entre os dácios e getas, definindo getas como
os que se encontravam próximos ao Ponto, a leste, e os dácios na direção oposta, próximos à Germânia e às nascentes do rio
Istro. Na opinião de Estrabão, o nome original dos dácios era daos (daoi). Os
dácios já próximo da era cristâ teriam derrotado também o antigo povo boi, de “stirp bohemi’, que constatamos
foram aliados mais tarde aos agilofing (7).
Antes da era cristã, portanto, o território da
atual Romênia foi habitado pelos dácios
que falavam língua indo-europeia, língua dácia. Mas depois da conquista
romana, a língua dácia teria sido muito
influenciada pelo latim (8).
Repetindo
- no latim a palavra aegidius, de
origem grega ou etrusca, era nome da flor lírio - significando desde o
passado bíblico escolha e pureza. Já na
etmologia alemã antiga Agilulf é um nome próprio, originado do adjetivo
ágil, rápido. Agilulf, Agilof nome adotado com freqüência pelos líderes godos, identificado pelo menos a partir
do terceiro século da era cristã.
Os Agilofings e a Confederação Sueva
Pelo
acima exposto, observamos que os gedae e
os aegidius teriam uma origem e convivência comum com os
antigos dácios desde a era pré-cristã.
Ressaltando que este dácio chamado Cárpio
Egisso (Carpyus Aegyssus), segundo Ovídeo, teria fundado a cidade de Egisso,
ainda no sec.VIII a.C. na Tulcea. O acrônimo Egisso ou Aegyssus mais tarde tendo continuidade também pelos reis Agiulf godos da dinastia amala, que por fontes genealógicas modernas
já têm sido muito pesquisados (9).
Assim
sendo, ao
contrário das afirmações correntes a dinastia agilofing seria muito mais antiga do que a dinastia franca merovíngia - os francos com possível origem na Frísia,
nas bordas do mar Báltico, e sómente entre 250
e 260 d. C. penetrado a Gália vindos da cidade de Colônia.
Curiosamente
estes francos, bem antes mesmo da formação da Confederação Sueva haviam descido à Hispania e à região de
Tarragona, que teriam tentado ocupar por cerca de uma década, até serem
subjugados e expulsos por forças romanas (10).
Como já lembramos, por ocasião das invasões
bárbaras dos anos 406/7 d.C. os suevos e sua Confederação de aliados alcançaram
a Hispania, comandados pelo líder suevo
Herméricus, filho do rei suevo Bitheid. Por sua mãe
Emertrude Ostogoda, Herméricus era descendente da dinastia de agilofs ou agiulfs godos e de uma princesa
do Bósforo já cristianizada. Como tentaremos demonstrar.
Os suevos com seus aliados vândalos e alanos haviam transposto o Reno
e foram apoiados por grupos menores de várias outras etnias já associadas
por parentesco como tentaremos demonstrar - juntos haviam enfrentado longa
migração em direção á Península Hispânica.
Liderados por Hermérico em longa
migração cruzaram a Gália em verdadeiras razias, ultrapassaram os Pirineus em 409 atingindo à distante província
romana da Galícia. Há comprovações históricas de um jovem Agiulf, um agilofing, portanto, também ter acompanhado seu avô Hermérico (11).
O novo Reino
Suevo que se formou na Galícia logo obteve a concessão romana do Imperador
Honório (de ascendência aegidius/siagrii
por sua mãe, parente do general Aegidius).
Herméricus foi sucedido por seus
filhos e ainda por este seu neto de nome característico da dinastia goda de sua
avó paterna - um agilof ou agilofing,
mais adiante na Galícia também eleito rei dos suevos, Agiulfo que reinou
pouco tempo de 456 – 457 (12).
Os Agilofings que
permaneceram no centro europeu após 406 d.C
Devemos lembrar, porém, que após as invasões
de 406 d.C parte dos membros da linhagem dos agilofings ainda permaneceu no centro europeu – e um outro Agiulf, Agiulf
I, do mesmo nome, que foi o representante
inicial, o capostipide da parte desses agilofing
que não tendo migrado para a península Hispânica permanecem no centro
europeu- ele por nós identificado em lista segura da abadia de Mettlach,
já publicada na mídia eletrônica, nascido na Suábia ou Turquia em
470, falecido em 512 d.C na Bavária.
Este Agiulfo
I por fontes genealógicas modernas, mas inseguras, seria filho de Agivald Agilofinges “Sangue” (sangue
agilofing), tido como rei bávaro [415-508], neto
do rei huno Velpio Von Agilofing casado com uma senhora da Alamannia (uma alamanna?)
(13).
Por uma política de casamento muito bem
realizada, Agiulf I capostipide no
centro europeu permaneceu no começo do século VI na Bavária onde faleceu,
aculturando-se às elites búlgaras e já
bávaras por casamento. Seu casamento,
tudo indica, com senhora Regnaberta
ou Maria Geneva, da dinastia “Gjúkunga” ou “Niberlung”
dos burgúndios, cristianizada (14).
Esta figura feminina cristianizada, Regnaberta ou Maria Geneva, fora o elo aglutinador dos vários membros
dessa família dinástica agilofing por
seu pai, rei da Borgúndia ou Borgonha, Godogisel (II) (15).
O período de vida de Agiulf I (n. 470- f. 512) correspondeu, portanto, a uma geração posterior à migração dos suevos em direção a Península Hispânica, mas foi contemporânea das batalhas contra os hunos de Átila nos Campos Catalaúnicos (451) e do período em que os suevos que haviam permanecido no centro europeu ainda tentaram defender posições territoriais na Gália, aliando-se por casamento aos borgúndios, aos francos merovíngios e galo-romanos, para a formação do Império Ostrogótico.
Século
V
A
variedade étnica observada no interior da família do capostipide Agiulf I não nos causa estranhamento,
tendo em vista a variada origem dos povos que haviam participado das invasões
bárbaras – e nesta ocasião ainda suevos,
hunos e godos, ostrogodos, alamanni, borgúndios, lombardos e francos
tentavam defender espaços territoriais na região da Gália com galo-romanos, populações locais
remanecentes, realizando pactos matrimoniais para evitar conflitos.
A ascendência destes agilofings, tanto do suevo Hermérico
por ascendentes maternos godos e também além Bósforo, quanto dos ascendentes
do capostipide Agiulf I provenientes de
uniões matrimoniais realizadas em etnias localizadas além-Reno - na Galácia
- região além do estreito de Bósforo -
especialmente godas, sírias, vindas da Turquia e da Romênia.
Uniões realizadas já no III século até mesmo no patriciado galo-romano e na própria corte romana.
Segundo nossas pesquisas genealógicas, a
dinastia agilofings teria recebido no sec. III contribuições étnicas de
reis godos e mesmo de hunos, ainda contribuiçõs culturais de antigas
famílias galo-romanas e romanas do século I d.C - talvez até
muito mais antigas.
No século IV os godos chamados tervíngios
quase haviam sido absorvidos como um organismo do Império Romano (16).
A fonte
moderna “MyHeritage” indica um Agivald
como filho do capostipide Agiulfo I e
da búlgara de dinastia “nibelung” Regnaberta.
Também Deotéria
da família galo romana Ferreol de Narbonne, na Provance, era jovem descendente
de aegídeos ou aegidius/syagrus, e mesmo foi casada como o imperador merovíngio Teodeberto I.
Esta família
Ferreol de Narbonne e Lyon
descendente de romanos “flavianos” do século I. Um ascendente de Deotéria, desta
família “flaviana” de Lion é referido com o nome de Clodoreius Afranius,
nascido 334 em Bengaladesh, casado
com a patrícia Helena Constantina de Afranius – não sabemos se
antecessor do rei franco Clódio, mas provavelmente Helena da linha do Imperador
Constantino (272-337), cujos descendentes foram cristianizados - a mãe de
Constantino, Helena, tornada Santa (17).
O famoso general AEgidius, parente (tio?) de Deotéria, tradicionalmente tido como general romano - nascido cerca 390 ou 93, falecido 464 ou 465, teria chegado a atuar em Lyon por seus parentes Ferreol, contra
o burgúndios no ano 448 - mas na verdade ele era por linha paterna descendente dessa linhagem aegidius/hanibalianna/syagrus. O
general AEgidius nascido
antes mesmo das invasões bárbaras de 406/7
(18).
Entretanto, a partir da decadência romana e
da ascensão dos reis francos merovíngios no centro europeu, os agilofings foram aos poucos sendo absorvidos
por esta dinastia franca que então
se formava e predominava na Gália. Figuras femininas de sangue agilofing integradas à própria elite
real merovíngia dominante.
E por personagens femininas de grande
personalidade, a dinastia agilofing
conseguiu manter posteriormente relativa importância no novo império franco, mantendo
como seu centro de aglutinação a cidade de Regensburgo, à beira do
Danúbio. Nos séculos seguintes os agilofings
serão ainda influentes na Bavária - e
por ligações com os lombardos, influentes
na realeza da Lombardia, penetraram na península italiana (dinastia derivada
“gisulfs”) até o período carolíngio.
Devemos
chamar a atenção dos genealogistas para o fato desta dinastia agilofing que se manteve no centro
europeu ter trazido consigo experiências
políticas e governativas de sua origem muito antiga - goda, turca, síria, da Romania
ou além- golfo – não só para o reino
franco-merovíngio em formação, mas ainda adiante
por ligações familiares com os lombardos
da Lombardia, chegando até mesmo às famílias da península italiana de
origem também lombarda, como os Monaldeschi e Cavalcanti.
E estas experiências sociais e políticas
muito antigas dos agilofs foram transmitidas
também por linha feminina aos reis
suevos que se haviam estabelecido na península Hispânica – transmitidas em
especial por Ermengarde
d’Ostrogothie [ostrogoda, 355 - 382], mãe do rei suevo Hermerico – ela já
cristã, com ascendentes agilof, godos
e tudo indica sua mãe da Casa reinante do Bósforo já cristianizada. Na Península
Hispânica, sabemos, os reis suevos mantiveram
sua influência e reinaram por dois séculos, introduzindo práticas religiosas
cristãs e católicas.
Desde já, para confirmar a antiguidade e longevidade
desta dinastia agilofing, seu brasão
no centro europeu trazia golfinhos em fundo azul, sugestivos de uma
origem além-rio ou além-golfo. Os golfinhos até hoje muito comuns no
estreito de Bósforo entre o mar Negro e o Mediterrâneo.
A palavra "golfinho" procederia do
grego delphís, através do termo latino delphinu,
com influência da palavra "golfo - alto-mar".
Golfinhos foram representados no brasão da bandeira da Romênia
Golfinhos também estiveram até mesmo presentes
no século XV em brasões de casas nobres francesas (brasão abaixo). O príncipe
francês Felipe VI já no século XIV teve golfinhos representados em seu brasão e
foi nominado Delfim - o termo propagado depois como título.
II -
DESENVOLVIMENTO
. Na “Introdução”
deste atual artigo havíamos proposto afirmações gerais sobre a antiguidade do
povo suevo e especialmente da
antiguidade geto-dácia e goda dos agilofing.
No “Desenvolvimento” trataremos agora de aprofundar o assunto e comprovar estas
afirmações com exemplos genealógicos - exemplos colocados com fontes no seu contexto
histórico e cronológico.
1- Comprovação da antiguidade dos agilofings
e sua penetração na dinastia sueva. A genealogia dos aegidius /siagrii.
A origem da
dinastia agilofings seria, portanto,
muito antiga como sugerimos acima.
Relativamente
à especial influência desta dinastia agilofing exercida sobre a Península
Hispânica, temos que a “stirp” aí desenvolveu-se no IV século pela
influência do guerreiro suevo Hermérico
- líder de seu povo que pressionado
pelos hunos a leste atravessou o
Reno cerca de 406 d.C., acompanhado por outros povos invasores tidos pelos
romanos como ainda “bárbaros”. Hermérico conduzia um lado materno godo (ostrogodo) cristianizado e seus descendentes, os
filhos Réquila e Requiário, ainda seu
neto que portava o nome dinástico já tradicional na família – um Agiulf.
Fonte
genealógica francesa que traduzimos informa:
“Ermanrich
des Suèves, “Hermenericus Suēvicus”, nascido em 360 e falecido em 441,
filho de Bitheid dos Suevos e de Ermengarde d’Ostrogothie [ostrogoda 355 – 382 ?] - um
“Guerreiro da Morávia e da Hungria” (“Krieger von Mähren und von Ungarn”) que
cruzou o rio Danúbio em 406, devastou a Gália e ultrapassando os Pirineus em 409
fundou o reino dos “Suevos da Galícia” - nas costas norte-atlântica da
península Hispânica.
A mãe de
Ermanrich ou Hermérico, Ermengarde
d’Ostrogothie [355-382] por nossas pesquisas seria filha de Agiulfo dos Ostrogodos [320-364] - o prenome, Agiulfo, como vemos conduzido
comprovadamente por esta linhagem de reis suevos
que penetra a península Hibérica e a Galícia.
Emengarde muito provavelmente seria cristã
católica, tida como avó de Réquila e de Requiário - este ultimo comprovadamente
também cristianizado e católico. A religião católica de Hemengard certamente
recebida de sua mãe Julia por pressão do Imperador Constantino sobre o
pai dela, Tiberius Julius Rhescuporis V, rei do Bósforo. Este de religião
grega, crisitanizado por pressão de Constantino (20).
Emengarde
por seu neto Requiário foi bisavó de Caratene
da Suévia, personalidade feminina marcante, de muita influencia na formação
moral e católica de sua neta/política, a rainha
Clotilde tornada esposa do rei franco, Clovis. Clovis o primeiro rei merovíngio documentado, cristianizado por
influência desta sua esposa Clotilde, personalidade feminina também muito
marcante, religiosamente influente (21).
O filho de Hermético, Rechiário da Suévia
(calculamos n. cerca de 390 – falecido dez. 456), católico,
fora casado com Flavia dos Visigodos (nascida em 395, filha do rei vizigodo
Teodorico I) e tornara-se pai de Caratene da Suévia (435-506), esta casada
a primeira vez com o rei lombardo Gedeon no centro europeu. O segundo
matrimônio de Caretene da Suévia com o lendário e poderoso Gondioc da
Borgundia, rei des Burgundios de Lyon (r.430-473),
e pelo filho deste, Childerico II, teria sido a orientadora na educação,
como parente afim (madrasta-avó ou avó política) da rainha Clotilde (22).
Portanto,
a mãe de Hermérico, Emengarde Ostrogoda [355-382] pode ser
considerada uma ostrogoda da
dinastia dos agilofs ou já agilofing por
seu pai Agiulf d´Ostrogodo [320 – 355], e em especial por seu
avô Aquilulf ou Agiulf dos Godos [290 – 350] - por
este lado paterno ainda uma colateral ascendente de Teodorico I, o Grande (464-526),
rei do Império Ostrogodo (493 a
552), tido de dinastia amala que
também teve como ascendente este Aquilulf dos Godos (23).
Sabemos também que Hermenerico, um rei
grutungo, godo, seria filho deste mais antigo Aquilulfo dos
Godos – assim, tudo indica, tio do nosso jovem guerreiro Hermérico.
Hermenerico é considerado o ultimo rei godo e suevo do oriente unificado
- rei grutungo (godo do oriente) que se suicidou em 375 quando de invasão huna
(24).
Lembrando
- os godos grutungos habitaram as proximidades do Mar Negro no
sec. III e IV, próximos dos tervíngios, também godos. Os tervíngios dirigidos por juízes e
não reis. Arqueologicamente
correspondem hoje junto com os grutungos à chamada cultura de Cherniacove
(25) (26).
Continuando
a acompanhar nossa dinastia agilofing
que conseguira permanecer no centro franco e de passsado tão experiente logo encontramos
as primeiras ligações dos agilofings com
os reis merovíngios em ascensão - pois o filho do imperador merovíngio Teodeberto I e da galo-romana
Deotéria, o jovem Teobald (c.
536, f. 555) que reinou sobre Metz, Reims ou Austrásia teria sido, comprovamos,
tetraneto de Teodorico I, o Grande, rei
ostrogodo, (454-526) (27). Deotéria, mãe deste sucessor Teobald
nasceu na família galo-romana Ferreol de Narbonne, seus antepassados
com antigas ligações com família do Imperador Constantino I. Deotéria apresenta antepassados muito
antigos e prestigiosos aegidius/syagrus,
ela possivelmente prima do notório General AEgidius (28) (29) (30).
Para
comprovar firmemente a origem antiga e experiente da dinastia agilofing que penetrou e até mesmo teria
influenciado a dinastia dos reis suevos nos
primórdios da Galícia apresentaremos detalhes da genealogia sofisticada e
elitizada do famoso general Aegidius (31), parente de Deotéria, cujas origens aegidius/syagrius/halibannianas
(parentes colaterais dos Agilof amalos?) seriam também muito antigas, penetrando as cortes
romanas.
A família AEgidius/Syagrius antes da grande invasão bárbara já tinha penetrado
na elite romana por casamento em meados
do século III, e ocupado posições de grande prestígio no Império. Pelo
ascendente Afrianus Halibanniano
haviam mantido relações em especial muito próximas com o imperador Augusto Maximiano
(r. 286–305), conforme comentaremos adiante. Além
da presença também de sua família colateral na corte do Imperador Constantino, a
família teve presença posterior marcante ainda na corte imperial romana pela
tia paterna do general Aegidius, Aelia
Flavia Flaccilla Augusta, casada com o Imperador Teodósio – ela mãe
de dois de seus filhos, Honório e Arcádio. Os Aegidius/Siagrii notamos, unidos aos galo-romanos “flavianos”
da região de Lyon.
Por fontes históricas confirmadas e confiáveis
temos, portanto, que o general Aegidius ou Egídio, personagem tradicionalmente tido como galo-romano, nascido na Gália antes das invasões bárbaras em
verdade era proveniente da dinastia dos Aegidius
/Syagriius/ Hannibalianus, família de origem na
Romênia e Siria, já ligada aos flavianos e mesmo aos
romanos da estirpe imperial do Imperador Teodosio. Também Deotéria, tida por galo-romana, das
famílias “flaviana” Ferreol e Aegidius /Syagriius (32).
Devemos fornecer mais detalhes
genealógicos do general AEgidius para confirmar a proposta acima.
O general Aegidius é referido por fontes
genealógicas e históricas como Aegidius
Afranius Syagrious (nascido cerca
390 ou 393 - falecido 464 ou 465), e o titulo “Des Reiches von Soissons” (do
Reino de Sissons) - pois nesta região de Sisson ele teria chegado a governar
como dux ou rex com seu filho Syagrius,
independente do Império Romano, - logo,
entretanto, vencido pelos francos. No início da sua carreira AEgidius havia
sido oficial por Roma, “magister militum per Gallias” (“Mestre dos Soldados da
Gália”), servindo sob o comando do Imperador Majoriano.
Por fontes
genealógicas modernas, seu pai Flavius Afranius Syagrious ou “Afranius
Algidiussyagrus de Lyon e da Galácia
- Aegidius, Gouverneur des Gaules, Roi des Francs” n.c. 345 – f. c. 399.
Sua tia paterna Aelia Flavia Flaccilla Augusta esposa do imperador romano
Teodósio, o Grande, seus filhos Arcádio (imperador do Oriente entre
395-408) e Honório (imperador do Ocidente entre 393-423). Sua irmã Syangria
Clarissima de Rome (nascida de Lyon) mãe de Tonantius Ferreolus,
prefeito pretoriano da Galia a partir de 451 (33).
Comprovando
a importância social e sofisticação cultural desses agilofings/siagrii seu pai Flavius Afranius ou Afranius Algidius
Syagrus ao fim da vida foi cônsul no
ano 382 e senador galo-romano - casado com Ausone Syagrius (nascida
van Bourgondië) - sugerimos filha do até hoje reconhecido poeta Ausonius, 310-395, seu maior incentivador
nas lides literárias. Ausonius foi líder da famosa
escola literária de Bordeaux, e o casal tido além do filho Aegidius também uma
filha: Syangria Clarissima van Rome (c. 390 nascida van Lyon), mãe de Tonantius
Ferreolus (Tonantius Ferreolus, c. 390 - 475), prefeito pretoriano da Gália (“praefectus praetorio Galliarum” desde 451). Flavius
tinha ainda um colateral por sua avó, de mesma idade (um primo ?) Flavius
Placidius Syragius Afranius (345-382) e
certamente conviveu com seu cunhado - o Imperador Teodósio, O Grande.
Sobretudo,
temos que o avô paterno do general Aegidius - AEgidius Hannibalianus, nascido
c. 300 - f. 364, seria contemporâneo
do lendário e famoso Agiulf, rei dos
Godos, nascido em 290, falecido em 350 com 60 anos, filho de Athala dos Godos e ascendente do
lado paterno de Emertrude Ostrogoda (355 – 382), mãe de líder suevo Hermérico.
O avô do general AEgidius por
fontes genealógicas nascido c. 300 - f.
364 era ainda o filho do mais antigo Afranius do sec. III, que
havia alcançado o posto de general e de senador
romano em 282, pois 1º marido da
famosa Eutropia, referida como da Síria (34) - “Afrianus Hannibalianus van Galatië” (da Galácia), nascido
10 de outubro de 275 na Galatië (Galácia) Roemenië (Romenia), depois casado com Syagra
Hannibalianus (nascida van Syrië) (da Siria). Eles tiveram um filho: Flavius
Afranius Syagrious (ou Sigrarii), certamente
ainda pai do próprio AEgidius Hannibalianus.
Lembramos
que
a Galácia
era região da Anatólia central e abrangia a região de Ancara e Çorum, na
província de Yozgat, da moderna Turquia – a chamada de "Gália do Oriente”
e os escritores romanos denominavam seus habitantes de galos (em latim:
galli, lit. "gaulês" ou "celta").
O bisavô do general Aegidius, Afrianus Hannibaliens da Galácia, nascido na Romênia em 10 de
outubro de 275, a segunda vez fora casado com Siagra de Siagrus, da Siria – teve um filho Flavis Africans (ou Afrânius ou AFICANUS) de Siagra, e um outro
deduziu Aegidius Hannibalianus nascido
c. 300, que não seria de sua primeira esposa Eutrópia, pela data tardia
de seu nascimento. Afrianus Hanibalianus foi também ativo militar
encarregado pelo imperador Augusto Maximiano (r. 286–305) de manter os povos “bárbaros”
em seus “limes” (35).
Qual seria
o motivo destes de nome Aegidius terem
ficado tão marcantes na genealogia familiar e mesmo na historiografia? Observamos
que atuaram justamente no momento século III em que godos tervíngios chegam a um acordo com os romanos, acordo pelo qual os romanos lhes cediam a província da Dácia
(oeste da atual Romênia) em troca da paz, à época do Imperador Aureliano (270—275). Em seguida os godos convertidos
em federados do império por Constantino
I, o Grande (272–337), que os encarregou da defesa do limes danubiano em
troca de grandes somas de dinheiro. Teriam os estes Aegidius Hanibalianus sido
os intermediários com os godos e
romanos destes acordos?
Informações enciclopédicas com
nossos acrescentamentos e grifos indicam que:
“... no
passado os [godos] tervíngios haviam
se expandido para sudoeste, cruzando com freqüência a fronteira romana e
realizando saques, até chegarem a um acordo pelo qual os romanos lhes cediam a província da Dácia (oeste da atual Romênia)
em troca da paz, à época do Imperador
Aureliano (270—275). Convertidos em federados do império por Constantino [I, 272–337, O Grande] este
os encarregou da defesa do limes danubiano em troca de importantes somas de
dinheiro, mas cedo teriam chegado os problemas. Se os romanos tinham de
pagar aos bárbaros para que os defendessem, quem impedir-lhes-ia receber mais
dinheiro que o de uma legião qualquer? Apesar das crises econômicas dos séculos
III e IV, os romanos continuavam tendo muito dinheiro, somente era preciso
colhê-lo. Assim, todas as vezes que os godos
estimavam que lhes convinha um aumento do seu soldo, cruzavam em armas o rio
Danúbio, saqueavam algumas cidades e voltavam às suas terras, comunicando aos
romanos que continuariam fazendo-o enquanto os subsídios não aumentassem.
Assim o fizeram até 370, quando
foram ameaçados pelos hunos”.
Assim sendo,
com tais ancestrais prestigiosos e relacionados com a administração do Império
Romano, no ano de 458 temos que o
General Aegidius (Egídio) já era tido como galo – romano, tendo em
seu nome recapturado Lyon (Lugduno)
aos burgúndios, e repelido uma
invasão dos visigodos, derrotando-os
na Batalha de Orleães em 463.
Como
constatamos acima, o general Aegidius por dinastia paterna era na verdade um egidius/syagrius/hanibalianno,
parente afim dos patrícios flavianos
Ferreol (ou Ferreolus) - sua irmã Syangria Clarissima de Rome
(nascida de Lyon) mãe de Tonantius Ferreolus, prefeito pretoriano da
Galia a partir de 451. Neste caso em 458 o general Aegidius teria defendido
a região de Lyon de ataques borgúndios que
haviam extrapolado suas concessões - lutando assim a favor dos romanos e dos seus parentes Ferreol de Narbonne em
Lyon contra os borgúndios (detalhes nota 31).
Já em 463
Aegidius lutou na batalha de Orleans contra as tropas do rei visigodo Teodorico II e seu
irmão Frederico, que observamos pouco antes haviam reprimido os suevos na Galícia em 457 e matado o rei suevo Agiulfo (m.
457) (sugerimos haveria algum tipo de parentesco entre Aegidius e Agiulfo) após
a batalha de Óbidos na Hispania.
Em especial já decaído ou ultrapassado o
parentesco de Aegidius com os romanos (sua
tia Aelia Flavia Flaccilla Augusta fora casada com o Imperador
Teodósio – os filhos Aelia reinando adiante: Arcádio, imperador do
Oriente entre 395-408 e Honório, imperador do Ocidente entre 393-423) fica
mais claro o porquê ao final da vida o general AEgidius tenha tentado estabelecer,
na vasta região de Soisson, um território
próprio e de seu filho com o vazio deixado pelo próprio Império Romano na
Gália - um reino a ele pertencente, o Reino de Soisson, herdado por seu
filho, um Siagrus que, entretanto,
foi logo vencido pelos franco-merovíngios
filhos de Clovis na Batalha de Soissons em 468 (36).
Com a decadência de poder romano, os francos
merovíngios aos poucos se tornaram dominantes
na Gália. Desde o casamento do rei Clovis com a cristã Clotilde, e de Deotéria
com o imperador merovíngio Teodeberto, os reis merovíngios haviam permitido que os agilofings fossem absorvidos à sua própria
elite real por linha feminina – a dinastia agilofing
a partir daí gozado apenas uma relativa importância. Como já comentamos
acima, os agilofings conseguem
manter nos século seguintes como seu centro a cidade de Regensburgo (ou
Ratisbona) na Bavária, ainda influentes como duques bávaros e, por extenção, até mesmo unidos aos reis da Lombardia através
um ramo cadete da família.
Lembramos que desde o sec. II d. C. o óbido de Bratislava fora centro da “stirp”
dos bohemi ou boios, povo de muito longa e antiga tragetória antes da era cristã
(37). O nome Boémia mesmo derivado
de Boihaemum ou Casa dos Boios (38). Em convivência com vizinhos de várias etnias na Baviera e em conflito
com os francos dominantes, no sec. VII os chamados bavarii mudaram agora seu centro para Ratisbona, tornada em
especial centro dos agilofing.
Comprovada a antiguidade agilofing voltemos à
comprovação da antiguidade sueva.
2 -
A atuação do povo suevo na antiguidade
Mas
voltemos ao estudo dos antigos povos suevos,
tidos tradicionalmente como “bárbaros”, para entender no sec. IV suas
ligações tão sofisticadas com os membros da dinastia dos agilofings de origem goda, ainda
com a estipe boemi tão antiga e
experiente, mesmo com os aegidius/
siagrii/halibannianus de prestígio imperial.
A
origem muito antiga do povo suevo se perde na Idade de Bronze.
De acordo com trabalhos mais recentes, os suevos (como os godos)
seriam provenientes da Dinamarca, sudoeste da
Península Escandinava durante a Idade do Bronze (c. 3.300 a.C. a 1200 a.C.) e
haviam se expandido para o sul, noroeste da Alemanha, antes da Idade do Ferro
(c. 800 - 600 a.C.) - por fim ocupado ao sul ilhas dinamarquesas e ambos os
lados do rio Elba.
O historiador romano Tácito referiu-se a todos os habitantes da província
da Germania localizados além do rio Elba
como "suevos" (39).
Tácito descreveu os inimigos suevos
do ponto de vista romano e preconceituoso:
“... olhos
ferozes e azuis, cabelos loiros, corpos grandes e capazes apenas para o esforço
momentâneo (40).
“Ocupam
a parte mais extensa da Germânia e se diferenciam pelos seus respectivos nomes
nacionais, ainda que sejam chamados comumente de suevos. É típico desta raça
pentear-se com o cabelo para um lado e segurá-lo por debaixo com um coque;
desta maneira, os suevos se diferenciavam dos demais germanos e os suevos
livres dos escravos [...]. Os suevos,
até envelhecerem, usam seus cabelos eretos e é frequente que eles levem atados
no alto da cabeça (41). Os jovens levam
o cabelo de forma mais rebuscada. Tal é sua preocupação pela estética; embora
inofensiva, não se adornavam para amar ou ser amados, mas para aparentar uma maior estatura aos olhos dos inimigos.
O
historiador Jordanes do
século VI d.C. acrescenta
que os suevos eram oriundos da “ilha” de Scanza (Escandinávia)
e eram muito altos (42).
Figura de
bronze romana que representa um homem com vestuário e penteado característicos
dos suevos, século I- II
A aparência atemorizante e
propositadamente agressiva dos suevos
era mantida com o objetivo de intimidar os inimigos, devendo ter correspondido ao
símbolo por eles utilizado na figura de um dragão alado (43).
Mas a primeira notícia objetiva de
contacto de um grupo de suevos com
os romanos nos chega por Julio
Cesar em sua “De Bello Galica”, livro I, ao relatar que um grupo liderado
pelo chefe suevo, Ariovisto, expandira-se para a Gália,
cruzara o Reno até ser detido por ele nos Vosges no ano de 58 a.C. Quando desta primeira
campanha de Julio César em 58 a.C., Ariovisto
mesmo vencido conseguira retirar-se para a Germânia ferido.
Considerado
em 59 a.C. um “rei amigo do povo
romano”, Ariovisto em 61 a.C novamente penetra a Gália e então
deixa cerca de 120.000 de seus homens no território de seus aliados, os sequanos (na Alsácia e Franco-Condado) -
decisão imposta pela batalha de Admagetóbriga (44).
Comentário recente da
historiografia acrescenta sobre os povos suevos:
“... a partir do século III os suebi
seriam para Roma uma das gentes, sempre junto aos quados e marcomanos
(considerados grupos pertencentes ou formando parte dos suevos) assentadas em
torno da bacia media do Danúbio, com os quais o Império lutaria,
comercializaria e inclusive se aliaria em função de seus interesses geopolíticos
no limes danubiano” (45).
Mas os suevos
e os demais povos que viviam no “limes danubiano” eram tidos pela sociedade
romana como inconfiáveis e ainda “bárbaros”.
Sobretudo, é necessário ressaltar que estes
povos “bárbaros” a apartir de 360 sofreram
a pressão dos hunos a leste,
ocorrendo a partir daí uma serie de invasões ao Império. Ainda que datas e
informações fornecidas pelo atual historiador Daniel Hope possam não ser exatas,
teríamos referida uma invasão alamana
já em 365; em 370 a dos sármatas; em 378 a dos quados; em 398 os vândalos (46).
Por
informação enciclopédica na mídia eletrônica sobre os suevos, sem data informada, suevos
e alamanos quebraram as defesas
romanas, ocuparam a Alsácia e desde
lá a Baviera e a Suíça. Mas... “uma
parte deles permaneceu na Suábia
3 – Pactos dinásticos estabelecidos por suevos,
godos, e outros povos limítrofes do Império no século IV.
A partir
da análise das biografias do general AEgidius, da galo-romana Deotéria,
e de Agiulfo I, tido como capostipide dos agilofings europeus havíamos
verificado que muito antes dos anos 400 a dinastia de aegídeos e dos agilofings já estava bem formada pelas ligações com as
elites godas, síria, turcas, galo-romanas, e mesmo já íntimos das cortes romanas.
Os agilof
seguindo os moldes godos eram cuidadosos
na realização seus laços de casamento e em seus registros familiares. A elite gótica mantinha sua alta posição social
através do mito de origem da sua comunidade, bem como da realização de alianças
matrimoniais politicamente estudadas e elaboradas. Assim, pelo que sabemos,
já haviam realizado uniões matrimoniais no século III e IV, anteriores mesmo à
grande invasão de 406 tentando estabelecer pactos políticos seguros – uniões a
exemplo dos muito bem sucedidos pactos realizados mais tarde entre famílias
reais por Teodorico, o Grande, Ostrogodo no sec. V e VI - uniões que,
entretanto, não subsistem após a sua morte, gerando a derrocada de seu Império Ostrogodo (48).
Na “Introdução” por nossos estudos
genealógicos realizados, havíamos sugerido que a dinastia dos aegidius na Europa fora desenvolvida
antes mesmo da era cristã, ainda no período de predominncia geto-drácia e levada adiante,
demonstramos, por godos, sírios, galo-romanos - potencialmente também
por “stirp” halibanniana (seriam
eles da “stirp” bohemi?).
Dinastias aegidius siagrii e agilofs godos, portanto,
já bem estruturados antes de 358 a.C
por uniões com outras etnias - data
em que são registradas oficialmente as primeiras tentativas do Império romano de
aproximação com os “bárbaros”.
Segundo
um "mito de origem" os godos
procediam originalmente do sul da Escandinávia, mas a partir do século I d.C. teriam migrado para
sudeste, assentando-se dois séculos mais tarde nas grandes planícies a norte
do mar Negro. Ali como já observamos se dividiram com o tempo em dois ramos
- os grutungos (do gótico Ost Goths,
"godos do leste", ostrogodos) e os tervíngios (em gótico Wiss Goths, "godos do oeste",
vizigodos), separados pelo rio Dniestre - e relativamente tentaram se
relacionar com os romanos (49).
Pela
história dos povos quados e marcomanos - povos
fronteiriços do Império e que acompanharam os suevos nas invasões de 406 d.C poderemos obter detalhes sobre essas
tratativas e uniões matrimoniais capitaneada pelos godos que visaram no fim do IV século ampliar, tanto suas zonas de
influência e defesa relativas aos romanos, quanto à capacidade de contra-ataque
e até mesmo provável ataque frente aos próprios romanos e francos.
Em
relação a estes povos quadros e marcomanos intimamente unidos aos suevos
na Confederação de 406, sabemos por fontes históricas que já no ano de 358 d.C o imperador Constâncio II pretendeu extinguir os últimos focos de guerra
do Império com os quados. E, quando o exército romano
apareceu no “coração de seu reino” o filho do rei quando, Vitrodoro, e seu
“subregus”, Agilimundus, além de outros nobres e notáveis chegaram a se ajoelhar
aos pés dos soldados, entregando seus filhos como reféns, prometendo que
permaneceriam fiéis aos convênios estabelecidos com os romanos.
Em
trabalho recente, o articulista (José Galazak – 2013),
baseado no historiador romano Amiano Marcelino (50) penetra a
história dos povos quados e marcomanos e comenta este episódio ocorrido
em 358 d.C., quando o filho do rei dos
quados, Vitrodorus, viera ao
Imperador Romano tentando um acordo, acompanhado de seu “subgallus” de nome Agilimundus:
“[em 358]
Vitrodorus, o filho do rei Viduárius [rei dos quados] (51), veio ao encontro do
imperador, acompanhado do seu “subregulus”, Agilimundus, e com eles vieram os
nobres e os juízes que governavam os povos. E a paz foi estabelecida. Acreditamos
mesmo estar na presença dos “palácios” de Vitrodorus (em Cífer-Pác) e o do seu
poderoso “subregulus”, Agilimundus (em Milanovce), os dois homens que dominam
politicamente no ocidente do “País dos Quados”. [.....] Agilimundus, reinaria
em Milanovce, num grande edifício de madeira (só alguns anos mais tarde
substituído pelo grande edifício de pedra); [.....] Sabemos ainda que
[Viduárius] tentou expandir o seu poder político, instalando no seu “regnum” —
onde antigas populações de etnia marcomana, os Baemi, preponderavam — a tribo
de Agilimundus, de etnia quada.
Novo
conflito entre romanos e quados ocorrerá, entretanto, ainda a
partir de 374 - conflito devido à
construção de um forte romano que impediria a expansão do reino dos quados.
O monarca
quado na época, Gabinius, numa embaixada ao Império acaba sendo assassinado pelos romanos
e seu filho passando a governar sob a tutela de um “subregulus”, não
reconhecido pelos demais integrantes da etnia (este “subregulus” quado
seria Agilomundus, ainda atuando em 374?
– em 358 Agilomundos teria pelo
menos uma idade madura e em 374 estaria com cerca de 75 anos (52). Galazak
(2013) lendo Amiano Marcelino em a Notitia
Dignitatum (53) comenta pouco depois a existência de uma rainha marcomana [ou alana?] cristianizada Fritigil,
que no ano de 396 teria sido instada
por um bispo a converter seu povo e a persuadir seu marido a facilitar a paz
com os romanos. Afirma José Galazak (2013):
“Em
396 sabemos que o bispo Ambrósio
de Milão (54) contacta com Fritigil,
identificada como “rainha dos Marcomanos”, à qual faz chegar um
catecismo para a ajudar na conversão do seu povo e uma recomendação para
persuadir o marido a fazer a paz com Roma (Thornton, 2008, p. 112). O povo de Fritigil
é muito provavelmente o grupo de marcomanos
que nesse mesmo ano de 396 se
entrega à protecção de Roma (Heather, 1995, p. 9)”.
Segundo a Notitia Dignitatum esta rainha Fritgil teria realmente
conseguido convencer seu marido (quem?) a se submeter à autoridade romana – e a
sua tribo (marcomana ou alana?) “caiu sob o poder de um “tribuno“
(!)
Estes
textos muito sugestivos nos deixam questões que tentaremos responder mais
adiante – em especial quem seria seu marido de Friygil a ser convertido? Seria
o tervíngio amalo Godegisel? filho
de um hérulo e uma vândala asdingo, de religião ariana?
A
localização desses povos ditos “bárbaros”, vizinhos dos suevos, e contidos nos limites
da Marcomannia são também comentados atualmente
por Galazak – pois a “Marcomannia”, uma região idealizada pelo Imperador Marco Aurélio que corresponderia
aos territórios da atual Eslováquia ocidental, leste da República Tcheca
(Morávia) e nordeste da Áustria (Baixa Áustria).
“..... Quando em 401 Estilicão empurra alanos e vândalos asdingos para fora das fronteiras do Império, será nesta Marcomannia despovoada que os dois povos se irão instalar. E na Marcomannia terão eles por vizinhos os quados-suevos a leste, e os vândalos silingos a norte”.
Por
esses textos citados acima nota-se, portanto, as tentativas desses povos vizinhos
dos suevos para coabitarem em segurança, porém ainda ampliarem áreas limítrofes.
No
primeiro texto referido, um “subregus” de nome Agilimundus, tido como da
etnia quado aparece em 358 participando do acordo com romanos, estando
ele até mesmo já bem estabelecido, com grande prestígio habitando palácio
de porte em Milanovce (!).
Os textos históricos reproduzidos acima nos
informam sobre relações estabelecidas entre estes diversos povos limítrofes e o
próprio Império Romano – textos que deixam, entretanto, muitas dúvidas e
questões genealógicas - questões que pelo seu ineditismo e sofisticação na formulação
da teia familiar tramada tentaremos analisar e melhor compreender:
Jordanes
na Gética, seguindo a linha dinástica
dos godos amalos, refere neste período a
notícia do rei godo Achiulfus ou Atiulfo [290 –
350] - um rei godo grutungo.
O povo godo na época habitando as estepes do Mar Negro,
relacionamento muito próximo com os godos tervíngios, cujos
reis da dinastia dos amalos eram dirigidos por juízes (55) (56).
Achiulfus (note-se de nome muito
próximo ao de Agilomundus, “subregulus” quado) seria da nona
geração de líderes góticos amalos, filho de Atal (ou Athala
dos Godos, rei marcomano?, também
godo amalo, vivo entre
270-336. Achiulfus fora pai de Ancila, Ediulfo, Vuldulfo
(ou Vultulfo), ainda Hermenerico (fonte o historiador Jordanes).
Tentando explicar melhor - segundo a Gética do historiador bizantino, Jordanes
(que escreve no século VI, autor citado por Clarke
2013, p. 273-274) Aquiulfo (em latim:
Achiulfus) ou Atiulfo (em latim At(h) iulfus) foi rei grutungo do
século IV - membro da dinastia dos amalos. Pertencia à nona geração de
líderes góticos, sendo filho de Atal (57) (ou Athala) e pai de Ansila,
Ediulfo, Vuldulfo (ou Vultulfo) e Hermenerico.
Por fonte insegura Ansila
teria sido um rei vizigodo. [Ansila dos Godos
com datas 318-381] - falecido, entretanto, pouco depois da Batalha
de Adreanópolis de 9 de agosto de 378, batalha travada entre godos e o Império Romano, e antes mesmo da grande invasão dos bárbaros
de 406 (58).
Hermenerico rei grutungo, godo, também filho deste mais antigo Aquiúlfo teria se suicidado em 375 quando de invasão huna - tres anos antes desta renhida batalha de Andreanápolis - tudo indica ele seria tio materno do nosso jovem guerreiro suevo Hermérico. Hermanerico [315-375] que é considerado pela historiografia o ultimo rei dos godos, enquanto ainda unificados - grutungo e pessoalmente agressivo - na década de 370 teria se suicidado pela impossibilitado de defender seu povo frente ao avanço destes hunos sobre as terras que habitava a região das estepes do mar Negro, região pantanosa entre os rios Don e Dniestre (59).
Lembrando -
os godos grutungos habitaram as proximidades do Mar Negro no
sec. III e IV localizados próximos dos tervíngios, também godos. Os tervíngios dirigidos por juizes e
não reis. Assim, grutungos e
tervíngios teriam se unido no IV século e teriam sido chamados “ostrogodos”. Estes arqueologicamente
correspondem, junto com os grutungos, à chamada “Cultura de Cherniacove”.
Desta linha
de agilofs godos seria Agiulf Ostrogodo [n. 320- 355] tido
como pai de Hermengarda, mãe de Hermérico - ela referida sempre como Ostrogoda (355-382). Já o rei godo Ansila tido
como rei vizigodo [“Ansila de GOTH, roi des wisigoths 318-381”] (60).
Os textos
históricos reproduzidos acima haviam nos informado, sobre as relações entre
estes povos limítrofes do Império – povos ainda subestimados pelos próprios romanos,
chamados de “bárbaros” - textos que nos deixam, entretanto, perceber um padrão
elevado de cultura - Agilimundus, tido como da etnia quado aparece em 358 participando do
acordo com romanos, estando ele até mesmo já bem estabelecido, com grande
prestígio habitando palácio de porte em Milanovce - e tramas
genealógicas sofisticadas, uniões étnica e religiosamente inéditas - questões que
tentaremos responder, sugerindo abaixo em tipo diferente:
1- O “sugregulus’ Agilimundus referido pelas fontes
históricas como membro da etnia dos quados
em meados do século, 358 d.C, bem
como o rei Aquiulfo [290 – 350?] do
século IV referido por Jordanes como rei grutundo (godo) de ascendência amala (61) (62) - poderiam eles ser parentes ou a mesma pessoa? Agilomundus teria tido
um nome cristão?
2- A rainha Fritgil na lista dos reis marcomanos
aparece referida como tendo reinado após Athala dos Godos, [rei marcomâno e amalo na lista do Jordanes,
[270-336]. Fritgil teria
reinado, portanto, a partir do ano de 336.
Seria ela com nome cristão a mítica Frida
Habba (marcomana?) citada como nascida em cerca 290 e por fontes inseguras casada com Achiulfo dos Godos
[290 – 350?]?
3- Também não fica especificado quem
teria sido já em 398 o esposo desta segunda
rainha marcomana Fritigil,
que a Notitia dignitatum confirma foram governados por um “tribuno”
(“tribuno de tribo”?) (um juiz amalo?) - Neste caso em 398 teriamos da geração seguinte uma outra rainha Fritgil. Seria
esta Fritigil, de outra geração, outra Frilla Habba? alana? Fonte insegura
indica o casamento de Godegisilio, rei vândalo
asdingo, de religião ariana com
uma Frilla Habba, n. 355 alana.
Mesmo sem conseguirmos comprovações precisas sobre essas ligações genealógicas
acima apresentadas, constatamos ligações políticas óbvias e matrimoniais
entre variadas etnias - figuras reais e dinásticas entrecruzadas de culturas e mesmo
religiosidades diversas – pagãs, católicas ou arianas. Momento em que verificamos especiais divergências
religiosas entre os próprios godos, até
mesmo o aparecimento de novas dinastias entre eles – o surgimento entre os trevíngios
da dinastia baldo de Alarico I, o
Calvo.
Assim, concluímos que estes povos godos,
suevos, marcomanos, quadi, éduos,
vândalos asdingos e silingos então aliados políticamente estariam já nesta ocasião, fim do IV
século, vinculados entre si por sofisticadas e variadas articulações matrimoniais.
Sugerimos que no fim do século IV, pouco depois
da batalha de Adrianópolis em 378, tenha sido o momento final para
a realização de tratativas e de acordos necessários para a continuação desta luta
já explicita contra o Império Romano - tratativas que observamos comandadas
pelos reis godos (dominantes por
suas elites reais) - acordos matrimoniais que por fim incluíram e interligavam intimamente em especial suevos,
marcomanos, quados, e também
uniam aliados vândalos e alanos - tratativas
que em potencial visavam projeto de ataque ou invasão do Império Romano pela
Galia - visto que os suevos e marcomanos haviam sido durante muito
tempo rebeldes aos romanos e os quados ainda
continuavam persistentes na insubordinação – sobretudo, quando agora se viam pressionados
por hunos perigosos, já se
aproximando a leste.
Assim sendo, nos atrevemos a sugerir que esses
Agilofs de origem goda e amala também estivessem relacionados com os AEgidius/Siagri da Romênia e da Síria a
que pertenceu o general AEgidius – a “stirp” aegidius muito antiga, como
defendemos na Introdução, provavelmente remontando aos geto-dácios.
O avô do general AEgidius era Aegidius Hannibaliano, e o notório militar Afranius
Hannibaliano do sec. III por sua ex-esposa até mesmo protegido pelo
imperador Maximiniano. O próprio general Aegidius, tido tradicionalmente de maneira equivocada como romano
ou galo–romano, sua família em verdade será oriunda da Romênia e da Síria,
tendo penetrado na corte Imperial pelo casamento de sua tia Aelia Flavia Flaccilla Augusta com o Imperador Teodósio – os filhos Aelia
reinando adiante: Arcádio, imperador do Oriente entre 395-408 e Honório,
imperador do Ocidente entre 393-423 (63) (64) (65).
Assim sendo, sugerimos também:
Estes Agilofs
godos de linha amalo -
podemos já denomina-los agilofings no IV século - interpenetraram
e serão prolongados pela dinastia dos reis suevos - por Emengarde Ostrogoda (355-382) tida como filha de Agiulfo
Ostrogodo (320-355), casada com o Bitheid, rei dos Suevos (350? - 401). Note-se
acima, já a denominação de Ostrogodos que tomam em suas listas genealógicas.
Para reafirmar as ligações
estabelecidas entre estas várias etnias, em especial suevas, temos indicação que
o rei suevo Wultuuf (ou Vultulfo) nascido c. 310,
falecido em 378, seria também filho do Aquiulfo [290 – 350] rei dos Godos, rei também dos marcomanos? e da lendária Frilla HABBRA nascida cerca
290 (em árabe /Farida Heba - a Fridgil marcomana). Consta na lista dos reis
amalos de Jordanes o nome deste Wultuuf ou Vultulf,
ainda o nome de seu filho Valaravano, e seu neto, Vinitário (66). Teria este
Wultruuf godo se tornado rei dos suevos por casamento com
uma princesa sueva? A lógica naturalmente nos indica este fato
genealógico.
Nossa
maior surpresa foi constatar, entretanto, a possibilidade de Godegisel, rei vândalo asdingo, de
crença ariana, também tido como membro
desta mesma genealogia agilof ter se
unido no fim do século à uma segunda Fridda
HABBA, alana (n. em 355, de outra geração de Friddas?
da tribo do povo alano, já cristianizada?).
Godegisel será o verdadeiro cérebro da Confederação, falecido em
batalha durante a invasão de 406/7 (67).
Região da
Marcomania em cor púrpura
Estas
famílias reais de várias etnias e crenças religiosas - ainda tidas pelos
romanos como inconfiáveis ou “bárbaras” - no século IV estariam já entrelaçadas
por laços de parentesco, agora especialmente pressionadas na Marcomania pelos povos
hunos a leste - não mais podendo manter,
nos limites romanos, uma situação relativamente estável que haviam gozado
durante algum tempo.
Observamos que os suevos foram incluídos
nestas tratativas matrimoniais dinásticas, práticas de godos agilofs durante o século IV por sua
atuação aguerrida no passado antigo, também por sua vitalidade e disposição para
futuros enfrentamentos com francos e romanos na Gália, visto o perigo
representado pelos hunos que já
anunciavam pelo menos desde os anos 370.
Lembrando, já na década de 370 o rei Hermanerico [315-375] – último rei dos godos
enquanto ainda unificados - rei grutungo
- pessoalmente agressivo havia se
suicidado - impossibilitado de se defender frente ao avanço destes hunos sobre as terras de seu povo que habitava a região das
estepes do mar Negro, região
pantanosa entre os rios Don e Dniestree já idoso havia se suicidado. Tudo indica Hermanerico tio do nosso jovem
guerreiro Hermérico (68).
Quanto à escolha da elite sueva para comandar a marcha sobre o
rio Reno, o povo suevo em menor número na ocasião da invasão, sugerimos a possibilidade
da elite sueva ter sido previlegiada
pelos godos nestes acordos tendo em
vista, não só sua atuação aguerrida no passado contra os romanos, mas o fato de
godos e suevos serem observados em
trabalhos recentes como da mesma origem proveniente da Escandinávia - a mesma potencial origem de outros povos
agora seus liderados.
Havíamos
constatado surpresos as origens aparentemente em comum, as mesmas de vários
desses povos que penetravam pelo Reno em 406 d.C. e acompanharam os suevos - vários deles originários da
Escandinávia e proximidades – os próprios godos
da ilha Guthland, os skiers da
ilha de Skye na Escócia, lombardos da
península de Scandza ou Scandia, também boemis da ilha de Bornholm ou Boríngia no mar Báltico.
O historiador Jordanes menciona os suecos como da “ilha” de Scandza como suécidos (suetidi), e os danos (dani) - "da mesma estirpe" que teriam expulsado os hérulos de suas terras. Os membros destas tribos tidos por Jordanes como "os mais altos homens".
A Ilha de Skye é a maior e a mais
setentrional das ilhas do arquipélago das Hébridas, na Escócia. Seu nome vem do
norueguês antigo Skið = "ski", uma alteração da palavra picta original e nas fontes romanas,
era mencionada como Scitis.
Supõe-se que também a ilha de Bornholm foi ocupada na Antiguidade pelos burgúndios procedentes na Escandinávia, que se instalaram na zona
sudeste da França nos finais do Império Romano.
O assunto é mais uma vez comentado na
‘Conclusão” em notas específicas de cada etnia, ainda reproduzido em mapa da
migração lombarda deste trabalho.
Agora esses povos de origem na Escandinávia,
e também os de origem indo – européia eram
pressionados
no sec. IV no centro europeu
pelos hunos que vinham das estepes da
Mongólia.
Vários motivos devem ter levado os
guerreiros suevos a aceitarem a liderança
da Confederação, formada no fim do século IV. Sobretudo após o enfrentamento
entre godos e o Império romano na batalha de Adrianápolis em 378.
O articulista José Galazak citando o bispo
Ambrósio de Milão em poucas palavras resume a pressão
dos hunos no IV século:
“Escrevendo
cerca de 380, o bispo Ambrósio de
Milão sintetiza admiravelmente a situação que se vive: “The Huns threw
themselves upon the Alans, the Alans upon the Goths, and the Goths upon the
Taifali and th Sarmatae… and this is not yet the end” (Heather, 1998, p.
104)..... Adrianápolis, em 9 de Agosto de 378, onde morre o imperador Valente e com ele dois terços
das suas tropas. Em Adrianópolis morre também um mito — o da invencibilidade do
exército romano (Sumruld, 1994, p. 24)
Pressionados interna e externamente, haviam
ocorrido entre os próprios godos conflitos
agudos no fim do século IV como seria natural – seja por motivos religiosos, de
segurança contra romanos, e também pela pressão dos hunos.
Conflitos entre Atanarico, godo tervíngio
amalo e o líder Fritgerno (provavelmente
já de dinastia balto). Atanarico era fiel à antiga religião
pagã, pois considerava que o cristianismo sufocaria as tradições góticas, acabou
perseguindo godos cristãos e teria
matado centenas de cristãos. Seu rival Fritigerno para conseguir o apoio
do imperador romano Valente, preferira converter-se ao cristianismo ariano. Durante os séculos
III - V, muitos tervíngios haviam se
convertido ao arianismo. Por fim, ambas
as vertentes godas aparentemente teriam se unido para enfrentar os romanos na batalha de Adreanópolis (69).
A Batalha
de Adreanópolis foi travada em 9 de agosto de 378 entre o exército romano comandado pelo imperador Valente,
de um lado, e de outro principalmente godos
tervíngios e grutungos, com o apoio
de alguns alanos e hunos, comandadas por Fritigerno. A batalha de Adreanópolis fragorosamente perdida
pelo exército do Imperador Valente frente aos godos – os melhores soldados do Império romano em poucas horas morreram
na região semiárida da Trácia - província romana ao sul do rio Danúbio. A
batalha ocorreu em Adreanópolis (atualmente Edirne, Turquia) e
resultou numa vitória decisiva para os godos
(70).
Além do
imperador, 17 mil dos melhores soldados, muitos capitães, 35 tribunos, dois
altos oficiais do palácio real e dois generais morreram no combate. Lembra o
historiador romano Amiano Marcelino (Rerum
Gestarum libri XXII)
“Naquele momento
tais eram as nuvens de poeira subindo do chão que mal dava para ver o céu, onde
ecoavam gritos horríveis. Por essa razão, os dardos dos bárbaros atingiram o
seu alvo sem que ninguém pudesse se desviar. O chão ficou coberto de sangue,
fazendo escorregar os pés de nossos soldados. Com tanto desespero, tentaram se
defender e alguns mataram, sem querer, seus próprios companheiros”
Na batalha de Adrianópolis morreria,
sobretudo, o mito da invencibilidade dos romanos.
A potencial fraqueza romana ficou
patente após esta batalha de Adreanópolis e será certamente uma das razões de
encorajamento para que os povos “bárbaros”, unidos e confederados na Marcomannia
por fim transpuzessem o Reno - também pouco depois realizassem a própria invasão
de Roma pelos godos da nova dinastia
dominante, os baltos de Alarico I em 410 (71).
4 - O
estabelecimento da liderança sueva do guerreiro Hermérico
Por fonte enciclopédica temos em poucas
linhas:
“Os hunos apareceram na Europa no século IV, aparentemente vindos da
Ásia Central. Eles primeiro apareceram no norte do mar Negro, forçando um
grande número de godos a buscar
refúgio no Império Romano; depois, os hunos
apareceram no oeste dos Cárpatos na Panônia, provavelmente em algum momento
entre 400 e 410, provocando a massiva migração das tribos germânicas para o
oeste e provocando a famosa travessia do Reno em dezembro de 406 ou 405. É por
este motivo que 31 de dezembro de 406, a data da travessia, é uma data
importante do chamado Período das Migrações”.
Com muitos elementos históricos e genealógicos
já recolhidos tentaremos agora refazer um quadro o mais possível detalhado dessas
invasões “bárbaras” de 406 d.C. - invasão
liderada pelo ramo suevo ocidental,
já miscigenado com os agilofs
godos – grupo que liderado pelo
guerreiro Hermérico acabou migrando em longa tragetória para a península
Hispânica, atingindo a Galícia.
Ainda
que nós, histroriadores, já contemos com vastas e numerosas informações de
época, entretanto, são elas até agora dispersas ou insuficientemente
interpretadas. Assim pretendemos resumir e analizar as genealogias de algumas
personalidades envolvidas, para melhor entender esse longo processo migratório.
Os ascendentes de “Emergarde d´Óstrogothie” (355-382),
mãe do líder dos suevos Hermérico, pelo
lado paterno eram godos (melhor ostrogodos)
– ela citada como filha de Agiulf Ostrogodo [320-355] desta dinastia de agilofs – enfim uma goda, como sugerem pesquisadores
modernos tentando penetrar o passado étnico pela genealogia. Fonte
genealógica moderna, certamente baseada em Jordanes, informa que seu avô seria
o lendário Aquiulf dos Godos [nascido
em 290, falecido em 350, com 60 anos] e seu bisavô, rei também marcomano, Athala dos Godos, vivo entre 270-336 – godos,
que verificamos pelas datas eram contemporâneos daquele importante e
prestigiados ascendentes aegidius do
general AEgidius lembrados
genealogicamente - os aegidius/hannibaliano/siagrii.
O
ascendente do general AEgidius, Aegidius Hanibalianus [nascido
300 - f. 364]
e o prestigioso Afrianus Hannibaliano da Galácia [nascido 10 de
outubro de 275 na Galácia, Romênia],
que no século anterior chegara a general
e ao cargo de senador, haviam obtido elevadas funções na administração do Império.
Afrianus Hannibaliano fora elevado à função de prefeito pretoriano do Ocidente
em 286 pelo imperador Augusto
Maximiano (r. 286–305). Afranius nascido na Romênia liderou e levou
exércitos imperiais à vitória sobre povos germânicos ao longo do Reno no mesmo ano (72) - personagem, portanto, de
relevância no reinado do Imperador Maximiniano (c. 250 – c. julho de 310) (72).
Busto do Imperador
Maximiniano
A tia
do General AEgidius - Aelia
Flavia Flaccilla Augusta foi em especial
casada
com o Imperador Teodósio, o Grande, mãe dos futuros imperadores - Arcádio, imperador do Oriente
entre 395-408, e Honório
(imperador do Ocidente entre 393-423
(73).
Lembramos que Agiulf I (470-512), capostipide dos agilofings no centro europeu, identificado pela lista segura da Abadia de Mettlach, poderia ter tido hunos e reis alamanni em
sua própria ascendência. É indicado que seu cunhado, Teodonte dos Bávaros também filho de Advaldo Agilofing dos Bávaros [415-508?], rei bávaro, filho
do huno Velphio Agilofing em cerca de 385 rei dos Alamanni, casado com uma alamanna (74).
Percebido
que um Aldiger [Aldager?] da Baviera
[c. 430] aparece em lista da fonte genealógica moderna Royaume Europe, já como descendente de Ermengard dos Ostrogodos, neto do líder guerreiro suevo Hermérico.
Nesta mesma
listagem o suevo Hermérico é
sugerido casado com uma princesa dos “skyers” - da ilha Skye na Escócia – com
descendentes burgúndios, bávaros,
alamannos e hérulos. Esta
listagem insegura, possivelmente baseada em fontes orais, não foi possível
analisar mais profundamente – entretanto, ela não contradiz nenhuma das
informações anteriores que prestamos – ao contrário se encaixa em especial no
nome de Aldiger da Baviera, n. 430, citado acima, que poderia ser parente do
pai [Advaldo Agilofing] do capotipide na Europa, Agiulf I. Ver
lista abaixo de Royaume Europe:
Não
podemos confirmar que a esposa de
Hermérico foi uma princesa dos skyres
– povo originário da Ilha de Skye na Escócia com passado muito antigo,
mas sugerimos teria ele tido ainda um filho e um neto referido pela lista acima
com dos SKYRES. Hermérico ainda com um filho Hunimond de Baviera (O Jovem?)
casado com Gontheuque [410] (alguma parenta do líder borgundio Gondioc?)
O
personagem histórico Odoacro, que igualmente
aparece nesta lista insegura, seria descendente (neto) de Hermérico. Odoacro foi um rei representante dos hérulos
e no século V, portanto, aparentado dos reis suevos na Galícia (76).
Como observamos, a dinastia sueva proveniente
da Escandinavia cruzada com agilofs (ou
já agilofings) pelo menos a partir
do no sec. IV, certamente também estaria unida a outras “stirps” étnicas, entrecruzadas
especialmente nos sec. III e IV em complexas tratativas para as invasões
“bárbaras” de 406 d.C.
Por nós demonstrada no texto acima as origens muito antigas da dinastia dos agilofing, passamos agora a apresentar detalhes
sobre a genealogia deste ramo ligado aos reis suevos por matrimônio - agilofs
originários no sec. IV aparentados ao líder de dinastia real sueva Hermérico, que mesmo
liderou a grande invasão bárbara do começo do século V, comandando a migração
para a Península Hispânica e a Galícia.
Entretanto, devemos lembrar – a dinastia agilofing também de provável origem “além-golfo” - turca e síria (também huna?) parte dela
permaneceu no centro europeu após as invasões do inicio dos anos 400, tentando estabelecer
pelo capostipide Agiulfo I (470-512) relações
matrimoniais com as elítes reais búlgaras
e bávaras - até mesmo, mais adiante,
com os reis francos merovíngios - estes aos poucos
dominantes na Gália. No centro europeu esta
linhagem agilofing manteve-se e
desenvolveu-se por figuras femininas marcantes e cristãs, sendo assimilada pelos
reis francos merovíngios. Assim
sendo, os agilofings no
centro europeu, como elite dinástica, perdurou
ainda por vários séculos, exercendo poder como dux na Bavária até o período carolíngio,
e por um ramo cadete atravez união com reis lombardos, já descidos para a
Lombardia (os gisulfs).
Com os
elementos históricos e genealógicos já recolhidos, somos agora capazes de montar
um quadro o mais possível detalhado das invasões bárbaras de 406 - invasão liderada pelo ramo suevo ocidental, descendente destes agilofs ou agilofings - ramo
que migrou para a península Hispânica estabelecendo-se na Galícia.
Pelas notícias históricas dos povos marcomanos
e quados relatadas acima, havíamos vislumbrado as relações desses povos com
o Império romano e de que maneira haviam sido tramados acordos e ligações familiares
entre suas elites reais ditas “bárbaras” - ligações que reconhecemos na verdade
já muito sofisticadas, visando à formação de uma grande confederação
para a invasão de 406 d. C.
No IV século os marcomanos habitavam
a região sul do rio Danúbio, vizinhos de suevos e de quados. Seriam
os marcomanos descendentes de celtas? Seu rei Balomar (c. 140 -
m. 170-180) no passado com nome de origem celta. Vândalos e alanos aparentemente
teriam tido origem diversa, nas estepes iranianas.
Os marcomanos
haviam sido no passado um povo essencialmente guerreiro, empregando até mesmo mulheres contra os
romanos. (Seria a lendária Fridda Habba, a primeira
Fritgil ainda uma guerreira marcomana crisitanizada?)
No início da era cristã, fontes romanas
indicam que as tribos marcomanas se estabeleceram na actual Boêmia
depois de terem sido derrotadas por Nero Cláudio Druso, general do
imperador romano Augusto. A palavra Boémia proveniente de Boihaemum
ou casa dos boios, povo de origem também na Escandinávia que migrara para esta região no início do
século V a.C. (77).
“No século
II, os marcomanos liderados por Balomar, federaram-se com
outros povos, como os quados, os vândalos e os sármatas para
enfrentar o Império Romano. Essencialmente guerreiros, os marcomanos
empregavam mulheres em combates. Segundo relata Eutrópio (78), o
imperador Marco Aurélio combateu esta "federação marcomana" (79), durante
três anos em torno da fortaleza de Carnunto, na Panónia. Lutaram contra
os romanos até a conclusão da paz à época de Cómodo”.
Os quados também estabelecidos próximo, vizinhos dos marcomanos aos quais sempre haviam estado ligados. Tinham cultura parecida com a dos sármatas de origem nas estepes iranianas - usavam lanças longas e cota de malha de linho coberto com finas placas de chifre; em conflito militar mantinham três cavalos velozes para cada homem, permitindo a alternância.
Já os alanos
seriam em verdade uma das tribos sármatas, também de língua
iraniana. Heródoto descreve a aparência física dos sármatas como louros,
vigorosos e bronzeados.
Em
um dos textos históricos citado acima havíamos notado ao fim do século IV, mais
precisamente em 396, a atuação de uma segunda rainha tida como marcomana,
Fritigil (Thorton 2008, p.112) já cristã, que teria sido instada
pelo bispo Ambrósio de Milão para que convertesse seu povo e levasse seu
marido a aceitar uma tratativa de pacificação com os romanos - sua tribo (marcomana
ou alana?) então teriam caído “sob o poder de um “tribuno“ (!)
(80)(81).
Por episódios históricos acima reproduzidos
observamos que os povos suevos, godos, marcomanos, quadi, vândalos, alanos, ainda outras etnias - tidos pelos romanos como “bárbaros” - no
fim do século IV em verdade já estariam em acelerado processo de articulação e de
conversão religiosa, realizando uniões matrimoniais etnicamente inéditas - “stirps”
antigas e sofisticadas agora entrecruzadas tendo em vista um eventual conflito
contra os romanos, hunos e francos.
Na região da “Marcomannia” - nome que o imperador romano Marco
Aurélio iria dar a uma província que pretendeu fundar no final das guerras
marcomânicas (82).
“Quando em 401 Estilicão empurra Alanos e
Vândalos Asdingos para fora das fronteiras do Império, será nesta Marcomania
despovoada que os dois povos se irão instalar.” (Galazac 2013).
Estas
articulações muito sofisticadas acabaram por entregar a liderança da invasão ao
potente guerreiro suevo, Hermérico - filho do rei suevo
Bitheid [c.350? – 401, este filho de
Nebio?], com ancestrais agilofs por sua mãe Ermengarda Ostrogoda como já observamos acima.
A historiografia recente percebe que ao final
do século IV as tratativas de composição entre as várias etnias na Marcomânia
teriam conseguido restaurar e mesmo valorizar até mesmo o antigo prestígio
cultural e aguerrido dos suevos.
Viduárius
rei dos quados “tentou expandir o seu poder político, instalando no seu regnum
— onde antigas populações de etnia marcomana, os Baemi, preponderavam — a tribo
de Agilimundus [um subregulus] de etnia quada..... O cargo de rex Quadorum só
podia desaparecer definitivamente se a própria designação Quadi desaparecesse –
uma perda insignificante se os povos recuperassem o etnónimo *Sweboz, um
património cultural comum aos Quadi e aos Baemi;... A mudança de nome servia os
interesses do “subregulus” (desvassalava o seu estatuto dentro do regnum dos
Quados ocidentais) (83).
Estas articulações ecléticas e sotisticadas
acabaram, portanto, restaurando o prestígio suevo entregando a liderança
da invasão nas mãos de Hermérico - filho do rei suevo Bitheid [350? - 401] - como observamos com
ancestrais agilofs por sua mãe Ermengarda Ostorgoda.
Ermengarda Ostrogoda (355-382) é tida como filha de Agiulf
Ostrogodo [320-355] e de Julia, filha do rei do Bósforo. Este Agiulfo
Ostrogodo tido como filho de Aquiulfo ou Agiulf dos Godos
[290- 350], citado por Jordanes na Gética como 8ª geração dos lideres góticos, antecedido de Athala
dos Godos [c.270-336].
Notado por nós que as datas registradas desses
ascendentes godos de Emengarda são muito próximas às datas
registradas pelos ascendentes Hanibaliannus do general AEgidius vindos
da Romênia, Turquia e Siria - os aegidius/hannibalianus/ siagrii - datas
registradas por fontes genealógicas modernas. Por nossas próprias pesquisas
genealógicas esses aegidius/hannibalianus/ siagrii foram situados e
colocados também em seu contexto histórico, personagens que observamos já
penetravam a própria elite romana. Os aegidius/ siagrii de origem romena
e síria, para os quais sugerimos também uma origem Hanibalianna, proveniente
de antiga estirpe boemi ou bóio que mesmo lutaram ao lado do
lendário general Hanibal, cartaginês. Os Hanibalianos penetraram até mesmo nas
cortes romanas neste período.
À experiência antiga de origem da família
real sueva é, portanto, acrescida no sec. IV por uma ascendência agilof
ou já agilofing (84) dos reis godos, lembrando que os godos tinham a mesma
origem na península escandinava. Para lingüistas modernos, a origem dos godos “é identificada na ilha de Guthland ou Gotland no mar Báltico - o
nome dos godos idêntico ao dos gutar, os habitantes de Gotlândia, uma ilha do mar Báltico” (85). Na Marcomânia estas influências de reis suevos foram
ainda acrescidas por influências de “stirps” reais marcomanas e quadi,
e mesmo da etnia e “stirp” muito antiga dos bohemi ou bóio,
influências já notadas pela historiografia moderna (86) - momento final
da formação dos reis suevos que irão migrar para a Galícia.
Chamamos a atenção do leitor, finalmente,
para uma importante indicação de fonte que bem se encaixa em relação às datas e
ao contexto (MyHeritage FamilyTree - Sosa: 185.448.677.099.040): - Wultuuf
ou Vultulfo (dos Godos), rei dos suevos, [c.310 falecido em 378] também seria
filho de Aquiulfo dos Godos [n.290, falecido em 350] e da lendária FRILLA
HABBRA, nascida cerca 290. Verificamos o nome Frilla Habbra do árabe
= Farida Heba. Seria esta mítica Frilla Habbra a rainha Fritgil
dos marcomanos que supomos ainda uma guerreira marcomana, cristianizada?
O rei suevo Wultuuf ou VULTUF consta
na lista do historiador Jordanes que numera os godos de dinastia amala:
“Amal gerou Hisarna. Hisarna, além disso, gerou Ostrogoda, e Ostrogoda gerou
Hunuino, e Hunuino por sua vez gerou Atal. Atal gerou Aquiulfo e Odulfo. Agora Aquiulfo [290 - 350] gerou Ansila e
Ediulfo (!), Vultulfo e Hermenerico.
E Vultulfo gerou Valaravano ...... ” etc. (87) (88).
(Lembramos – a dinastia dos agilogings usou freqüentemente o prenome
Agilof, proveniente ou adaptado do alemão Agilwulfaz - e outras
variantes “Agilolf", "Egilulf", "Egilolf", Ediulf (?), “Agiulf” ou “Aquiulfo”– as abreviação
"Agilo" ou "Egilo". Em latim Aegidius, em português Egídio,
italiano Giglio, em francês Gilles, em catalão Gil.
Observamos
sobre o líder Godegísio, rei dos vândalos silingos (Galazak -
2013) tido como da mesma linha goda de agilofs ou agilofings: pela
fonte genealógica moderna Royaume Europa
Godegísio seria de religião ariana e teria se casado com Frilla Habba,
uma alana, nascida cerca 355, tornando-se ele também rei dos alanos
(seria ela uma filha ou neta da primeira e lendária Frilla Habbra, n. 290?).
Sabemos da grande capacidade organizativa de Godegiísio. Seria ele o tribuno tervíngio
de 398 (ou “tribuno de tribos”?) (89).
Nesta “região da Marcomannia”, portanto -
região correspondente aos territórios da atual Eslováquia ocidental, leste da República
Tcheca e nordeste da Áustria, os marcomanos tiveram
no fim do IV século por vizinhos a leste, quados-suevos, até
mesmo baemi, boemi ou boios; ao
norte ainda vândalos silingos (90).
E Godegísel rei dos vândalos silingos, sabemos,
foi o grande líder na organização destas tramas políticas.
Podemos afirmar sem medo de errar que por ocasião
das invasões de 406, os reis suevos com os reis godos já
estariam integrados igualmente a outras etnias por uniões matrimoniais reais – pelo
menos com os marcomanos (Atala já aparece na lista dos reis marcomanos, antes
de Fritgil) e provavelmente pelo menos com mais dois grupos minoritários (bohemi
e quadi) que os irão acompanhar ao cruzar o Reno. E, depois de
quatro reinados consecutivos na Galícia, estes reis suevos serão mais tarde, num
período de grande crise pela primeira vez contestados por estes grupos
étnicos minoritários e provavelmente seus aparentados, os quadi e bohemi
(91).
Concentrados nesta região da Marcomania foram
realizados acordos e planos entre os líderes desses quatro povos: – suevos
do ramo ocidental com cerca de 25 ou 35 000 homens; vândalos asdingos,
80 000; dos vândalos silingos 50 000; e 30 000 a 40 000 dos alanos
– totalizando uma “grande confederação, cerca de duzentas mil pessoas”
(Thompson, 2002, p. 159, citado por Galazac) que em dezembro de 406 se põem em
marcha para ocidente.
“Os historiadores são unânimes em considerar os
Suevos como o mais fraco dos quatro grupos que participam na invasão de
406, sendo o seu número calculado entre 25 000 e 35 000 almas, com
cerca de 8000 a 10 000 combatentes no máximo (Thompson, 2002, p. 295). Se
compararmos estes modestos números com os 80 000 Asdingos, os 50 000 Silingos e
os 30 000 a 40 000 Alanos (ibid., p. 159) e tivermos em conta que por volta de
470, depois de decênios de domínio huno, ainda podemos identificar dois reis
entre os Suevos do Danúbio central, sendo um deles — Hunimundus —
suficientemente forte para desafiar os poderosos Ostrogodos da Panónia (Hummer,
1998 b, p. 17), então temos necessariamente de concluir que apenas uma parte
dos Quados-Suevos se juntou à confederação (92).
Acrescenta Galazak (2013):
Godigisel, o rei dos Vândalos Asdingos, terá sido o
cérebro por detrás da expedição de 406 (Liebeschuetz, 2003, p. 64). Diplomata
e negociador, sabemos conseguiu a adesão dos Vândalos da Silésia ao seu
projecto. Mas não foi tão feliz com os Suevos. Orgulhosos da sua independência,
divididos por velhas rivalidades, talvez receando perder parte do seu poder
para o rei dos Suevos ocidentais, tudo indica que os reis suevos teriam
recusado o convite de Godigisel. Apenas os Suevos do regnum ocidental, vizinhos
dos Vândalos e dos Alanos e os que melhor conheciam o projecto, se irão juntar
à expedição. E serão os Suevos ocidentais que irão fundar em 411, no NW da Hispânia,
na “extremidade ocidental do mar oceano” (Idácio, Chron., 49)”
A preponderância obtida pelos suevos ocidentais durante as tratativas realizadas na
Marcomannia, ainda que eles fossem pouco
numerosos teria sido aparentemente determinada pela identificação quanto
à sua origem étnica na península Escandinava, bem como a possivel identificação
com diferentes etnias com propostas agressiva já antigas. Desta maneira foi estimulado
com que os suevos recuperassem no fim do IV século, como acrescenta o estudioso
José Galazak - o etnônimo “Sweboz” -
o seu espírito de tribo, de nação aguerrida - seu património cultural mais antigo.
Os futuros
reis suevos na Gálícia que já vinham pelo século por uniões sistemáticas com
godos Agilof de dinastia amala são agora integrados por uniões
matrimoniais dinásticas com pelo menos mais três outros grupos minoritários – marcomanos
(incluindo bohemi) e quadi - que os apóiam decididos para
cruzar o Reno. A este grupo ainda acrescentados como
aliados, vândalos asdingos e silingos, ainda alanos.
5 - A Grande
invasão “bárbara” de 406 d.C.
Superados os problemas de articulação e o
espírito tribal de luta suevo
ressaltado, o numeroso grupo de invasores liderados pelo maduro líder suevo Hermérico cruzou o Reno na altura da
localidade de Mogoncíaco - atual Mainz, na Alemanha.
Uma grande Confederação Sueva formada por cerca
de duzentas mil pessoas
(200.000) se põe em marcha para o ocidente atravessando o Reno então
congelado - guerreiros, homens, mulheres e crianças.
O grupo de confederados era integrado por suevos como lideres ainda por marcomanos, quadi, boios (ou bohemi) (93), também équos, parte dos lombardos e
pequeno contingente de búrios (94) - acompanhados de outros povos como aliados: vândalos, asdingos e silingos, ainda alanos - de cerca 200.000 pessoas (José Galazak, 2013) que em 31 de dezembro de 406 atravessou
o Reno
gelado na altura da localidade de Mogoncíaco - atual Mainz, na Alemanha
(em latim: Mogontiacum, em alemão: Mainz; em francês: Mayence).
O grupo de
lombardos participante nesta invasão
era ainda composto por antigos súditos do rei marcomano Maróbulo (r. c. 9 a.C. – 18 d.C) que no início da era cristã havia
enfrentado os romanos; mas agora os lombardos eram liderados pelo guerreiro Leti,
capostipide da dinastia dos “lithings” (95).
Diversos relatos de época são suplementados pela
cronologia detalhada de Próspero da Aquitânia (96) que nos fornece a
data precisa do mês - 31 de dezembro - inverno, portanto. Além da localidade de Mogoncíaco, São
Jerônimo cita como vítimas da grande invasão bárbara também as modernas
cidades de Worms, Reims, Amiens, Arras, Thérouanne, Tournai, Espira e
Estrasburgo.
Porém, antes
da travessia, na margem oriental o grupo misto de vândalos, alanos e marcomânos
fora obrigado a enfrentar forças numerosas dos francos ripuários.
Estes vários povos e tribos estavam agora
sob o comando único do guerreiro suevo Hermérico
(n. 360? ou 372? – f. 441) - um guerreiro
maduro (97), da experimentada estirpe real sueva e, já podemos afirmar também
com forte influência agilof goda ou agilofing. Seus ascendentes suevos miscigenados com agilofs godos e ostrogodos - estes possivelmente
ainda com ascendentes romenos, sírios, marcomanos
e muito provável da estirpe bohemi.
Também hannibaliannus?
O pai de Hermérico teria sido o rei suevo
Bitheid [350-401], falecido
antes de invasão. E sua mãe Ermengarde d'Ostrogothie (355-382) com
ascendentes godos, filha de Agiulf d´Ostrogothie [320-355], sobrinha pelo lado paterno do rei suevo Wultuuf dos Godos,
um amalo (310 - 378) (possivelmente rei
suevo por casamento). Agiulfo
Ostrogodo filho de Aquiulf, rei dos godos
[e provavelmente também dos marcomanos por seu casamento com a primeira
Fritgil, com datas 290-350], por sua
vez filho de Athala, rei dos Godos (com datas 270-336). Teria o líder
suevo Hermérico ainda colaterais
Aegidius/Hannibalianus/Siagrii? (98).
O avô paterno de Hermengarde – o rei
Aquiulfo (em latim: At(h) iulfus ou Achiulfus) ou Atiulfo - segundo a Gética do escritor bizantino do século
VI Jordanes (repetido por Clarke 2013, p. 273-274) foi um rei grutungo [também rei dos marcomanos?] no século IV membro da
dinastia dos amalos, nona geração de
líderes góticos, sendo filho do rei dos godos Atal, ou Atala ou Athala. Aquiulfo ainda pai de Ansila,
Ediulfo, Vuldulfo ou Wultuuf (rei godo e sueco) e Hermenerico
[rei dos godos orientais] (99).
Seu tio-avô
Wultuuf ou Vultulfo, godo de dinastia amala, aparece em lista moderna
como rei dos suevos nascido c.310, falecido em 378 -
também filho provável do mesmo Agiulf ou Aquiulfo dos Godos
(datas n. 290,
falecido em 350), tido
com a mítica Frilla HABBRA [rainha
dos marcomanos Fridgil ? nascida no sec. III, cerca 290] [verificamos Frilla
Habbra do árabe = Farida Heba] (100).
Para completar o perfil desta família de
reis suevos na passagem do sec.III - IV, lembramos que Hermanerico - ultimo rei godo unificado oriental, teria se suicidado em 375 - incapacitado
de defender-se do ataque dos hunos
em suas terras orientais, também ele filho de Aquilulf, rei dos Godos –
irmão de Wuultruf, tio avô de Hermerico.
Podemos afirmar, portanto, que o guerreiro suevo Hermérico (n.c. 360 ou 372 – f.441) estava já amadurecido
em sua personalidade por uma herança multi-cultural muito sofisticada para a
época. Nesta histórica invasão atuou na companhia de seus jovens filhos,
Réquila (? - 448), e Rechiário (382? ou c. 390 – dez. 456), assessorado
certamente pelo líder vândalo, seu
aliado (também seu parente ?) Gunderico (n. 379 ou 385 — f. 428; ou
melhor c.370 - 457), na ocasião chefe improvisado conjunto de vândalos (r. 407– 428) e alanos (r. 419-428) (101).
Gunderico substituía inesperadamente seu
pai Godegisílio (ou Godegisel - 355 ou 359 - 406), rei aliado e unificado dos vândalos e alanos, que morrera
em batalha logo no começo desta invasão enfrentando os francos ripuários – Godegisilio havia sido o grande articulador
do movimento, possivelmente casado com uma alana, mas em listagens recentes
aparece como
irmão de Archiulf d'Ostrogothie (320-355) - o pai de Ermengarde
d'Ostrogothie (355-382) (102) (103).
A grande capacidade organizativa de Godegisilio
para a sutil articulação de vândalo asdingos e selingos, também alanos é
reconhecida historicamente, e já foi comentada acima no texto. Fonte
genealógica moderna Royaume Europe informa
que Godegisilio seria de religião ariana, um rei vândalo da tribo dos asdingos,
ele filho de um hérulo e de uma vândala (104). Teria tido um filho
anterior com uma concubina, Genseric der Asdingen (dos Asdingos), nascido
em 395 “sur les rives du lac Balaton”
[na Hungria atual] falecido mais tarde em Cartago.
Godegisilio teria se casado com Frilla Habba dos alanos, cujo ano de nascimento seria 355 (filha ou neta da
primeira e lendária Frilla Habba?). Quanto a ter Godegisilio origem hérula lembramos que Odoacro, neto
de Hermérico seria também um líder hérulo,
pela mesma fonte Royaume Europe,
filho de Edecon dos Skyres, outro filho de Hermérico, casado com uma hérula. Ver na lista da fonte
genealógica moderna Royaume Europe, abaixo:
§
§
§
§
§
§
Para completar esta genealogia transcrevemos
a fonte francesa da genealogia de Godegisel, ainda que insegura, com nossos comentários
e acrescentamentos:
“Généalogie du: Royaume des Vandales de la
tribu des Hasdings – Christianisme arien
–
Union des tribus Vandales, des Hasdings et des Sillings et du Royaume des
Alains
• Godégisel der Vandalen, (Godégisèle des Vandales, Godogeisal
Vandalōrum) il est né entre 355 et 359
et décédé entre 406 et 414 [lembramos
morto em combate em 406], fils de Radagast
der Heruler et de Celia der
Vandalen.”
Uma
de suas filhas teria sido casada mais tarde com Arcádio (ou seu irmão, imperador
Honório?), quando já imperador romano, ambos os filhos de Teodosio e Aélia Flavia Facilla - que constamos
tia do general AEgidius (105).
Pelo casamento de Godegísio com princesa
ou guerreira Fritgil cristianizada, uma alana, a tribo dos alanos tornava-se agora também uma aliada preciosa dos suevos, composta por experientes e
práticos cavaleiros de origem nômade iraniana,
estabelecidos entre os povos sármatas
- no passado eles haviam sido “pastores nômades prontos para a guerra de
diversas origens” que falavam língua iraniana e compartilhavam cultura comum -
nesta oportunidade comandados por seus líderes, Respendial e Goar (106).
Lembramos
que o vândalo asdingo Gunderico
de modo improvisado e em plena invasão fora obrigado a suceder seu pai, Godegisílio, o cérebro
articulador da invasão, mas infelizmente falecido logo nos primeiros
enfretamentos, na batalha no último dia do ano de 406 para 407 na fronteira
renana combatendo os francos ripuários,
já então federados do Império Romano.
Nesta batalha 20.000 outros vândalos teriam também sido mortos, e os
confederados poderiam ter sido derrotados não fosse a chegada oportuna do líder
alano, Respendial, com sua potente cavalaria.
Este fato desequilibrou o conflito e mudou o resultado da batalha - os alanos notórios criadores de cavalos.
Repetimos e ressaltamos - Godigisel, o rei dos vândalos da tribo asdingo teria
sido o negociador e o grande articulador dos planos desta invasão de 406 - “o cérebro por detrás da invasão”, casado
provavelmente com uma princesa alana
- mas que falecera logo no começo em batalha neste ano de 406 (Liebeschuetz, 2003, p. 64). A paternidade de Godegisio
ainda duvidosa para nós, com fontes contraditórias. Na lista Royaume Europe - les Rois Vandales seria filho
de Radagast der Heruler, dos hérulos,
e de Celia der Vandalen, dos vândalos.
A lista MyHeritage Family Trees, Sosa: 185, 448, 677, 057, 237 o indica, porem, como um filho de
Frida HAbba
(marcomana Fritgil?) nascida
em 290 casada com Agiulf dos Godos, nascido em 290, falecido
em 350.
Relativamente
às dúvidas quanto as datas dessas notáveis invasões “bárbaras” - 31 de dezembro de 405 ou 406 - optamos
pela data de 31 de dezembro de 406
para 407, pois esta é o ano referido
pela descendência de Godegísio para
a sua morte em batalha.
Lembramos
que por fontes históricas também o lendário chefe Gunther da antiga dinastia “niberlung”
no início do século V, mas sem data exata referida havia liderado os borgundios através do Reno, e estabelecera
seu reino em Womrs, à margem deste rio Reno. A história do lendário Gunther até hoje
famosa é apresentada simbolicamente na chamada saga dos burgúndios, a “Canção dos Nibelung”. Seu filho, o também poderoso
rei Gondioc (r.430-473) mais tarde casado com Caretene dos Suevos em
segundo matrimonio dela - neta de Hermérico,
filha do rei suevo Requiário dos Suevos, nascida na Galícia (107).
No fim de dezembro de 406 a grande Confederação Sueva, com cerca
de duzentas mil pessoas (200.000) atravessara o Reno congelado em marcha para o ocidente – guerreiros, homens, mulheres e naturalmente
também crianças.
Em
um primeiro momento e embate derrotaram os francos ripuários com grandes perdas, mas em seguida o numeroso grupo cruzou o Reno congelado na altura
da localidade de Mogoncíaco - atual Mainz, na Alemanha.
Os suevos
com o auxílio de povos aparentados e outros povos apenas aliados por ele liderados,
o apoio e a colaboração do rei vândalo
aliado, possivelmente parente, Gunderico, ainda a colaboração
da cavalaria pesada dos clãs alanos, de
inicio enfrentaram uma força de 3.000
francos, conseguindo forçar a passagem para Gália – assim sendo prosseguiram
saqueando, entre outras as cidades de Mogoncíaco (Mogúncia ou Mainz) e
Samarobriva (atual Amiens). Pela pressão ainda exercida pelos francos e pelas tropas bretã-romanas de Constantino III
os invasores foram sendo cada vez mais empurrados para o sul.
6- O estabelecimento do Reino Suevo na
Galícia.
Os suevos
com o auxílio de povos seus aparentados e outros povos aliados por pressão exercida
pelos hunos haviam atravessado o
Reno e o Danúbio durante as “invasões bárbaras”, dezembro de 406 para 407, continuaram
migrando para o sul perseguidos e em fuga em direção à Península Hispânica
sob a liderança do guerreiro suevo Hermérico – cujo nome significava “Poderoso
Guerreiro”.
Vários povos com
passado e culturas diversas haviam se submetido à liderança dos suevos ocidentais - marcomanos, quados, fracção de búrios (108), lombardos, bohemi ou boios (109). Outros os haviam acompanhando simplesmente
como aliados – os vândalos
asdingos e silingos, ainda alanos – empreendendo
marcha batida.
Sobre
a “stirpe real” específica dos bóios ou
bohemi que sob a liderança de Hermérico teria chegado à Galícia - tese defendida
recentemente pelo articulista José Gazalac (2013). Temos notícias que no passado antigo esses boios então na península italiana teriam
sido apoiadores do general cartaginês Hanibal. Este fato, a nosso ver, poderia explicar
o porquê dos aegidius iniciais do
sec. III, ascendentes do general
Aegidius, terem utilizado ainda o acrônimo “Hannibalianus”. O general Hanibal sem ocupar Roma
havia permanecido
cerca de dez anos na península italiana e teria podido aí ter deixado uma
estirpe descendente (110).
Sugerimos que os agilofings tivessem influência colateral desta “stirp” bóio ou bohemi, pois observamos no centro europeu a permanência de parte destes bohemi no óbido de Bratislava,
mais tarde transferidos já como duques bávaros para a cidade
de Rotemburgo, centro dos agilofings
europeus. É possivel que o rei suevo
Hermérico, pelos marcomanos, tenha
tido até mesmo um filho e um neto bávaro
– Hunimond e Adiger [c.410], dos Bávaros que aparecem em lista modderna
(111).
Adiantamos que os
agilofings, mais tarde no século VII
estiveram igualmente unidos por matrimônio à dinastia franco-borgonhesa dos wido.
E do castelo de S. Aegidius (S.Gilles) em Bornheim saíram os da dinastia
wido para a península italiana no
sec. VIII, acompanhando o rei franco carolíngio, Carlos Magno (112).
Antes de cruzar o Reno estas forças confederadas
compostas por povos de um passado tão antigo, com origens e experiências tão
variadas, ligados por suas dinastias reais, haviam sido de início barradas por
numerosas forças de francos ripuários e
perseguidas por tropas bretãs e romanas
de Constantino III, decisivamente pressionadas para o sul. Em razias conseguiram no ano de 409 cruzar os Perineus em direção à
Hispânia, onde por fim se estabelecem.
É
possível que neste mesmo ano de 409
Hermérico tenha sido entronizado como rei suevo,
falecido seu primo Vinitharius [d'OSTROGOTHIE
353-409], neto de seu tio-avô Wuultuf, citado entre os reis amalos por Jordanes tendo em vista que sistematicamente as datas referidas
para o reinado de Hermérico têm inici no ano de 409 - mesma data, reparamos, da morte deste primo (113).
Não
sabemos se a confederação sueva teria premeditado - pela esperiência anterior dos
francos sua rota, seu segundo caminho
e destino para a Hispânia.
Recém
chegados os suevos à península Ibérica, notamos logo em seguida à invasão de
Roma pelo godo Alarico I (410). Assim, Roma tentará remediar a situação
delicada desses povos migrantes por um tratado celebrado em 411 pelo qual os suevos e seus aliados obtiveram o estatuto de federados, tratado acompanhado de um juramento
de fidelidade avalizado pelo rei Hermérico frente ao próprio Imperador Honório,
parente do General Aegidius (Aegidius
Afranius
Syagrious ou Aegideus Afranius Syagrious des Reiches von Soissons (do Reino de
Sissons), nascido cerca 390 ou 393 - falecido 464 ou 465)
E Bracara Augusta, actualmente Braga,
tornou-se a capital do Reino dos Suevos.
O
tratado estabelecerá os suevos na região do Lugo e em Braga;
Outros os haviam
acompanhando simplesmente como aliados os vândalos
asdingos na Galécia Asturicense; os alanos na Lusitânia e na Cartagena; e os vândalos silingos na Andaluzia (ver mapa abaixo).
A situação
assim estabelecida durará apenas certo tempo, devido à intervenção dos reis visigodos locais, que na qualidade também de federados de Roma agora controlam a península Hispânica (114).
Localização dos
povos imigrantes na península Ibérica, c.411
Fonte bem
fundamentada afirma que pouco depois – no ano de 417 - os alanos
companheiros de descida para a Galícia (mas de índole ainda nômade?) comandados
por Gunderico (primo do rei Hermérico?) invadiram
os territórios dos suevos, empurrando-os até a margem direita do rio Douro -
onde hoje se situa a cidade do Porto (antiga Potus Cale). Os alanos não teriam conseguido conquistar
a região, sendo posteriormente expulsos por Hermérico e seus suevos com o apoio dos romanos.
Os suevos
nesta ocasião já haviam se estabilizado na região - região que se tornara verdadeiro
estado em expansão - seus reis os fundadores de um novo Reino Suevo na antiga província romana da Galécia
- atual Galiza – ao norte
de Portugal.
A expansão
do Reino Suevo que se inicia logo é temida
também pelos romanos, e com a morte de Teodorico, o Grande, ostrogodo de linha
amala, será violentamente contida pelo seu filho, rei Teodorico II, vizigodo. O Professor Ricardo da Costa
em artigo recente dirá que Teorico II exerceu na ocasião uma política de extermínio
contra os suevos.
Tendo como centro Toulouse os vizigodos já
eram federados dos romanos. E assim os suevos
foram contidos violentamente pelos vizigodos na batalha de Óbidos em 456 - ano mesmo da morte e execução do
sucessor de Hermérico, seu filho o rei Requiário
- a cidade de Braga destruída violentamente.
Após a violenta destruição de Braga,
sobe ao trono o neto do rei Hermérico, de nome característico dos
Agilofs - Agiulf (Agilulfo ou Agiulfo),
que temos, portanto, já da dinastia agilofing, confirmando como havíamos
suposto a continuidade desta dinastia. Reconhecido como rei suevo, Agiulf foi
logo executado e decapitado pelos vizigodos em 457. Os vizigodos,
por motivos internos, entretanto, não mais voltando ao ataque na ocasião (115).
Acrescentamos
que em especial a participação dos aliados vândalos
e alanos e sua permanência na
Península Hispânica e em seus posteriores episódios migratórios, são hoje já muito
bem estudados - estudos que sugerimos para aprofundamento do assunto. Pois a longa
migração dos alanos e vândalos ainda se prolongará no sec.
IV e V pelo
norte da África até Cartago. .
Mapa das migrações dos povos alanos entre o
sec. IV e V que nos dá idéia dos seus deslocamentos. Note-se que alanos e
vândalos seguem pelo norte da Africa até Cartago.
Os alanos
com origem
nômade iraniana haviam permanecido algum tempo na Lusitânia, e tiveram como sede
a antiga cidade de Pax Julia,
atual Beja. Entretanto, chefiados
por Átax em 418, destroçado pelo rei dos vizigodos Vália,
foram posteriormente obrigados pelos romanos a migrar para a Africa (116).
Hermérico havia atuado com energia
na Galícia quando cerca do ano de 417
os alanos, seus antigos companheiros
de descida, haviam invadido seu território empurrando-os até a margem
direita do rio Douro - onde hoje se situa a cidade do Porto (antiga Potus Cale). Os alanos
não tendo conseguido conquistar a localidade, foram posteriormente expulsos
por ele, com o apoio dos romanos. No
ano de 429 d.C. os alanos finalmente deixam a Península
Hispânica, em nova migração para o norte da África (117).
Temos notícias que teriam sido
tentados ainda contatos (sem fontes) pelo general Aegidius com o líder vândalo à época, Gunderico,
para evitar possivelmente a dissidência e esta saída de alanos e vândalos da Hispânia (118). O
“subregus” dos quados, Heremigarius,
ainda teria tentado até mesmo obstar militarmente esta saída, mas foi vencido e
seus soldados levados pelos alanos para
a Africa como escravos (Galazak, 2013).
Estudos
recentes enfocam a dominação sueva sobre
a atual Galícia, em especial se debruçam sobre a cidade romana de Conímbriga
– há pouco descoberta pelos arqueólogos em Portugal. Pois os suevos em meados do século V, após um período
obscuro de guerra civil teriam chegado a vingar-se saqueado e destruído a
cidade entre 465 e 468 d.C. - seus habitantes obrigados a
fugir por túneis para a cidade romana vizinha de Aeminium (119).
Na Galícia, a dinastia de reis suevos ainda fora tida como
“bárbara” por romanos e mesmo lideranças religiosas, mas sua herança agilofing havia não só propiciado a
cristianização e o desenvolvimento da Igreja Católica na Galícia, mas também acabado
por mesclar-se à população local por um período de quase dois séculos. Estimativas
do número dos suevos variando de cerca de 25.000 e 35.000, com cerca de 8.000
guerreiros - vindo a ser uma das bases étnicas formadora do Reino de Portugal
(120).
O linguísta português Armando de Almeida Fernandes
sustenta que o topônimo romano-céltico “Portucale” (Porto) passou até mesmo a
designar o Condado de Portugal (corônio) - o Porto no final do reino suevo
teria sido o centro administrativo, sede de diocese – a capital e a residência
real (121).
A extinção do Reino Suevo em 585 d.C não teria acabado de fato com o
espírito do “Reino Suevo” - reino formado com a colaboração intensa e a longa experiência
em especial desta dinastia agilof
goda, (agilofings) ainda a colaboração de quadi e de bohemi (ou boios).
O Reino Suevo por fim teria sido apenas anexado, mantida
pelos vizigodos uma dualidade governativa, sua população mesclando-se por fim à
população local que formou o povo português (122).
7 – Os Reis Suevos (descendentes
de godos da dinastia agilofing) - sua atuação específica na Península Hispânica
e Galécia.
O suevo Hermérico, o primeiro rei da Galiza
Resta-nos
tentar finalmente detalhar as atuações específicas dos reis suevos, descendentes também godos da
dinastia agilofing em tenaz luta
para formar e manter um reino próprio r permanecer na península Hibérica, em
especial na Galiza. Detalhamento histórico que, apesar das tantas fontes já
disponíveis é ainda confuso - portanto, temerário.
Dificuldade acrescida pela recente percepção
de facções étnicas específicas atuando no período, pretendentes eventualmente ao
poder real dos suevos ocidentais - em
especial quadi e bohemi (ou boios) (123).
Apesar das informações por fontes de época
as mais importantes - a
exemplo da crônica escrita pelo bispo Idácio de Chaves entre 379 e 468 Continuatio
chronicorum Hieronymianorum, religioso
que teria acumulado funções, “comportando-se como chefe político e local do
território sob sua jurisdição” – lembramos que essas crônicas de época a maioria das vezes são facciosas, contraditórias, cheias
de lacunas, ao interesse político do escritor.
Comentário bibliográfico oportuno é
apresentado em verbete “o reino suevo” na Wikipédia:
“O final da Crônica de Idácio, em 469, marca o início de um período obscuro e
sem fontes na história dos Suevos, que só voltaria a ver luz em meados do
século VI, data em que existem novamente bastantes fontes. Entre estas, as mais
notáveis são as obras do panoniano São Martinho de Dume e do franco Gregório
de Tours. Nos "Milagres de São Martinho", Gregório narra e
atribui a conversão de Carriarico ao catolicismo a um milagre de São Martinho
de Tours, enquanto na "História dos Francos" dedica vários capítulos
às relações entre Suevos, Visigodos e Francos e ao fim da independência dos
Suevos, anexados pelos Visigodos em 585”.
Tendo em vista apresentar uma análise
bibliográfica mais aprofundada, comentamos ainda em nota os autores clássicos e
os mais recentes trabalhos editados sobre o reino suevo - bibliografia por nós
citada ou apenas identificada (124).
Esperamos apresentar o assunto da melhor maneira
possível - sugeito, adiantamos, a correções e acrescentamentos muito bem
vindos.
Mesmo assim, no desenrolar deste próximo segmento
veremos surgir um esboço factual muito nítido da própria história do Reino Suevo - que, entretanto, não pode
ser desligada naturalmente de seu longo processo de migração do centro europeu,
exposto no corpo do trabalho
Os Reis Suevos na Galícia
Começamos
a lista de reis suevos estabelecidos
na Galícia por
1 - Hermericus
ou Ermanrich, mais provável nascido c. 372
– falecido 441, ressaltando que sua liderança real
lhe chegavara por seu pai, o rei suevo Berthied
e pela linha amala de Wuultrul, rei suevo anterior, tio de
sua mãe Ermengarde d’Ostrogothie
(355-382). Por nossas pesquisas esta era filha de Agiulfo dos Ostrogodos, pelo
qual o prenome caracterisitico da
dinastia agilofing se mantem e
penetrando nesta linhagem de reis suevos
(125). O nome “Herméricus”
formado por dois fonemas góticos: * aírmas, aírmins (‘grande,
grosso, largo’) e *rikaz (‘poderoso’), resultando que Hermericus
viria a significar algo como “O Grande
Poderoso”, “Poderoso de Armas” ou ainda “Poderoso Guerreiro” (126).
Sua mãe Ermengarde, repetimos, era muito
provavelmente já cristã e católica, pois sua avó, Julia, seria uma princesa do
Bósforo criaitanizada por pressão do Imperador Constantino.
Esta, portanto, a principal vertente
religiosa pela qual se dá a cristianização de seus descendentes, pois Emengarde
foi avó dos futuros reis Réquila e Requiário, este também já cristianizado
e católico – e também ela bisavó da católica Caratene da Suévia (435-506), esta
bisavó política muito influente
sobre a religiosa rainha Clotilde (474 - 545), que mesmo conseguirá a converção do seu
marido o rei franco Clovis, depois
tornada Santa. O bispo Hidácio na Galícia,
entretanto, comenta que o neto de Emengarde, o rei Réquila, filho de Hermérico,
ainda não era católico e sim pagão (127).
O rei Hermérico, lembramos, obtivera para
os povos migrados para a Galícia em 411 o estatuto de federado junto aos romanos, após ter feito
um juramento de fidelidade ao imperador romano do Ocidente, Honório – este filho do Imperador romano
Teodósio e da Imperatriz Aelia
Flavia Flaccilla Augusta, lembramos tia do general AEgidius Siagrii. E Bracara Augusta, atualmente Braga, tornara-se
a capital do Reino Suevo.
Hermérico
atuou com energia na Galícia, quando cerca do ano de 417 seus antigos companheiros de descida, os alanos. haviam invadido seu território, empurrando-os até a
margem direita do rio Douro - onde hoje se situa a cidade do Porto (antiga Potus Cale). Os alanos não haviam conseguido, conquistar
a localidade, posteriormente expulsos por Hermérico com o apoio dos romanos.
Fonte
histórica relata a atuação de Hermérico nesta oportunidade - ele já
muito experiente pela invasão, longa descida e estabelecimento na Galícia:
“Hermerico, o rei suevo,
estendeu os muros do castelo, que fundara no morro da Pena Ventosa (onde atualmente se ergue a Sé), edificando à
sua volta casas para as tropas. A este burgo foi dado o nome de Cale Castrum Novum (castelo novo de Cale)
adquirindo a denominação de civitas. Ao fundo desse morro existia o Portus Cale
(porto de Cale, actual Ribeira) que deu origem ao nome Portucale, nome dado ao castelo novo e que ficaria a designar a
cidade a partir dos finais do século IV. O
castelo antigo ficava do outro lado do rio Douro, no local de Vila Nova de
Gaia, posto de defesa avançado de Cale”.
Temos informações históricas bem balizadas de que o
rei Hermérico, filho
de um rei suevo e de uma ostrogoda, neto certamente de um agilofing ostrogodo, desde a invasão
bárbara de 406 comandando os suevos, em
438, depois de ratificar uma paz com
os habitantes locais, já doente abdicou em favor de seu filho Réquila I (128). Hermérico
(372 ? - 441) conduzira a migração desde a transposição do Reno
gelado em dezembro 406, em 409 ultrapassara os Pirineus, reinado até 438. Teria
morrido em 441. Seu
filho e sucessor
2 - Réquila
I (c. 390 – f. 448)
teria se conservado formalmente pagão
e reinou de
438 ou 441 a 448. Temos noticias que teria mantido como refém, por algum
período, o conhecido general romano Flávio
Aécio
(396
- 454)
que atuou na famosa batalha de Campos catalunicos contra Atila em 451 (129). Requila apezar de se manter formalmente pagão teria apoiado a
heresia priscilianista com
seus ideais de austeridade e pobreza.
Requíla
teria sido, entretanto, agressivo contra os galaicos autóctones e contra a Igreja Católica. Assim sendo,
enfrentou problemas religiosos talvez dentro de sua própria família e mesmo com
os bispos, ao favorecer os clérigos priscilianistas.
O priscilianismo
pregado por Prisciliano no século IV, doutrina cristã com ideais de austeridade
e pobreza desenvolvera-se na Península Ibérica e teria derivado de doutrinas
gnóstico-maniqueístas, sendo considerada, porém, uma heresia pela Igreja, condenada
como heresia no Primeiro Concílio de Braga em 563.
Requila teria firmado um novo
tratado de federação com Roma, e ainda estabelecido alianças com os insurrectos
das “bagaudas” (bandos de desordeiros) no norte da Península Hibérica. Durante
o seu curto reinado os suevos chegaram
a dominar quase toda a actual Andaluzia.
Requila
comandou campanhas nas quais invadiu a Lusitânia e a Bética, e em
439 conquistou a cidade de Emérita
Augusta. Já como rei teria tomado Híspalis em 441. Durante o seu
reinado os suevos chegaram a dominar
quase toda a actual Andaluzia. Também fez incursões na região da Terraconense (130).
Como conseqüência,
Réquila quando morreu em 448 deixava para seu irmão, Requiário, um estado já formado e em expansão.
3 - Requiário da Suávia [n.c.390
– f. 456] o temos também como filho do rei Hermérico,
sua filiação indicada em listagens modernas. Mas quanto a sua data de
nascimento preferimos referir as datas que balizam seu avô, pai, avó e esposa –
nacimento c. 390, falecimento 456.
Requiário
reinou entre 448 e 456 e recebeu do
seu irmão um estado com tendência à expanção. Casara-se c. 435 com Flavia dos Visigodos, nascida em 395 [casamento cristão em 449?]. Flavia é tida por algumas
fontes como filha do rei Teodorico I,
rei vizigodo ariano que reinara em Toulouse, pai do também vizigodo
Teodorico II - Requiário e Flavia foram pais da notável personalidade feminina, já
tida como de dinastia agilofing, Caratene da Suévia (n. 435 - f. 506).
Caretene era uma descendente agilofing
já cristã, nascida na Hispania, teve um primeiro casamento e vários filhos com o
rei lombardo Gedeon da linha dinástica lithing, e em segundo casamento com o rei búlgaro Gondioc,
mais duas filhas.
Sendo católico, Requiário teria obrigado os suevos à religião católica. Porém, a população
galo-romana da região já então estaria bem crisitanizada na ocasião. Braga
capital do reino suevo, tornada também sua sede episcopal.
Em 449
Requiário teria até mesmo defendido a idéia pioneira de um governo do reino apoiado
na Igreja Católica.
Além do mais, Requiário teria cunhado a
primeira moeda própria, demonstrando o caráter galaico do reino – reino
cristão, com a efígie do antigo patrono do seu pai, o imperador Honório - a quem
seu pai teria jurado fidelidade - Imperador ligado à família do general Aegidius, por parte materna um aegidius/ siagrii/ hanialiannus (131).
Entretanto, por suas tentativas de expansão na Terraconence romana e sua
posterior quebra de um tratado ao auxiliar os vascões, Requiário foi contido e derrotado pelo rei ariano e visigótico, Teodorico II
(seu provável cunhado) no campo de batalha – batalha de Óbidos travada em 456 (132). Teodorico II, vizigodo ariano, como os romanos temeu a expansão do reino suevo de Requiário. E assim, na
visão do historiador Ricardo da Costa:
“Teodorico II, rei visigodo, atravessa os
Pireneus e dirige-se a Galécia, derrotando os suevos junto ao rio Orbigo, perto
de Astorga; marcha até Braga, que é inteiramente saqueada, sem poupar cidadãos
romanos, clérigos e igrejas. Depois, segue até o Porto, vencendo Requiário
novamente e o condenando à morte”.
Por José Galazac:
“Os exércitos de Teodorico e de
Requiário defrontam-se no dia 05 de Outubro de 456, em Campus Paramus, perto de
Astorga, onde os suevos sofreram
uma pesada derrota. Requiário é ferido e os suevos retiram-se para Braga, a sua capital, que acaba por ser
conquistada pelos [vizi] Godos. Refugiado em Portucale, Requiário acaba
por ser capturado nesta fortaleza e é levado à presença de Teodorico, que a manda executar em dezembro de 456”
(133).
Teodorico II depois desta batalha saqueara Braga violentamente,
realizando grandes atrocidades - atrocidades até mesmo reconhecidas pelo bispo Hidácio,
que sabemos não tinha simpatia pelos “bárbaros” suevos e mesmo já teria pedido anteriormente
auxilio na Gália ao general Aécio para que fossem derrotados (134).
Neste momento da invasão visigoda:
.... “Hidácio parece se voltar contra
os visigodos, ressaltando que tais
depredações à cidade foram desnecessárias, porque atentavam contra as
basílicas, além de terem feito prisioneiros romanos. Um cenário de caos é
descrito pelo cronista para retratar a derrocada definitiva dos suevos regidos por Requiário. Dentre as
palavras utilizadas por ele para este momento, podemos citar: triste,
deplorável, destruídas, quebrados, raptadas, despidos e horror (135).
Requiário,
capturado no forte de Portucale, repetimos, fora executado em dezembro de 456 (136) (137).
Após esta devastação do Reino Suevo e a execução de Requiário pelos vizigodos, sobe
ao poder em período socialmente já muito traumático e com visíveis questionamentos
dinásticos, seu sucessor do mesmo sangue, de nome caracteristicamente agilofing,
seu parente (sobrinho) –
4 - Agiulfo (r. 456 e 457) - ocasião de uma
eleição em que pela primeira vez outros pretendentes ao trono suevo também se propõem.
Agiulfo reinou, porém, muito
pouco tempo. Agiulfo ocupou o poder entre 456 e 457. Uma parte dos suevos após a morte de Agiulfo teria
seguido a facção de Frantano (um boemi?),
como nos sugere o artigo recente de José Gazalak (2013).
Tido como neto de Hermérico, seu próprio
nome a nosso ver demonstra e comprova a sucessão continuada da dinastia agilof – nome característico da
dinastia, o mesmo de seu possível triavô, Agiulfo
Ostrogodo - pai de Emengard, sua bisavó.
Agiulfo
é comentado na Wikipédia (verbete “Reino da Galiza”) como um hérulo, e neste
caso, sugerimos, filho de outro filho de Hermérico, Edecon des Skyres
[406-469] casado com uma hérula - Flora
des Herules [410]. Ver esta possibilidade bem provável na lista de descendentes
de Hermérico transcrita na nota 84.
Muito jovem Agiulfo teria acompanhado seu
avô Hermérico em migração para a Galícia. Mas após a derrota de Óbidos,
certamente para composição política
e como parente teria recebido do rei
visigótico Teodorico II um cargo
de “mordomo” - espécie de primeiro ministro para auxiliá-lo a administrar
também o reino suevo - lembramos que Requiário fora casado com uma
vizigoda, irmã de Teodorico II. Entretanto, instado pelos próprios suevos Agiufo preferiu desertar, fazendo-se
reconhecer ele próprio como rei dos seus, rei de um reino novamente independente.
Como comprovação e contextualização
histórica desta nossa afirmação, lembramos que Teodorico II (453 -
466) teria não só tentado barrar os suevos
na península HIbérica, mas os teria vencido na batalha de Òrbigo em 456, próximo de Astorga (na zona
central da Espanha), mandado executar Requiário e logo no ano seguinte mandado
executar também o rei Agiulf, o neto
de Hermérico (138) (139).
Agiulfo logo em sua primeira batalha fora detido
pelos vizigodos, e como seu antecessor Requiário, executado - decapitado pelos
próprios visigodos de Teodorico II em junho 457, um ano depois da derrota sueva na batalha de Obidos
(140).
A
interpretação do recente articulista Galazac sobre este episódio naturalmente
não leva em conta os antepassados agilofings
de Agiulfo, e nem mesmo os historiadores da época parecem entender muito
bem os fatos ocorridos – episódio que fica mal compreendido para esses autores (141).
Muito provável que após a derrota em Óbidos,
a destruição da capital e as execuções de Requiário e de Agiulf –
momento difícil para ser realizada uma nova sucessão real, combates ainda ocorrendo quando
Agiulfo foi detido, dissensões tenham surgido entre as várias facções étnicas e
suas elites colocadas em desacordo – assim a próxima eleição real não teria tido
uma unanimidade.
“Com a morte de Agiulfo dos Suevos divide-se o reino em duas facções, sendo
nomeados dois reis:
5 - Frantane
e Maldras”.
O articulista
Galazac (2013) apresenta sua explicação:
“Com a morte de Agiulfo dos Suevos divide-se o reino em duas facções [partes],
sendo nomeados dois reis, Maldras e
Frantane. Identificando estes dois homens, o estudioso Torres (1977, p.
157) diz que “deben de haber sido magnates, o nobles allegados a la corte del
rey”. Sabemos agora que não era assim. Maldras já era rei dos quados, e quando da segunda eleição que
o torna também rei de uma parte dos baemi.
Frantane parece encabeçar os baemi que não reconhecem o rei dos quados como seu rei. O facto de ser
reconhecido como rei leva-nos a admitir que fosse membro da “stirps” regia dos baemi”.
(Obs.: – Bahemi, “Boihaemum” ou “casa
dos Boios”, povo que também migrou para
esta região no início do século V a.C., sob liderança de Hermérico. Ver
explicação nota abaixo e na “Conclusão” (142).
De 456
a 460 Maldras exerce o poder no Reino Suevo, mas sua eleição não teria sido reconhecida por todos os suevos e provavelmente tenha sido eleito
pela facção da etnia dos quados,
contestada por pela facção de Frantane
(dos bohemi) - segundo estudos muito
recentes, comenta Galazak (143):
“Massila [pai de Madras e da etnia e facção
dos quados] teria sido sucessivamente
“subregulus” [sub-rei] de Hermérico, de Réquila e de Requiário. Com este
último, Massila estaria seguramente no auge do seu poder dentro do Regnum
Suevorum, e assim se compreende a forma como [o bispo] Idácio identifica
Maldras: é um dos filhos de Massila. Com isso estava tudo dito”...
Entretanto, quatro anos depois Maldras
também é vitima de uma conspiração romana-vizigótica. “Maldras é assassinado em finais de
Fevereiro de 460, depois de um curto
e pouco edificante reinado” (144).
Frumário da facção dos quados é o sucessor de Maldras, exercendo
o poder de 460 – 464 (ou
459-463?). Galazak comenta: “Virão a conquistar Lugo
(Lucus Augusti) em 460, matando o reitor e “bastantes romanos”. O historiador Ricardo
da Costa comenta: “Frumário prende Idácio, bispo de Chaves, galaico-romano,
durante alguns meses por liderar tentativa oculta de negociação entre os
galaico-romanos e Requimundo (145).
Muralha
romana em Lugo
Recentemente, a estudiosa Fiorot relata com mais detalhes a captura do bispo Hidácio - bispo que, como comentamos, nunca fora apoiador dos suevos, muito pelo contrário:
“E
de imediato Frumário, com a tropa de suevos que tinha consigo, foi impulsionado por estes mesmos
delatores a deter o bispo Hidácio sete dias antes das calendas de agosto na Igreja
de Chaves [no convento de Chaves a alguns quilômetros de Lugo], e
assolou este convento com uma enorme matança. Como abordamos anteriormente,
Hidácio foi figura extremamente influente e atuante na Galiza. De ascendência
nobre e inserido no episcopado, o religioso acumulou diversas funções ao longo
de sua vida, comportando-se, ainda, como chefe político e local do território
sob sua jurisdição. Relembramos, também, que, apesar do sequestro ter ocorrido
em Chaves, não podemos afirmar que esta era a sede episcopal de Hidácio, uma
vez que ele não especifica tal informação em nenhum momento (146).
Assim sendo, após a batalha de Óbidos em
456, a morte violenta por execução de seus dois reis suevos Requiário (456) e
Agilulf (457) - reis de antiga ascendência agilofing, já em parte cristianizados e apoiadores do catolicismo o
Reino Suevo pode ter ficado abalado, política e moralmente, frente
aos romanos e vizigodos - traumatizado e vulnerável, por algum tempo ocorrendo
conflitos entre facções que participavam da escolha no interior do governo de
Agiulfo – agora dividido agora entre Frumário,
da facção dos quado entre 460 – 464, e
Requimundo entre 459 e 563, da
facção dos boios (de Frantano?).
6- Requimundo
teria sido apenas rei na região norte do Reino dos Suevos. Governou
durante a guerra civil que resultou na divisão do reino suevo após a morte de Maldras
(Tompson 1982). Entretanto a própria morte de Madras em 463 abriu caminho à
reunificação do reino sob o governo de Remismundo.
7 - Remismundo (r. 464
– 469) Remismundo é tido como filho de Requiário e uma irmã de
Teodorico II (Garcia 2006 e Gazalak 2013), Flavia dos Visigodos,
filha de Teodorico I que sabemos foi casada com Requiário. Seria Remismundo
irmão da famosa Caretena dos Suevos, filha deste casal? As datas próximas
e coincidentes. Ele havia sido destronado por Frumário (dos quados) e assim teria lutado não só contra Frumário, também contra Requimundo até 463 – mas depois
de suas embaixadas à Galia (em busca de apoio dos parentes agilofing do centro europeu?) acabou por recuperar sua coroa.
Remismundo reunificou o reino. Entretanto, fora
obrigado a adotar o arianismo vizigodo em 465, tendo se casado com uma visigoda. No seu período, com a omissão do
Império romano na Galia, o general Aegidius e seu filho Siagrius chegaram a dominar na região de Soisson na Gália e governarem
(como dux ou rex) o chamado Reino de Soissons de 461– 464, que por fim foi destruído em 468 pelos reis franceses, filhos de Clovis.
Em 467, depois
do assassinato do vizigodo Teodorico II pelo próprio irmão, Eurico, Remismundo
sentindo-se talvez sem mais compromissos familiares e religiosos arianos, sem mais o controle de vizigodos e romanos, a nosso ver parece
pretendeu vingar-se dos romanos - ataca e saqueia a cidade romana de
Conímbriga. Ocupa Lisboa em 468,
dominando Coímbra e Egitania (147).
No reinado de Remismundo a cidade romana de Conímbria foi saqueada e
destruída, seus habitantes obrigados a fugir por túneos para a cidade
romana vizinha Aeminium.
Depois
de um período de quase um século obscuro na historiografia - sem mais as crônicas tendenciosos do bispo
Hidácio – período confuso talvez causado por esses conflitos dinásticos, religiosos,
sociais e políticos, algumas fontes menos seguras informam ainda vários outros
reis que teriam ocupado o poder suevo -
entre eles
- Viramundo, nomes como Hermenerico, Hermérico
II, Riciliano e Requiário II. Sugerimos, pelos últimos nomes dinásticos
indicados continuação e predominância da anterior dinastia dos reis suevos, descendentes de godos/ agilofings.
São citados
ainda mais adiante como reis suevos:
- Carriarico
entre 550 e 559 – rei ariano, mas que
teria se convertido publicamente ao
catolicismo em 550 por Martinho de Dume, natural da Panônia (Hungria).
Carriarico teria trazido São Martinho ao reino suevo e lhe proporcionado facilidades para edificar um mosteiro em
Dume, próximo de Braga, assim iniciar sua vida missionária entre os
gentílicos (148).
Entre 559 - 561 ou 566 é
citado também como rei seu sucessor:
- Ariamiro,
filho de Carriarico. Ariamiro é mencionado pelos bispos presentes
ao I Concílio de Braga como o rei que os convocou e mencionam o
primeiro sínodo Niceno a ser realizado na Galiza depois de um longo tempo.
Ariamiro
é tido como o rei que provocou a
conversão do seu povo do arianismo para a ortodoxia católica, e quem
suspendeu a proibição dos concílios Nicenos. Afora o registrado neste Concílio,
realizado por sua convocação, pouco é sabido sobre Ariamiro, salvo que
foi sucedido algum dia entre o fim de maio 561 e o ano 566 por Teodomiro.
Alguns
estudiosos percebem a conversão dos suevos
na Galícia de forma progressiva, por etapas, e consideram o levantamento da
proibição por Ariamiro em relação aos sínodos como uma dessas etapas, depois da
conversão pública de Carriarico ao catolicismo e, lembramos das conversões ao
catolicismo provocadas anteriormente por Requiário (149).
Ariamiro foi sucedido entre os anos de 561 e 566 por
- Miro ou
Teodomiro – (outras datas de seu reinado 559 e 583 ou 570 - 583). Há fontes que dividem o período entre dois
reis - Miro e Teodomiro. Entretanto, fonte mais completa os tem como a mesma
pessoa.
Miro patrocinou o II Concílio de Braga onde agora pontifica Martinho
de Dume, nascido e trazido da Hungria por Carriarico e que já se havia tornado
o grande cristianizador dos suevos e
gentílicos para a religião católica (150). Martinho
de Braga em sua obra religiosa teria proposto um modelo de monarca ideal para o
rei suevo, visando à adoção de comportamentos que estivessem em consonância com
o novo credo professado. Assim, a política e a religião regidas por um sistema
comportamental harmônico que beneficiaria ambas as instituições (151). Seu projeto, ressaltamos, não poderá ser concretizado
nestes tempos ainda de freqüentes conflitos militares, tendo motivos religiosos
como pano de fundo. Citamos um texto
enciclopédico muito bem balizado sobre Miro com nossos acrescentamentos,
texto que mesmo facilita o entendimento deste período final da dominação sueva.
“Braga,
juntamente com Toledo eram, à época, importantes centros religiosos. A
Diocese de Braga exercia papel importante na vida religiosa e nas decisões da
Igreja, e aí se deu em 571, sob a convocação do rei, o II Concílio de Braga.
Nesse mesmo ano Miro levou a cabo
uma campanha contra um povo do norte da Espanha, de Cantábria ou Vascônia,
chamado runcões. Esta campanha, além
das suas fronteiras, provocou a reacção de Leovigildo, rei dos Visigodos
[de religião ariana] que empreendeu uma campanha, de advertência ou retaliação,
contra o reino suevo. A guerra desenvolveu-se no vale do Douro entre 572 e
574, e Leovigildo conseguiu empurrar os suevos para norte e fundar a Villa
Gothorum (hoje Toro). Em seguida Leovigildo submeteu os Cântabros. O
controle de Toro e de Astorga abriu aos Visigodos o caminho da Galécia sueva, que
foi invadida em 575. Tendo
perdido Ourense e toda a Lusitânia, e sendo atacado nas cidades do Porto e de
Braga, Miro pediu a paz,
submetendo-se ao rei visigodo. Pouco tempo depois, quando Hermenegildo,
filho de Leovigildo e católico, se revoltou contra o seu pai, Miro apoiou-o e atacou Sevilha em 583. Hermenegildo acabou por ser
capturado e executado, e Miro, o seu aliado suevo viu-se novamente
obrigado a fazer a paz com Leovigildo e a retirar-se.
A campanha dos suevos além das suas
fronteiras contra os povos rancões (!)
provocou a reacção de Leovigildo, rei dos Visigodos de religião ariana que então empreendeu uma campanha
de advertência ou retaliação. Galícia
sueva sido invadida pelos vizigodos, perdida a região Ourense e toda a
Lusitânia, atacadas as cidades do Porto e de Braga, Miro pediu a paz
submetendo-se ao rei visigodo ariano.
Autor de trabalho recente informa que Miro teria morrido tragicamente em
batalha (cerca de 583? - data da
subida ao trono de seu filho (152).
- Eborico
(ou Eurico) sucedeu seu pai Miro, mas reinou apenas entre 583-584. Foi obrigado a reconhecer a
supremacia dos vizigodos, o que
teria mesmo gerado revolta na aristocracia [?], tendo ele sido destituído do
poder e assassinado por Andeca.
- Andeca (seria ele um quado?) entre 584 - 585 forçou uma ligação dinástica e proclamou-se
rei - pois se casara à força com a viúva de Miro, mãe de Eborico, a quem ele próprio
já havia assassinado. Sobre o pretexto deste assassinato, o Reino Sueco é por
fim invadido pelo rei visigodo Leovigildo (153).
Em 585 finalmente os visigodos
destroçaram os suevos, capturaram
Andeca e o colocam em um mosteiro.
Mesmo
depois da
conquista visigótica, no mesmo ano de 585 o
rei
- Amalarico ainda teria sido reconhecido
como rei apenas por uma parte dos suevos.
E pela origem do seu nome – Amal – sugerimos fosse rei da dinástia sueva, descendente
dos agilofing, de influência goda amala. Enfrentando os vizigodos teria sido morto antes mesmo de subir ao poder.
A
luta por “um Reino de Governo Perfeito”, almejado pelos tradicionais reis
suevos tivera fim (154).
O rei vizigodo Leovigildo anexa o Reino Suevo da Galiza, juntando os seus
dois reinos. Morreu em 586 (155).
III CONCLUSÃO
Lembrando,
na virada do ano de 406 para 407 d.C., no inverno, ocorrera a notável invasão da Gália pela Confederação
Sueva - cerca de duzentas mil
pessoas, guerreiros homens e mulheres, ainda crianças atravessaram o
Reno gelado - ocasião em que 20.000 guerreiros aliados vândalos foram mortos por francos ripuários que tentavam alguma resistência.
Para
a realização desta famosa invasão “bárbara” de 406 d.C. foram realizados
preparativos complexos e sofisticados, coordenados e concatenados por uma
política de casamento aos moldes godos entre várias etnias na fronteira da
Germânia, ainda revificadas oportunamente as energias aguerridas dos povos suevos - povos que haviam tido um passado
antigo de luta contra os romanos.
E relembra Tácito em Germania1-4, este aguerrimento:
“Os suevos até envelhecerem usam seus cabelos
eretos e é freqüente que eles os levem atados no alto da cabeça..... não se
adornavam para amar ou ser amados, mas para aparentar uma maior estatura aos
olhos dos inimigos”.
Uma Confederação
aguerrida e muito bem organizada, agora tramada cuidadosamente em 406 D.C. acaba por entregar a liderança da invasão ao potente
guerreiro suevo, Hermérico - filho do rei suevo Bitheid [c.350? –
401] – jovem maduro com ancestrais agilofs godos por sua mãe Ermengarda Ostrogoda,
ela de família já cristianizada por sua avó - o avô Agiulf, Ostrogodo.
O rei aliado e unificado de vândalos e alanos, Godegisílio
(ou Godegisel - 355 ou 359 - 406),
que morrera em batalha logo no começo desta invasão enfrentando os francos ripuários havia sido o
grande articulador do movimento, possivelmente casado com uma princesa alana. Em listagens recentes Godegisilio
aparece como irmão
de Archiulf d'Ostrogothie [310 ou 320-355] - o pai de Ermengarde
d'Ostrogothie (355-382).
Ao fim de nossa pesquisa identificamos ainda pela
fonte genealógica MyHeritage que Ermengarde des Sueves, mãe de Hermericus,
nascida d´Ostrogothie [355-382] seria filha de Achiulf d'Ostrogothie, nascido
em 310 em Verona, Itália e Julia d'Ostrogothie (nascida Du Bosphore), esta
filha do rei do Bosphoro, Tiberius Julius Rhescuporis V de origem grega,
iraniana e romana, que reinou entre 304 e 311 até 341, crisitanizado por
pressão do Imperador Constantino.
A
historiografia recente percebe, portanto, que ao final do século IV as tratativas
de composição entre várias etnias concentradas na Marcomânia teriam feito
reviver o antigo prestígio cultural aguerrido dos suevos. Os lideres suevos já contando
com a experiência provinda de uniões matrimoniais heterogenias com reis marcomanos, quados, búrios, “stirps”
boemii, e mesmo como vimos oriundas
do Bósforo - convivência necessária
e íntima para a realização das invasões ditas “bárbaras” de 406 - quando estes
povos associados em Confederação atravessaram juntos o Reno gelado, invadindo
cidades e realizando razias, atravessando os Pirineus até chegarem à península
Hibérica.
Após esta muito longa e penosa migração para
a península Ibérica, os reis suevos estabelecidos
na Galícia aí enfrentarão ainda terríveis vicissitudes em sua tenaz e, por que
não dizer, trágica luta para manter a independência do Reino Suevo frente aos visigodos e romanos.
Os descendentes diretos do líder
guerreiro e rei suevo, Hermérico, passarão por enormes sofrimentos pessoais,
intensas repressões – seu filho Requiário vê sua capital Braga arrazada pelos
vizigodos - detido e executado; o neto Agiulf,
podemos dizer um agilofing também executado pelos visigodos em 457 – outros de seus reis ainda mais
tarde assassinados, Maldras e Eborico; colocados em mosteiro
(Andeca), ou mortos em batalha (Miro e Amalarico).
Os reis suevos da península Hibérica,
certamente, haviam aproveitado a experiência de luta contra os romanos no sec.
I antes de Cristo - o chefe suevo Ariovisto longo tempo havia enfrentado Julio
Cezar, seus cabelos sempre alteados para infringir medo ao inimigo. Entretanto,
no séculos III e IV d. C. a capacidade de governança dos reis suevos, defendemos,
já estaria enriquecida pela experiência de reis godos agilofs (agora agilofings)
em meados do IV século já cristianizados.
Notamos também
surpresos as várias origens comuns de vários desses povos que penetravam pelo Reno
em 406 – vários deles, como os próprios suevos que os comandavam,
originários de antigas e longínquas regiões da Escandinávia e do Báltico – godos
da ilha Guthland; bohemi da ilha de Bornholm ou Boríngia no mar
Báltico; skiers da ilha de Skye na Escócia – lombardos, no
passado também migrados da Escandinávia.
Os povos vândalos
e alanos aliados, porém, de origem iraniana nômade.
Vândalos e alanos,
talvez levados por suas características de mobilidade expansionista, em certo
momento já na Galícia haviam deixado os seus aliados e companheiros iniciais aí
estabelecidos – e tentando ainda se expandir- em 430 d.C. seguiram em novo êxodo
para a África.
Depois de quatro reinados seguidos na Galícia,
os reis suevos de ascendência agilofing já cristianizada, em um período
de grande crise do Reino ao enfrentar romanos e vizigodos tiveram seu poder internamente
contestados pela primeira vez - tudo indica, por seus associados minoritários,
quadi e bohemi.
Ainda que
os reis suevos houvessem conseguido com muita determinação manter a existência
deste Reino Suevo e cristão na Galícia
por quase dois séculos, frente à vizigodos
de religião ariana e mesmo romanos
entre 409 e 585 d.C. - data
em que foram por fim vencidos e anexados pelos visigodos - teriam sido após a derrota final na verdade absovidos
pelos povos locais em redor.
Mas a extinção física da dinastia dos reis suevos na Galícia em 585 d.C - dinastia que comprovamos usufruira
de forte e antiga contribuiçao goda agilofing
cristianizada, também contribuições
dinásticas de reis
marcomanos, quados, e mesmo de “stirps” bohemi - não teria,
entretanto conseguido destruir a essência “o espírito” deste Reino Suevo – pois
o Reino teria sido em verdade anexado, mantida uma certa dualidade governativa
com os vizigodos - sua população identificando-se e por fim mesclando-se à
população local que formou etnicamente o povo da Galícia, por extensão mais
tarde o próprio povo português.
Nota-se em especial a contribuição da dinastia
amalo chegada aos reis suevos pelos reis godos – por Atala um rei também marcomano? por Aguiulf, rei dos Godos que seria amalo
- dinastia real goda tervíngia exercida
por juízes. Ainda a colaboração da “stirpe” real muito antiga dos boios ou bohemi, que no passado antigo teriam mesmo apoiado o general cartaginês
Haníbal na Segunda Guerra Punica contra os romanos – a colaboração desta
“stirp” bohemi recentemente identificada
pelo articulista Gazalac (2013).
Particularmente, observamos que antigos aegidius/siagrius levavam o apônimo de “hannibalianus”. E provável que aegidius e agilofs tivessem antiga ligação com esses bohemi ou bóios - pelo
menos desde o século III d.C. - ligações que podem ter tido prosseguimento mais
tarde atravez o estabelecimento dos duques bávaros
no centro europeu - nas proximidades das cidades de Bratislava, depois Rotemburgo
(centro agilofing), ainda mais tarde na cidade de Bornheim.
Os agilofings que permaneceram no centro europeu, no século VII
estiveram comprovadamente unidos não só aos bávaros e merovíngios
por matrimônios, mas também a muito religiosa e cristã dinastia franco-borgonhesa dos wido (ou guidi). E do magnífico Castelo de St. AEgidius (St, Gilles) em Bornheim, constatamos, saíram no sec.VIII os da dinastia wido para a península italiana,
acompanhando o franco carolíngio cristianizado, Carlos Magno.
Como lembrança desta experimentada dinastia
sueva na Galícia, tradicionalmente dita
de origem “bárbara”, apresentamos uma tentativa de recriação contemporânea de
uma bandeira do Reino Suevo,
apresentando a figura do dragão suevo
frente a um leão rompante – leão rompante ainda hoje símbolo da região da
Bohemia.
Recriação ou interpretação contemporânea
de uma bandeira sueva que teria sido corrigida por ocasião do Consílio de Lugo
em 569, as figuras substituídas por
cálice com hóstia, símbolos cristãos (156).
Admitindo esta antiga tradição e influência
sueva na atual cidade de Braga - a antiga Bracara
Augusta, capital do Reino Suevo - recentemente foi inaugurada uma fonte adornada
com uma escultura moderna e metálica de um dragão, símbolo a ocupação sueva da região
(157). A aparência atemorizante e
propositadamente agressiva dos suevos para
intimidar os inimigos agora ainda lembrada, devendo ter correspondido ao símbolo
por eles utilizado na figura do dragão alado.
Reafirmamos, concluindo:
A antiga e aguerrida dinastia sueva
fora enriquecida nos séculos IV pela experiência governativa dos reis suevos já
portadores de forte ascendência agilof
goda. Ainda beneficiada por valores muito pertinazes das etnias marcomanas, quadi, búrios, e mesmo muito antigas de boios – favorecendo, portanto, na Galícia nos séculos V e VI
fortes influências multiculturais.
Estes reis suevos de forte influência por ligações agilofs e godas já
cristianizadas e católicas mantiveveram e estenderam seus próprios valores à
Galícia - e mesmo à formação posterior do Reino de Portugal, vencido o invasor
árabe.
Substituindo o rei suevo Requila
que ainda teria sido pagão, o terceiro rei suevo, Requiário (r. 448 e
456), já católico, havia
proposto a conversão de seus súditos ao cristianismo católico, ele mesmo casado
com Flavia dos Visigodos (n.395) de
origem religiosa certamente ariana -
o casal pais da notória Caratene dos Suevos (n. 435 - f. 506) também já cristã, descendente agilofing nascida na Hispania e que, em um segundo casamento com o
rei burgúndio Gondeoc foi madrasta/avó e responsável pela formação moral e religioso-católica
da famosa rainha dos francos, Clotilde.
Após subir ao trono, em 449 o rei suevo Requiário teria até mesmo defendido a
idéia pioneira de um governo do Reino apoiado pela Igreja Católica.
Requiário não só teria proposto a
religião católica aos suevos, mas Braga tornou-se capital do reino e sua sede
episcopal. Além de ter Requiário cunhou a primeira moeda
própria, demonstrando o caráter galaico e cristão do reino - moeda que homenageava
o Imperador Honório, este um aegidius
/siagrii por linha materna.
Dois Consílios católicos ocorreram posteriormente
em Braga durante os períodos dos reis Carriarico e Miro. Miro patrocinou o II Concílio de Braga onde
o religioso Martinho de Dume pontificou – o religioso Martinho nascido e
conduzido da Hungria pelo próprio Carriarico, tornado o grande cristianizador
dos suevos e gentílicos para a religião católica.
S. Martinho de Braga em sua famosa
obra religiosa chegou a propor um modelo de rei, de monarca ideal para o Reino Suevo estimulando a adoção de
comportamentos que estivessem em consonância com o novo credo professado. Assim,
política e religião são propostos para reger um sistema comportamental
harmônico que beneficiaria ambas as instituições (158).
Este projeto ideológico, naturalmente,
era muito prematuro e não poderia ser concretizado em tempos antigos de freqüentes
conflitos militares, cujo pano de fundo são ainda inúmeras diferenças étnicas, culturais
e religiosas.
Os suevos haviam se instalado nas
periferias das cidades como Bracara
Augusta (Braga), PortusCale
(Porto), LucusAugusta (Lugo) e Asturica (Astorga); seus aliados, os alanos em
Pax Julia (Beja). Estudos recentes
referem à passagem dos povos búrios pela
região norte de Portugal - “Terras dos
Búrios” entre os rios Cávado e Homem.
Em especial, relembramos o violento domínio suevo sobre a cidade romana de Conímbriga, cidade há pouco tempo
descoberta pelos arqueólogos em Portugal. Aparentemente por vingança teriam
tomado aos romanos esta cidade romana entre
465 e 468 d.C. - seus habitantes
obrigados a fugir por túneos para a cidade vizinha, Aeminium.
Mozaicos romanos redescobertos
em Conínbriga
Por notícias arqueológicas recentes, Aeminium tida como uma cidade perdida
foi agora encontrada, embaixo da cidade de Coimbra:
“A antiga
Aeminium deixou vestígios no presente. Um deles é o criptopórtico
romano, localizado sob o [atual] Museu Machado de
Castro. Os
vestígios mais antigos de Aeminium datam
da era romana, quando aquele povo fundou a cidade, em colaboração e sempre
protegida pela vizinha Conímbriga, a
apenas 16 quilómetros de distância, na localidade de Condeixa-a-Nova” (159).
Na verdade o Reino Suevo fora vencido
pela força militar vizigoda e
anexado pelo Reino Visigótico tendo, entretanto, subsistido por um tempo com
certo grau de autonomia. Segundo estudiosos portugueses atuais,
Leovigildo rei dos visigodos, vencedor, passara a ser também o rei dos suevos
(160).
Reis Quindasvinto,
Recesvinto e Égica segundo o Codex Vigilanus
No começo do século VIII, segundo as crónicas de Afonso III (161), enquanto o
rei Égica governava o reino dos vizigodos,
seu filho Vitiza governava “o reino dos suevos”. Nos últimos dois anos, pai e filho teriam governado em
conjunto (162).
Reafirmamos - na Galícia a dinastia de reis suevos, etnia de antigo e forte aguerrimento
contra os romanos, que usaram cabelos elevados para aterrorizar, unidos, entretanto,
aos experientes godos agilofing havia
reinado por quase dois séculos, mesclando-se por fim á população local,
deixando até mesmo rastros lingüísticos que rescentemente ainda têm sido
identificados (163).
Com a
duradoura invasão árabe posterior da Península (164), esta dinastia sueva com
um passado insubmisso de lutas, mesclada aos agilofing, veio a ser, por seus valores centenários - já religiosos
e católicos - importante formadora cultural da Galiza, mais tarde até mesmo do
próprio Reino de Portugal - deixando nestas regiões, ao contrário, do que
até agora tem sido apregoado, uma herança civilizatória social e religiosa relevante.
Também na Europa esta genealogia de reis suevos,
de ascendência e influência especialmente goda
cristianizada, deixará marcas profundas na história européia (165).
Fato
reconhecido por pela estudiosa Fiorot, que em seu trabalho “Um
Reino de Governo Perfeito” (2021) afirma:
“Como um líquido que adquire o formato de seu recipiente, a
identidade sueva deve ser vista como um projeto que é pensado para se enquadrar
a cada momento do presente. E por esse motivo deveríamos considerá-la como
um empreendimento fracassado neste momento? Pensamos que não. O reino suevo não
se sustentaria se estivesse vazio, sem o professar de uma identidade. Mesmo que
esta tenha se alterado ao longo do tempo, carregará em sua essência elementos
que ainda manterão o mínimo de coesão, fazendo com que aqueles que foram
considerados umas das menores e mais ínfimas tribos germânicas obtenha
prosperidade em seu reino ao longo de todo o século V.”
Finalizamos. Por sua prática
governativa muito antiga e multicultural, certamente de forte influência goda, agilofing e já cristã, os reis suevos tenham
tentado implementar na Galícia “um reino perfeito” – uma política na verdade ainda
inédita e impossível neste período histórico. Mas que deixa na península Hispânica
profundas marcas civilizatórias.
Notas
(1)
A Introdução deste trabalho em linhas gerais está baseada nas conclusões do
nosso artigo “A origem da dinastia Agilofings na Antiguidade”, artigo publicado
na revista brasileira ConTexto, endereço: https://revistacontextoarteshistgeneal.
blogspot.com/search?updated-max=2025-03-19T06:58:00-07:00&max-results=7...
(2) Peterson, Lena. «Swābaharjaz» (PDF). Lexikon
över urnordiska personnamn. Institutet för språk och folkminnen, Sweden. Pg.
16.
(3) Arias,
Jorge C. - «Identity and Interaction: The Suevi and the Hispano-Romans».
University of Virginia (2007) pg. 30-32. Trabalho detalhado, com um
levantamento historiográfico completo sobre os estudos suevos, posteriormente sua atuação na Galícia. A tese deve ser
consultada para aprofundamento do assunto.
(4) A palavra “Giglio” na língua italiana significa
"lírio". Na costa da Toscana a ilha de Giglio foi bastião
militar da civilização etrusca - ilha
de Igilium - tendo depois caído sob o domínio de Roma, passando a ser
referida como Aegilium Insula ou Igillia Insula - transliteração para o
latim da palavra grega “aigýllion”,
que nomeia também um pequeno animal da própria ilha, uma pequena cabra. O nome atual
da ilha, neste caso, simplesmente como "ilha da Cabra" não leva em
consideração o “lírio”, símbolo utilizado na heráldica da República de
Florença, usado também pela família Malavolti em seu brasão. Os Malavolti
casados com os da família Giglio, família já muito antiga na Toscana.
Sabemos também que a ilha serviu de refúgio a monges, anacoretas, homens puros
que lá se instalaram em busca de isolamento e oração na Alta Idade Media. Consultar nossos artigos que referem a
flor do lírio como símbolo de pureza - “Carta ao Bezerra” e “Os requintes
da família Cavalcanti”, publicados no nosso blog
http://rosasampaiotorres.blogspot.com/
(5)
Os dácios ou getas, como conhecidos
pelos antigos gregos, foram um ramo dos trácios que viviam a norte dos
Bálcãs. Neste caso os dácios (ou getas)
seriam tribos trácias setentrionais.
Por volta do 5º século antes de Cristo,
os trácios foram dominados pelos odrysios, a maior e mais poderosa tribo
do Reino da Trácia (região política maior na época dos Bálcãs orientais). O
rei da Trácia, Teres I, estabeleceu o Reino Odrísio em uma boa parte da Trácia. O reino Odrísio fundado pelo rei Teres
I aproveitou o colapso da presença persa
na Europa pela invasão fracassada da Grécia em 480-79 a.C. Notar: Teres
I seria filho de Odryses (ou Odriseus?) (480 /450–430 a. C.)
Ver na fonte Wikipédia mais sobre este Reino
Odrísio, que foi mesmo comentado por Tucídides na Historia da Guerra do Peloponeso. O nome "Otreus" epônimo
para Otroea, local no lago Ascânia nas redondezas da futura Niceia, e o
"Mygdon" é certamente um epônimo para os mygdones, um povo que, segundo Estrabão, vivia no noroeste da Ásia
Menor (Mísia), por vezes considerado como sendo distinto dos frígios. Pausânias acreditava que o
túmulo de Migdon estava em Stectorium, nas terras altas no sul da Frigia, perto
da moderna Sandikli.
(6) Estrabão (63 a.C. ou 64 a.C. — c. 24
d.C.) historiador, geógrafo e
filósofo grego. Foi o autor da obra Geografia - 17 livros contendo a
história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à
época.
(7)
Os
dácios são
mencionados no reinado do imperador Augusto
que os fez reconhecer a supremacia romana. O Reino Dácio sobreviveu de 168 a.C. até a conquista romana em 106 d.C. Na opinião de Estrabão,
o nome original dos dácios era daos (ou daoi). A capital da Dácia, Sarmizegetusa,
localizada na Romênia. Contudo, para manterem sua independência teriam
posteriormente aproveitado cada oportunidade de atravessar o congelado Danúbio
durante o inverno, visando devastar as cidades romanas na província da Mésia.
Entretanto, ainda sob a regência de Burebista (ou Berebista 82/61 a.C. a
45/44 a.C.) um rei trácio
contemporâneo de Júlio César, a partir de 61 a.C. os limites do reino haviam sido
estendidos. Os bastarnas e também
os bois (ou boios) foram conquistados, e mesmo as cidades
gregas de Ólbia e Apolônia no Mar Negro (Pontus Euxinus). A partir de 55 a.C. as cidades gregas na costa
oeste do Mar Negro foram conquistadas uma depois da outra. Essas campanhas
culminaram em conflito com Roma em 48
a.C.. Para aprofundamento, consultar perfil de Buerbista na Wikipédia. Os
boi ou bohemi tem sua “stirp” muito famosa, adiante referida, objeto também
de nossos trabalhos “A origem da dinastia dos Agilofings” e “Os Bohemi”,
publicado em nosso blog.
Obs.: Seriam também os gépidas mais tarde uma continuação dos
povos “getae” ou getas? Eles da mesma origem goda ou gauta referida por Jordanes? Os gépidas por volta de 260 d.C., quando são notados pela primeira
vez, teriam também participado da invasão da Dácia com os godos, onde se estabeleceram.
(8)
O arqueólogo Mircea Babeş professor emérito da Romanian Academy,
Institute of Archaeology de Bucharest defendeu a existência de uma
"verdadeira unidade etnocultural" entre os getas e os dácios na antiguidade,
enquanto o historiador e arqueólogo contemporâneo Alexandru Vulpe,
falecido em 2016, também membro da
Academia Romena e diretor do Instituto Vasile Pârvan de Arqueologia encontrou
uma "notável uniformidade" na cultura geto-dácia. Ver discussão aprofundada sobre o assunto no verbete
“Getae” na Wikipédia. Temos que a língua dácia
seria muito próxima do latim, pois
especialmente depois da conquista romana a Dácia se transformou numa província
do Império, e o “latim vulgar” foi usado pela administração e pelo comércio.
(9) A
dinastia dos reis godos, dinastia amala é por nós exaustivamente
apresentada neste trabalho e em nossos artigos “A origem da dinastia dos
Agilofings” e “Os Boemi” publicados em nosso blog. “Os Agilofings”, artigo mais
alongado será o próximo, e está no prelo.
(10)
Pela fonte Wikipédia, bem balizada, cerca
de quarenta anos mais tarde desta invasão, os francos tiveram sob seu
controle a região da foz do Rio Scheldt e interferiram com os canais
para a Britânia; as forças romanas pacificaram a região, mas não expulsaram os
francos que permaneceram como federados. De início haveria duas subdivisões
principais na confederação dos francos: os francos
sálios ("salgado") e os
ripuários (do "rio"). Uma região no nordeste da Holanda — norte
da antiga fronteira do Império Romano — tem o nome de Salândia, e pode ter
recebido esse nome dos sálios.
(11)
Sobre o jovem Agiulf (f. 457)
neto de Herméricus, ver neste texto “Desenvolvimento”, item 1 e item 7, e notas abaixo 12, 115
e 139. Agiulfo é comentado na Wikipédia (verbete “Reino da Galiza”)
como hérulo e neste caso sugerimos filho de Hermérico, Edecon
des SKYRES [406-469], que foi casado com Flora des HERULES [410].
Ver a possibilidade na lista de descendentes de Hermérico transcrita na nota 84.
(12)
Fonte Jörg Jarnut: Agilolfingerstudien. Untersuchungen zur Geschichte einer
adligen Familie im 6. und 7. Jahrhundert Stuttgart 1986)”. A data da morte
deste Agiulfo, neto de Hermérico no ano 457. Por nós acrescentada a data de travessia dos Pirineus.
Como comprovação e contextualização
histórica desses fatos, sabemos Teodorico II, rei visigodo (453 - 466), teria tentado barrar os suevos na península Hibérica e os
teriam vencido na batalha de Òrbigo em 456, próximo de Astorga (na zona central da Espanha). No ano seguinte
até mesmo executado o rei Agilulf,
neto de Hermérico. Comentado na Wikipédia
(verbete “Reino da Galizi”) como um hérulo. Possivelmente um neto de
Hermérico, filho de Edecon des SKYRES [406-469] casado com Flora des HERULES
[410]? Ver esta possibilidade na lista dos ascendentes e descendentes de Hermérico, com fonte transcrita na nota 84.
Registrado historicamente que Agilulf ou Agilulfo, neto de Hermérico, teria sido mordomo do rei
visigodo Teodorico II, cujo
centro de reinado era Tolosa (Toulouse), mas Agiulfo se insurgiu e foi
executado em 457 - note-se um ano
depois da batalha de Órbigo.
É provável que Teodorico II, depois
da batalha de Órbigo, tenha colocado este seu parente Agiulfo como seu
mordomo, espécie de primeiro ministro (lembramos que Requiário foi casado
com a filha de Teodorico I, Flávia). Agiulfo, entretanto, insurgiu-se,
cortou os laços com o rei visigodo e teria desertado fazendo-se reconhecer como
rei por uma parte dos suevos. Em
novo enfrentamento foi capturado, tendo sido executado pelos visigodos no ano seguinte, 457 – os suevos novamente derrotados pelos visigodos de Teodorico II
que, entretanto, na ocasião não deram proseguimento aos combates. Ver em
especial nossos comentários e interpretações deste fato no texto específico dos
reis suevos item 7 e notas 11, 115 e 139.
(13)
Apresentamos o perfil do capostipide
dos agilofings europeus tido como Agiulfo
I, baseado em lista segura da abadia de Mettlach, já
publicada na mídia eletrônica. Mais informações e fontes no nosso trabalho
“Os Agilofings”, ainda não publicado. Neste trabalho Agiulfo I é citado no texto
e nota abaixo 14, ainda referido na nota
17.
(14)
Segundo a fonte My Heritage “Agiluf I,
agilofing nascido em 470, Family Tree, na Suábia,
atual Baden-Wurttemberg, Alemanha ou Trabzon,
Turkey,] casado com Regnaberga da Borgundia (Borgonha) agilofinges
[470 – c. 500 nascida na Suábia, dinastia Gjúkungar [Nibelung]”. Pelas fontes
FamilySearch FamilyTree e WikeTree casado com [a crisitanizada] Maria Geneva
(da Borgonha) von Bayern (da Baviera) – Agiulfo teve como descendentes Agivald
Agilofing, Théodebald (Agilofing), [que identificamos filho de
Regnaberga] e ainda outro Agivald [Bayern de Meau?, filho também de
Maria Geneve em um segundo casamento com Advaldo Beyern]. Agiulf I faleceu aos
42 anos em 512 na Baviera, hoje Alemanha.
O perfil de Agiulf I nascido em 470 é por
nos identificado a partir da listagem básica de abadia de Mettlach, apresentado
pela fonte https://wc.rootsweb.com/trees/104925/I7053/-/ahnentafe
- perfil com
acrescentamentos e questionamentos a partir de outras fontes genealógicas
modernas: FamilySearch FamilyTree, MyHeritage, Family Tree e WikeTree na mídia
eletrônica.
Por outras informações das figuras
femininas, com perfis na fonte Ancient
European Royals and Aristocrats WikiTree, conclui-se: Teodonte dos Bávaros, casado com a meia-irmã de Geneva seria
cunhado de Agiulfo I. A mesma fonte acrescenta que Teodonte dos Bavaros era filho de Advaldo Agilofinges “Sangue” [sangue agilofing], rei bávaro, e filho do huno Velphio, que cerca 385 fora "Rei
dos Alemanni", casado com
uma [senhora ou princesa?] d´Alamannia [alamanna].
Por fontes
básicas não tão seguras, mas que bem se encaixam teríamos: o cunhado de Agiulf I, por sua esposa Maria Geneva
teria sido o chefe Teodonte dos Bávaros,
de sua mesma estirpe e sangue
agilofing, seu próprio tio, também filho do rei bávaro Advaldo [ou Agivaldo] Agilofing “Sangue”. Neste caso
o pai de Agiulf I, o duque Advaldo, irmão de Teodonte, seria provavelmente também
filho deste mesmo rei huno Velpio
Agilofing casado com uma senhora da
Alamannia (uma alamanna ou saxã).
Pela fonte genealógica My Heritage, fonte
insegura, (https://wc. rootsweb.com/trees/104925/I7053/-/ahnentafe, mas que
se encaixa, o pai deste Agiulfo I seria o duque [não rei] Agivaldo, filho do huno Velphio Von Agilofings em cerca de 385 "Rei dos Alemanni", casado com uma senhora d´Alamannia
[alamanna?]. A fonte apresenta perfil para este Agivald, indicado
apenas como duque, suas datas 415-508.
Ver também um Adilger ou Aldager,
citado como duque bávaro na lista
insegura dos descendentes de Hermérico no texto próximo à nota 74.
(15) Ver nota anterior e mais
informações históricas e fontes no nosso artigo “A origem da dinastia dos Agilofings”,
já publicado em nosso blog e “Os agilofings”, artigo mais longo ainda não
publicado, mas já aberto para consultas.
(16)
A notícia que indicamos sobre os godos
neste período foi por nós adaptada do verbete “Batalha de Adrianópolis”
na Wikipédia - verbete muito bem fundamentado, que trancrevemos com alguns
acrescentamentos: “No século IV os godos tervíngios
quase haviam sido absorvidos pelo Império Romano... [pois chegaram a um
acordo pelo qual os romanos lhes
cediam a província da Dácia (oeste da atual Romênia em troca da
paz, à época do Imperador
Aureliano (270—275)]... Assim, todas as vezes que os godos estimavam que lhes convinha
aumento do seu soldo, cruzavam em armas o rio Danúbio, saqueavam algumas
cidades e voltavam às suas terras, comunicando aos romanos que continuariam
fazendo-o enquanto os subsídios não aumentassem. Assim o fizeram até 370. Esse
mesmo ano, os godos encontraram-se às suas costas com um inimigo com o que não
contavam: os hunos... Este povo de
ginetes asiáticos derrotou estrepitosamente os alanos do rio Volga e estendeu-se depressa pelas estepes da atual
Rússia, enfrentando com os [godos]
grutungos em 370, que foram
também vencidos e forçados a servir no seu exército com outros povos
germânicos. As notícias relatadas pelos refugiados [godos] grutungos puseram
os seus irmãos do oeste em pé de
guerra, mas quando em 376 os hunos atravessaram o Dniestre para
enfrentarem a eles, os godos ocidentais foram derrotados igualmente.
Ao contrário dos seus irmãos orientais, os [godos] tervíngios tiveram
chance de fugir e aproveitaram-na, solicitando aos romanos cruzar o Danúbio e
instalar-se esta vez na província da Mésia
Secunda, no território da moderna Bulgária. A chegada dos tervíngios à Mésia teve a oposição de
amplos setores da sociedade romana. Muitos políticos e militares viam um perigo
iminente na presença dos [godos] tervíngios
como organismo autônomo dentro do império, considerando-os o equivalente a um
tumor no mesmo e que cedo ou tarde ocasionariam problemas. Contudo, os
pretórios Modesto e Tatiano recomendaram o assentamento dos federados, por
considerarem que as vantagens ultrapassavam amplamente os possíveis riscos”.
Mais sobre os godos grutungos e tervíngios ver texto do “Desenvolvimento”
e nas notas 49, 55 abaixo.
(17) Seria o rei franco Cláudio (386-450) (Chlodion, Clodion, Clodius,
Chlogio, Clodian significando “cabelos longos”) descendente de Clodoreius
[n. 334?] casado com Basina da Turíngia, filha de Vedelfo (ver ficha
na Wikipédia) [este Vedelfo seria o mesmo Huno Velfio Agilofing, rei da Turíngia?, casado com uma Basina anterior, alamanni [ou saxã?] ? – talvez o avô do capostipide europeu Agiulfo
I ?]
Um dos filhos de Clodio pode ter sido Meroveu (411- 458), que
foi seu sucessor como rei dos francos, e o outro Clodebald de Colônia (413-483).
Comentários
e fontes em nosso trabalho completo “Os Agilofings”. Comparar com o perfil de Basina, já citado na
Wikipédia.
(18)
Sobre o famoso general AEgidius, parente
(tio?) de Deotéria, tradicionalmente
tido como general romano - nascido cerca 390
ou 93, falecido 464 ou 465- ver mais
texto abaixo no “Desenvolvimento” e notas 28,
30 e 31.
(19)
A tradição do título de Delfim remonta ao século XIV, quando Humberto II, Senhor do Viennois (Viena?)
vendeu as suas terras ao rei Filipe VI de França na condição de que o herdeiro
fosse designado “Delfim,” em honra do seu brasão de armas que ostentava um
golfinho. O primeiro príncipe que usou esta designação foi o futuro rei Carlos
V de França, Delfim a partir de 1349.
(20) Quase ao final de nossa pesquisa,
identificamos por fonte genealógica My Heritage que Ermengarde, mãe de
Hermericus dos Suevos seria filha de Achiulf d'OSTROGOTHIE, nascido 320
possivelmente em Verona, Itália, casado com Julia d'OSTROGOTHIE (nascida DU BOSPHORE).
Julia é citada na Wikipédia como filha do rei do Bosphoro, Tiberius
Julius Rhescuporis V, de religião grega, cristianizado por pressão do
Imperador Constantino I (272–337). Rhescuporis
V de origem grega, iraniana e romana, mas de religião grega reinou entre 304 e 311 até 341 quando foi assassinado (Fonte My Heritage foi por nós
associada ao perfil de Tiberius Julius Rhescuporis V na Wikipédia). A fonte Wikipédia
cita esta filha Julia, casada com um Agiulf e afirma: “En 335,
[Rhescuporis V] il ordonne la construction d'un mur sur la péninsule de Taman
pour protéger les principaux ports et villes. Son royaume est conquis par
les Ostrogoths du roi Ermanaric [ou Hermanarico, tio de Hermérico] qui
prend la ville et tue Rhescuporis en 341. Rhescuporis est enterré dans la tombe royale à Panticapée, la
capitale du royaume”. Ver seu perfil na Wikipédia. Ver notas referentes à Hermanerico 24, 26, 51,55, 59, 68. Seria o casamento de Agiulfo Ostrogodo e
Julia uma acomodação política entre os contendores?
As
posturas religiosas católicas de Requiário
são comprovadas por suas ações posteriores no Reino Sueco na Galícia. Ver “Desenvolvimento”
item 7.
(21) Sobre a rainha
Clotilde (Lion, 474 - Tours, 3 de junho de 545), tida como filha sobrevivente
de Chiderico II, filho de Gondioc, casada com o rei franco Clovis
constam informações em nosso trabalho “Os Agilofings”, com fichas da fonte
FamilySearch FamilyTree reproduzidas, ainda a ser publicado.
(22)
Análise de contexto familiar de Hermérico, seu filho Requiário e a neta Caretena
já foi apresentado em nosso trabalho “Os Agilogings”, inédito, e “A origem dos
Agilofings” fichas que se encaixam tendo como fonte FamilySearch FamilyTree.
Também fonte recente do perfil Ancient
European Royals and Aristocrats WikiTree, fonte moderna, gerente de perfil:
Jack Day. Ver comentários sobre os borgúndios
nas notas 31 e 86.
(23) Na lista dos
reis amalos de Jordanes na
Gética é citado Agiulf dos Godos (que fontes não seguras indicam nascido em 290,
falecido em 350, com 60 anos) e seu pai Athala dos Godos vivo entre
270-336. Ver também nota 66.
Teodorico, o Grande - Flávio Teodorico, em
latim Flavius Theodoricus; n. 454
– f. Ravena, 30 de agosto de 526. Teodorico,
o Grande, também aparece na lista dos reis amalos
na Gética de Jordanes. Ver mais sobre
ele nota abaixo 27 e 48, 102. Ver também notícias mais
detalhadas no nosso trabalho “Notas sobre os Bohemi” - suas relações com
Odoacro, seu parente, representante da etnia hérula.
Por
fonte enciclopédica com nossos acrescentamentos: ”Teodorico [o Grande] teria
sido filho do rei ostrogótico Teodomiro ou Valamiro, segundo Anônimo
Valesiano - e de Erelieva (ou Ereriliva), que tornando-se católica
recebeu no batismo o nome de Eusébia. Teodorico, O Grande, casou duas vezes.
Não se conhece quem foi a primeira esposa, mas ele teve duas filhas com ela: Ostrogoda/Arevagni
(Areagni) e Teodegoda (Theodegunda). Sua segunda esposa foi Audofleda
(Augoflada) dos francos, com quem
teve uma filha, Amalasunta. Fonte John N. Deely Four ages of
understanding: the first postmodern survey of philosophy from ancient times to
the turn of the twenty-first century. [S.l.]: University of Toronto Press.
pp. 181–. ISBN 9780802047359.
(24) Hermenerico [315-375] aparece citado na lista dos reis amalos por Jordanes - e tem seu perfil
histórico na Wikipédia. Em 375 Hermanerico
é considerado o ultimo rei dos godos enquanto ainda unificados - rei grutungo - pessoalmente agressivo havia se suicidado por estar impossibilitado de defender
as terras de seu povo, que habitava a região das estepes do mar Negro, frente
ao avanço dos hunos - região pantanosa
entre os rios Don e Dniestre. Hermanerico referido neste trabalho no texto e nas
notas abaixo 20, 26, 51, 55, 59 e 68.
(25)
Sobre a “Cultura de Chernikov”
ver nota 55.
(26) Segundo
um "mito de origem", os godos
seriam provenientes do sul da Escandinávia, mas a partir do século I d.C. teriam migrado para
sudeste, assentando-se dois séculos mais tarde nas grandes planícies a norte
do mar Negro. Ali se dividiram com o tempo em dois ramos - os grutungos (do gótico Ost Goths,
"godos do leste", ostrogodos) e os tervíngios (em gótico Wiss Goths, "godos do oeste",
vizigodos), separados pelo rio Dniestre. Assim sendo, temos Agiulf Ostrogodo [n. 320 - 355] pai de
Ermengarda, mãe do guerreiro Hermérico, sempre referida como Ostrogoda (355-382). Já o rei godo Ansila
[318-381] também filho de Aquiulfo dos Godos é tido como rei
vizigodo [Ansila de GOTH, roi des wisigoths 318-381]
Segundo fontes enciclopédicas a união entre grutungos
e tervíngios mantida no sec. III e IV. Já a divisão definitiva entre ostrogodos
e vizigodos, a nosso ver, teria ocorrido nos fins do século IV, no tempo de
Alarico I que foi escolhido pelos tervíngios como rei, não sendo ele, entretanto,
um juiz, dando início entre os godos a predominância da dinastia dos baldo.
O suicídio de Hermenerico (ultimo
rei godo e suevo do oriente unificado, rei grutungo - godo do oriente) ocorre
frente à pressão dos hunos em 375, já sérias dissensões religiosas entre
os godos nesta ocasião - alguns cristãos, outros arianos (ver texto e nota
acima 24) – bem como a ocorrência da Batalha
de Adreanópolis em 9 de agosto de 378 entre godos e o Império Romano. Estes episódios devem ter tido
importância na divisão política posterior entre ostogodos e vizigodos, divisão que
definitivamente ocorre por fim com a morte de Teorico I. Ver Quadro Genealógico apresentado ao final
das notas. Sobre Hermenerico ver notas
20, 24, 55, 59, 68 e ainda “Tabela Genealógica” final.
(27) Mais informações em nossos trabalhos “Os
Agilofings”, também “Notas sobre os povos Bóio ou Bohemi” publicado
na revista ConTexto em
2025. Sobre Teodorico, o Grande, ver nota acima 23, 48, 102. Ver também Quadro Genealógico apresentado ao final das
notas.
(28) O
perfil de Deotéria na fonte My
Heritage nos surpreende por sua origem na dinastia romana “flaviana”, entre os Ferreol
de Narbonne, (Provence) – região em que já historiadores especializados referem
sua origem. Ver nota 32. Neste caso,
sua ascendência algidius/syagrus a
mesma linha do general AEgidius, pois pelos Ferreol ou Ferreolus, ela
seria sua sobrinha. Por perfis na fonte genealógica MyHeritage, Deoteria teria
tido ascendência nobre, patrícia, de uma Deotéria anterior a ela, pelos flavianos
ligados a imperadores romanos, e também dos Syagrus vindos da Síria e
até de Bangaladesh. Ver notas abaixo 29
e 30, 32.
(29) Pela
fonte MyHeritage: “Deotéria ou por casamento Deoterie des
Merovíngius d´ Austrasie, nascida em Narbonne para Tonnence II de
Ferreol, este nascido em Narbone, filho de Clarisma Syagra de FERREOL com Tonatus I Ferreol, prefeito pretoriano
da Galia a partir de 451 - Clarisma filha de Flavius Afranius Syagrious
ou Afranius Algidiussyagrus de Lyon e de Galácia, AEGIDIUS, Gouverneur
des Gaules, Roi des Francs, c. 345 - ca 399, pai do General AEGIDIUS - Seu
antepassado colateral Flavius Syagrius Afranius teria nascido para Flavius
Claudius Constantinus e Fausta Flavia Maximianus Augusta, Imperatriz do
Império Romano Constantinus. Flavius nasceu em fevereiro de 316, em Arles, Pirineus Orientais,
Languedoc-Roussillon, França. Fausta nasceu em 289, em Roma, Lazio, Itália. Flavius tinha 4 irmãos: Constâncio
III, Imperador do Império Romano Ocidental e 3 outros irmãos. Flavius
casou-se com Syagria Falvius Postumius
Afranius (nascida Syagrius).
Syagria nasceu em 339, em Roma,
Roma, Lazio, Itália. Eles tiveram 2 filhas: Deuteria de Roma (nascida
Syagrius) e um outro filho, Flavius, que faleceu em 395, aos 50 anos.
O bávaro Teodobert Bayern, filho de
Maria Geneva é indicado como casado com moça de nome Lucile – a irmã de
Deotéria, Lucille Ferreol. Deotéria de linha Aegidius/ Syagrus e Ferreol,
como as fontes modernas genealógicas já indicam, reinou entre os francos de 533,
quando casou-se com o rei Teodebert I, até seu divórcio cerca 540. O fato se comprova na lista de
duques bávaros estudada em nosso trabalho inédito “Os Bávaros”.
Fonte históricas e historiadores modernos e
aprofundados apenas indicam Deutéria casada a primeira vez com um indivíduo
que não coseguem identificar, de nome incerto [a nosso ver, por várias
circunstâncias em hipótese, Agivald?, filho de Agiulf I] com quem teve uma
filha e morava em Cabrières, na Septimânia
- Cabrières-d'Avignon, comuna
francesa na região administrativa da
Provença-Alpes-Costa Azul, no departamento de Vaucluse - Com a ausência de
seu marido, tornou-se amante do rei Teodeberto I (r. 533–548), e com ele foi
casada após a coroação em 533. Em data desconhecida Deutéria teria ordenado o
assassinato de sua filha, pois segundo o historiador Gregório de Tours temia que atraísse o olhar de Teodeberto enquanto crescia. Também em
data incerta, deu à luz a Teodebald (r. 548–555), o sucessor de
Teodebert. Em 540, Teodebert abandonou Deotéria [para cumprir sua combinação de
se casar com Visigarda, filha do rei lombardo Vacão
de dinastia “lithing”, neto de Carretena
da Suévia, Agilofing (r. 510–539)].
Fontes
citadas pela enciclopédia:
-
Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Deoteria;
Theodebaldus I». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III,
AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press.
-Wood,
Ian N. (2000). «Family and friendship in the West». In: Cameron, Averil;
Bryan Ward-Perkins; Michael Whitby. The Cambridge Ancient History, Volume 14 -
Late Antiquity: Empire and Successors, A.D. 425-600. Cambridge: Cambridge
University Press.
(30) Perfil de Deotéria na fonte My Heritage
com nossos acrescentamentos: Deotéria
(Deuderie) MÉROVINGIENS d'AUSTRASIE [por casamento] (Born de NARBONNE) was born to Tonnance II de
FERREOL (born de NARBONNE) [este filho de Clarisma Syagra de FERREOL, filha de Flavius Afranius Syagrious ou Afranius
Algidius/syagrus de Lyon e de Galacia, AEGIDIUS, Gouverneur des Gaules, Roi
des Francs, c. 345 – c. 399, pai do General AEgidius - e Tonatus I
Ferreol, da Gália] Deotéria had 4 siblings (irmãos): Lucilia
(Ferreol) de PONTHIEU (born FERREOL) [que temos casada com o filho de Maria
Geneve, Theodobald Bayern. Este foi casado com moça de nome Lucile d´Alsace]
and 3 other siblings. Deotéria married Théodebert 1er MÉROVINGIENS
d'AUSTRASIE. His occupation was roi de Burgondie (534 – 548) Roi de Reims et
d'Austrasie. They had 2 children: Théodebald 1er. MÉROVINGIENS d'AUSTRASIE and
one other child.
(31) Pela historia dos borgúndios
obtivemos notícias da atuação do general
AEgidius. O general AEgidius cuja dinastia paterna era egidius/syagrius em 458 teria
defendido a região de Lyon de ataques
borgúndios. Sabemos pela historia borgonhesa que o lendário Gunther, pai
de Gedeoc havia liderado os borgúndios
através do Reno no início do século V, estabelecendo seu reino na ilha de Worms.
A história de Gunther até hoje famosa é representada na chamada saga dos borgúndios,
“Canção dos Nibelung”. Os burgúndios
refugiados da destruição de Worms pelos hunos de Atila em 437 foram,
entretanto, reinstalados em Lyon pelo general romano Flávio Aécio. Gunther apoiara o usurpador imperial Jovinus
(em 411), mas caíra na batalha contra os
hunos. Por fonte enciclopédica com nossos
acrescentamentos: “Em 451, [seu
filho] Gedeoc ou Gondioc (430 ?- f.473) (Gunderic e Gundowech), agora rei dos borgonheses juntou forças com Flavius Aetius contra Átila, o
rei dos hunos em célebre batalha
nas planícies dos Campos Cataláunicos. Em 457,
sufocou uma rebelião em Lyon e conquistou a cidade, violando os termos de seu
relacionamento com os romanos. Em resposta, o Imperador Majoriano expulsou
Gundioc da cidade. Após o assassinato de Majoriano em 461, Gondioc retomou uma
política expansionista. Ele fez de Lyon sua nova capital, tomando posse das
províncias de Gallia Lugdunensis (agora Borgonha) e, em 463, Gallia Viennensis
(vale do Ródano). Após a morte de Aécio, em 454 Gondioc casara-se com a irmã de
Ricímero [Helène ?], general
(vizi)gótico [filho de Teodorico I, vizigodo] [tornado patrício da Borgonha]
que na época governava o Império Romano Ocidental”. Pela Enciclopédia Britânica
e pela Prosopografia do Império Romano Posterior, vol. 2, pág. 523, Gandioc foi
mais tarde casado, como registram fontes genealógicas, com Caretena dos Suevos. Por fontes inseguras Caretena seria bis-neta
de Hermengarda dos Ostrogodos, a avó
de Riquiário (382-435). Requiário casado com Flavia dos Visigodos (395), filha do rei vizigótico Teodorico I,
teriam sido pais de Caretena nascida possivelmente na Hespania - Para mais
detalhes sobre o general AEgidius
consultar seu perfil na Wikepédia e nosso trabalho “O general AEgidius e sua Genealogia”,
já publicado na revista ConTexto. O general
Aegidius citado nas notas 18, 30, 32,
33, 36 ainda texto abaixo e na nota 118.
(32) A dinastia “flaviana” ou dinastia
Flávia, foi uma dinastia romana que governou o Império Romano entre 69 e 96, nos reinados de Vespasiano
(69–79) e seus dois filhos, Tito (79–81) e Domiciano (81–96). Os “flavianos”
chegaram ao poder durante a guerra civil de 69, conhecida como "ano dos
quatro imperadores". No período
da atuação do general AEgidius e do general romano Flavio Aecius, os
“flavianos” eram ainda família muito
atuante em Lyon, como os Siagrii.
(33) Pela fonte MyHeritage e Geny, o general Aegidius é indicado como filho de Flavius Afranius Syagrious ou Afranius
Algidius Syagrus de Lion e da
Galácia. Pela fonte MyHeritage seu pai é apresentado como Governador dos Gauleses, Rei dos Francos. Pela
fonte Geny, aparentemente mais bem balizada, ele é apresentado como - Notarius
(369), Magister Memoriae (379), Proconsul da Africa
(379-380), Praefectus da cidade de Roma (381), Praetorian Prefeito da
Italia (380-382), Consul de Rome
(382), Senator gallo-Romano, Poeta,
Gallo-Romano. Sobre o general
AEgidius notas 18, 30,31, 32, 36
e ainda texto abaixo e nota 118. Para mais detalhes sobre o general AEgidius consultar seu perfil
na Wikipédia e nosso trabalho “O general AEgidius e sua Genealogia”, já
publicado na revista ConTexto.
(34) Eutrópia foi a primeira esposa de Afrianus Hannibalianus van Galatië (da
Galácia), nascido 10 de outubro de 275 na
Galatië (Galácia) Roemenië (Romenia);
ele a segunda vez casado com Syagra Hannibalianus (nascida van Syrië)
(da Siria). Eles tiveram um filho: Flavius Afranius Syagrious (ou
Sigrarii). Afrianus certamente ainda
pai de AEgidius Hannibalianus.
Eutropia é tida pela fonte MyHeritage como de
origem síria [seria ela uma Siagrii?]. A segunda vez foi casada
com o imperador romano Maximiano. Fato com comprovação histórica. Depois de
divorciada foi imperatriz-consorte romana. Os perfis de Afrianus Hannibalianus e
Eutrópia são apresentados na Wikipédia em
seu contexto histórico, com discussão sobre seus filhos. Ver texto adiante e ainda
nosso artigo “A Origem da dinastia Agilofings”, na revista ConTexto.
(35) Ver perfil de Afrianus Hannibaliens na Wikipédia, ainda nota 72.
(36) Sobre o general AEgidius ainda notas 18, 30,31, 32, texto abaixo e ainda nota 118.
Ver mais
detalhes sobre a atuação do general
AEgidius em nosso trabalho específico “A Origem da dinastia Agilofings”, na
revista ConTexto.
(37) No início da era
cristã fontes romanas indicam que as tribos marcomanas haviam se
estabelecido na actual Boêmia, depois de terem sido derrotadas por Nero
Cláudio Druso, general do imperador romano Augusto. A palavra Boêmia
proveniente de Boihaemum ou “Casa dos Boios”. Lembramos
que os boios, povo de longuíssima tragetória antes de Cristo, em
parte teriam sido superados ou vencidos pelos dácios. “Sob a
regência de Burebista (Berebista), contemporâneo de Júlio César, os limites do
reino dácio foram estendidos ao máximo. Conquistados, então, os bastarnas
e os boi ou boios, e mesmo as cidades gregas de Ólbia e Apolônia
no Mar Negro (Pontus Euxinus) que teriam reconhecido a autoridade do dácio”.
O óbido de Bratislava desde o
sec. II d. C. tornara-se o centro da “stirp” dos Bohemi ou boios.
Sobre os boemi ou boi ver adiante
tragetória e detalhes no texto e notas específicas 85, 90, 93, 109, 112,
ainda “Conclusão”. Os bohemi foram já objeto de nosso ultimo artigo “Notas sobre os povos Bóio ou Bohemi”, publicado na revista
Contexto em 2025.
(38) Teodoro II ou
V, duque da Baviera de 670 (mais provavelmente 680) até c. 716 estabeleceu a capital dos
duques bávaros em Regenburg, mas a transferiu pouco depois para Salzburg.
(39)
Tácito em sua obra Germania. Traducción de Requejo, 1981, 1-3. Apud
Fiorot, Juliana Bardelle - “A construção de um Reino Ideal (sec. V e VI)” Tese
de doutoramento, UNESP – 2021. Pdf.
(40)
Tácito - Germania. Traducción
de Requejo, 1981, 1-3. Apud Fiorot, Juliana Bardelle - “A construção de um
Reino Ideal (sec. V e VI)”. Tese de doutoramento, UNESP – 2021. Pdf.
(41)
Tácito - Germania. Traducción de Requejo, 1981, 1-4. Citado por Fiorot,
Juliana Bardelle - “A construção de um Reino Ideal (sec. V e VI)”. Tese de
doutoramento, UNESP – 2021. Pdf.
Ver comentários sobre os cabelos e os penteados
dos suevos em um artigo recente de Antonio Pagliuso - “O homem Osterby e seu
cabelo preservado com o nó Suebo”
https://www.vanillamagazine.it/l-uomo-osterby-e-la-storia-del-nodo-suebo/?fbclid=IwAR2Fvp3e0wAQOT42f7gFJ78AweMqY4E O homem de Osterby é um crânio de “múmia
do pântano”, do pântano Köhl, a sudeste de Osterby em Eckernförde (Alemanha). Novas
investigações da cabeça mostraram que o crânio exposto em uma exposição do
museu Schloss Gottorf recebeu uma mandíbula de outra cabeça, provavelmente por
razões estéticas, durante a preservação de Karl Schlabow.
(42) Jordanes menciona uma segunda vez os suevos como suécidos (suetidi) e os danos (dani) "da mesma estirpe" que
teriam expulsado os hérulos de suas
terras [hérulos, povo também oriundo da Escandinávia, que teria tido ligações
familiares com o rei suevo Hermérico]. Os membros destas tribos eram "os
mais altos homens". Ver mais sobre os suecos
nota 40 e 41.
(43)
A aparência atemorizante e agressiva dos suevos
deve ser associada ao símbolo a eles atribuído, a figura de um dragão alado. Assunto abordado com
detalhes na “Conclusão”.
(44)
Por fontes históricas resumidas na Wikipédia – “Ariovisto (101 a.C. — c. 54
a.C.) foi o chefe do povo germânico dos suevos, como conta Júlio César no De
Bello Gallico. Em 75 a.C., os
germanos chegam aos arredores de Mogoncíaco sob o comando de Ariovisto, onde
eles atravessam o rio Reno em sentido da Gália. Em 61 a.C., ouvindo o apelo dos
aliados sequanos, os suevos (talvez em uma coalizão germânica mais geral)
passam o Reno e infligem uma dura derrota aos éduos (representantes do "partidários pró-romanos" na
Gália independente) sem que Roma venha lhes prestar ajuda. Ariovisto decide
então estabelecer seus 120 000 homens em um terço do território de seus aliados
sequanos (entre as atuais Alsácia e Franco-Condado)], decisão imposta por força
na batalha de Admagetóbriga (hoje La-Moigte-de-Broie, perto de Pontarlier).
Tentando controlar sua fronteira setentrional bastante vulnerável (a Itália
romana terminava então aos pés dos Alpes do sul e a Gália romana na altura de
Viena Alóbrogo, atual Vienne), Roma saúda Ariovisto em 59 a.C. (César é cônsul
pela primeira vez), dando-lhe o título de "rei e amigo do povo
romano". Vencido e ferido quando da primeira campanha de César (em 58
a.C.), Ariovisto consegue se retirar para a Germânia graças a uma artimanha
(descrita como de baixo nível pelos romanos) feita em Cernay”.
Fontes
do verbete - Júlio César: De Bello
Gallico, livro I.
- Christian Goudineau, “César
et la Gaule, Errance, Paris, 1990.
- Christian Goudineau, “César
et la Guerre des Gaules”, in J. César, Guerre des Gaules, Imprimerie
nationale, Paris, 1994.
(45)
Fiorot, Juliana Bardelle - “A construção de um Reino Ideal (sec.V e VI)”. Tese
de doutoramento, UNESP – 2021- pdf.
(46)
Daniel Hope - História da Igreja - v. I Ed. Quadrante, pg.534.
(47)
Segundo essas informações, não muito seguras, suevos e alamanos teriam
quebraram as defesas romanas ocuparam a
Alsácia e desde lá a Baviera e a Suíça, embora uma parte deles tenha permanecido na Suábia - área no sudoeste da atual Alemanha que se estendia
desde a cordilheira de Vosges até
o rio Lech e
a cidade italiana de Chiavenna.
Realmente é provável que
os suevos
e alamanos após ultrapassar o Reno
em 406 tenham invadido a Alsácia, a Baviera e a atual Suíça. Uma parte
permaneceria na Suábia enquanto outra parte teria seguido para a Galícia. Informações
seguras afirmam que no ano de 496 os
francos derrotam os alamanos em
Zülpich, na Batalha de Tolbiac; e em 512
teríamos o fim das guerras entre os francos
e alamanos.
(48) Sobre Teodorico,
o Grande, ver texto na “Introdução” e notas acima 23, 27 e 102, ainda nosso
trabalho “A origem dos Agilofings”, editado na revista ConTexto, em especial
Item “Reis francos merovíngios” - Theodobert e Teodobald.
(49) Ver comentários no texto altura da nota 35. Sobre tervíngios e grutunos ver também texto e nota 16 acima, e 55 abaixo. Repetindo
informações enciclopédicas na Wikipédia: “Os tervíngios haviam se espandido, portanto, para sudoeste, cruzando
com freqüência a fronteira romana e realizando saques, até chegarem a um acordo
pelo qual os romanos lhes cediam à província
da Dácia (oeste da atual Romênia) em troca da paz, à época do Imperador Aureliano (270—275). Convertidos
em federados do império por Constantino
[I, 272–337, O Grande] este os
encarregou da defesa do limes danubiano em troca de importantes somas de
dinheiro, mas cedo teriam chegado os problemas. Se os romanos tinham de
pagar aos bárbaros para que os defendessem, quem impedir-lhes-ia receber mais
dinheiro que o de uma legião qualquer? Apesar das crises econômicas dos séculos
III e IV, os romanos continuavam tendo muito dinheiro, somente era preciso
colhê-lo. Assim, todas as vezes que os godos
estimavam que lhes convinha um aumento do seu soldo, cruzavam em armas o rio
Danúbio, saqueavam algumas cidades e voltavam às suas terras, comunicando aos
romanos que continuariam fazendo-o enquanto os subsídios não aumentassem. Assim
o fizeram até 370, quando foram
ameaçados pelos hunos”.
(50) Galazak, José - “A Diarquia Sueva – Sociedade
e poder no reino dos quadros e regnum suevorum (358-585 d.C)”, artigo na
Revista Portuguesa de Arqueologia, 2013, vol.16.
Amiano Marcelino – nascido na Antioquia,
atual Antáquia, Turquia, entre
325 e 330 – f.c. 391.
Historiador e militar de alta patente permaneceu pagão. Sua obra de grande
valor histórico é o único relato contemporâneo de um historiador romano, cuja
obra, entretanto, não nos chegou completa. Em Os Feitos relata desde a ascensão do imperador Nerva em 96 d.C, até a morte do imperador Valente e a Batalha de Adrianópolis, em 378,
num total de 31 livros.
(51) No
texto acima notar “... em 358 Vitrodorus, o filho do rei Viduárius,
rei dos quados”... Não confunfir
com Vinitário, nome do neto de Wultuuf [310- 378?], Vinitário ou
Vinitárius (f. 409), sucessor de Hermenericus - ver lista dos amalos
de Jordanes nota 66 e perfil em fonte insegura no texto, próximo à nota 74.
(52) Galazak, José - “A Diarquia Sueva – Sociedade e poder no reino dos quadros e regnum suevorum (358-585 d.C)”, artigo na Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.16, 2013, afirma: ”Sabemos... que [Viduárius em 358] tentou expandir o seu poder político, instalando no seu “regnum” onde antigas populações de etnia marcomana, os Baemi, preponderavam — a tribo de Agilimundus, de etnia quada”.
(53) Notitia dignitatum - documento único que descreve a administração
do Império Romano.
(54) Aurélio
Ambrósio (c. 340 – 397), por fonte enciclopédica conhecido como Ambrósio - arcebispo
de Mediolano (moderna Milão) tornou-se um dos mais influentes membros do clero
no século IV. Ele era prefeito consular da Ligúria e Emília, cuja capital era
Mediolano, antes de tornar-se bispo da cidade por aclamação popular em 374.
Ambrósio era um fervoroso adversário do arianismo.
(55) Sobre os godos
grutungos ou greutungos - ver
notas anteriores 16 e 49 (em latim: greuthungi); habitavam a região das estepes
do mar Negro. Pela fonte Wikipédia: “eram um povo godo nos séculos III e IV. Tinham relacionamento muito próximo com
os tervíngios, também godos, que habitavam a margem ocidental
do Dniestre”.
Lembramos
que já na década de 370 o rei Hermanerico
[315-375] – ultimo rei dos godos
enquanto ainda unificados - rei grutungo
- pessoalmente agressivo havia se suicidado, impossibilitado de se defender
frente ao avanço destes hunos sobre as terras de seu povo que habitava a região
das estepes do mar Negro, região pantanosa entre os rios Don e Dniestre. Ele
tudo indica tio do nosso jovem guerreiro Hermérico.
Também sobre
os tervíngios (em latim: tervingi), por
verbete bem balizado da Wikipédia – “foram um povo godo que habitava as planícies do rio Danúbio, a oeste do rio
Dniestre, durante os séculos III e IV. Mantinham relações estreitas com os grutungos, godos que habitavam a região
a leste do Dniestre, bem como o Império Romano (e, posteriormente, o Império
Bizantino). Arqueologicamente correspondem, com os grutungos, à cultura de Cherniacove.
[1] [2] A primeira menção histórica aos tervíngios nas fontes romanas
deu-se em 291. [3] Diferente das
demais tribos góticas, não eram governados por um chefe ou rei, e sim por um juiz (em gótico kindins ou em latim: iudex gentis/iudex regnum. [4] [5] O
título de rei ou chefe tribal (reiks)
era concedido aos chefes locais que controlavam as kunja (singular, kuni), as
subdivisões de território e povo. [6]”.
A chamada “Cultura de Cherniacove” foi descoberta
pos arqueólogos russos em 1900/1901, restos culturais em um cemitério em
Cherniacove, não muito distante de Kiev, na Ucrânia – os godos (tervíngios e grutungos) correspondem a pelo menos parte da
cultura de Cherniacove.
“Os
objetos da sepultura que eles escavaram mostraram uma marcada similaridade com
o material descoberto pouco tempo depois por arqueólogos romenos em um
cemitério na Transilvânia central, em Sântana de Mureș (Mureș é o rio próximo)
- Peter J. Heather, "The Santana de Mureș/Černjachov Culture” [4]. Na
mesma região - aproximadamente entre Volínia no norte, os Cárpatos a oeste, o
Danúbio e o mar Negro ao sul e o Donets a leste - uma única cultura
arqueológica é visível do final do século III até o começo do século V. Esta
cultura arqueológica é conhecida como cultura de Sântana de Mureș/Cherniacove e
é razoavelmente bem datada nos níveis arqueológicos. - Michael Kulikowski [5].
O epônimo é a vila de Cherniachiv no Oblast de Quieve [Kiev], na Ucrânia
(Cherniacove em russo). A cultura existiu entre os séculos II e V. Por volta
do ano 300, a cultura se estendeu para o baixo Danúbio e Transilvânia. É
atestada em milhares de sítios. Os godos
(tervíngios e grutungos) correspondem a pelo menos parte da cultura de
Cherniacove. [6] [7]” Ver nota acima 25
e bibliografia citada nota abaixo 56.
(56) Aquiulfo (em latim: Achiulfus) ou Atiulfo (em latim:
At(h)iulfus), Fonte enciclopédica Wikipédia - Segundo a Gética do escritor bizantino do século VI Jordanes, ([1] Clarke 2013, p. 273-274) foi um rei grutungo
do século IV, membro da dinastia dos amalos. Pertencia à nona geração de
líderes góticos, sendo ele filho
de Atal [ou Atala] e pai de Ansila, Ediulfo, Vuldulfo/Vultulfo e Hermenerico. [2] [3] [4]. Hermenerico (também rei grutungo, godo) filho
deste Aquiúlfo.
1.
Clarke 2013, p. 273-274.
2. Christensen
2002, p. 160.
3.
Grimm 2012, p. 372.
4.
Martindale 1971, p. 9.
Clarke, M. G. (2013). Sidelights on
Teutonic History During the Migration Period. Cambridge: Cambridge University
Press.
Christensen, Arne Søby (2002).
Cassiodorus, Jordanes and the History of the Goths: Studies in a Migration Myth.
Copenhague: Museum Tusculanum Press.
Grimm, Jacob. Teutonic Mythology. 1.
Cambridge: Cambridge University Press.
Martindale, J. R.; Jones, Arnold
Hugh Martin; Morris, John (1980). The prosopography of the later Roman
Empire - Volume 2. A. D. 395 - 527. Cambridge e Nova
Iorque: Cambridge.
(57) Pela Wike com
bibliografia: Atal (Athal) ou Atala (Athala), segundo a obra Gética de
Jordanes foi um rei grutungo da dinastia dos Amalos [1]. Pertencia à
oitava geração de líderes góticos, sendo filho de Hunuíno [2] e pai de Aquiulfo
e Odulfo. [3] De acordo com M. Schonfeld, seu nome poderia ser
etimologicamente ligado à palavra germânico-gótica para nobreza (Adel), embora
também seja possível vinculá-la ao turco Adal, que significa "tome um nome”
[2] [2] [3] [4].
(58) Ansila teria
sido rei vizigodo por fonte insegura [“Ansila de GOTH, roi des wisigoths
318-381”] e teria morrido antes da invasão dos bárbaros. Ver nota acima 56
e abaixo 60. Também sobre o seu irmão, o rei suevo Wuultruf
na nota 56.
(59) Hermanerico [315-375] aparece
citado na lista dos amalos de
Jordanes - nota acima 56. Já com
perfil na Wikipédia – ultimo rei dos godos,
enquanto ainda unificados. Ver notas 20,
24, 51, 55, 68.
(60) Ver mais sobre Ansila nota 58.
(61) Sobre grutungos e tervíngios, ver notas acima 15, 49 e 55. Ver
nota abaixo 62 a lista da dinastia dos amalos completa. Ver
também nota 56 relativa ao rei amalo dos suecos, Wuultuf.
(62) Os amalos eram uma “stirp” da
etnia goda dirigida por juízes. Na lista dos reis da dinastia amala
de Jordanes depois de Atal citado Aguiulfo, antes
de seus filhos Ansila, Ediulfo, Vultufo e Hermenerico. Repetindo o próprio Jordanes: “Amal
gerou Hisarna. Hisarna, além disso, gerou Ostrogoda, e Ostrogoda
gerou Hunuíno, e Hunuíno por sua vez gerou Atal. Atal gerou Aquiulfo
e Odulfo. Agora Aquiulfo gerou Ansila e Ediulfo, Vultulfo e
Hermenerico. E Vultulfo gerou Valaravano, etc.
A elevação
de Alarico I, o Calvo (r. 395–410), um tervíngio, a rei godo
teria sido inédita - ele membro da dinastia balto; antes dele os godos
haviam sido governados por "juízes" para resolverem disputas
entre si (Ver mais sobre Alarico I ainda nota abaixo 64).
Fonte Matyszak, Philip (2013). Os Inimigos de
Roma. De Aníbal a Átila, o Huno. [S.l.: s.n.]
(63) Sobre os AEgidius/Siagri provenientes
da Romênia e da Síria, estirpe
aegidius/ hanibaliannus/siagrii, certamente muito mais antiga, a qual
pertenceu o general AEgidius e seu avô um Aegidius Hannibaliano, ver neste trabalho texto acima.
(64) A
doutoranda Fiorot, Juliana Bardelle -
“A construção de um Reino Ideal (sec.. V e VI)”, tese de doutoramento, UNESP, 2021, pdf, afirma a continuidade desta
dinastia agilof goda por Ataulfo
dos Godos, um rei visigodo já da
dinasta baldo (r. 410-415), casado em
414 com Gala Placídia, filha do Imperador Teodosio, o Grande, depois
da invasão de Roma por Alarico I (r. 395–410), seu cunhado,
também um baldo. Ver mais nota
abaixo 65. Diz Fiorot: “As menções que [o bispo] Hidácio
traça acerca da família imperial vigente concentram-se nas notícias sobre os
filhos de Teodósio I, frutos dos casamentos que contraiu ao longo de sua
vida. Das três uniões que estabeleceu, destacamos as personagens de Arcádio
(imperador do Oriente entre 395-408) e Honório (imperador do Ocidente
entre 393-423) - filhos do primeiro casamento - e Gala Placídia - filha de seu
segundo casamento. [Placídia não era filha do casamento da tia do general
AEgidius com Teodoro]. Gala Plácida casada com o godo Ataulfo em 414
ficou viúva em 416. Depois de ser devolvida ao seu meio irmão Honório, este a
obriga a contrair matrimônio com Constâncio III, imperador do Ocidente
(421). Desta união, nasceria o futuro imperador Valentiniano III. Ver
mais sobre Ataulfo nota abaixo 65.
(65) Ataulfo (em gótico: Aþawulfs,
[Azerbaijano atual) Athavulf [2] e Atawulf [3], lit. "lobonobre"; [4]
em latim: Ataulphus), tem perfil enciclopédico muito balizado na Wikipédia,
também mencionado como Atavulfo (em latim: Atavulfus), Atiulfo (em
latim: Atiulfus), Adaulfo (em latim: Adaulfus) [5] ou Adolfo (em latim:
Adolphus) [6]. Foi rei visigótico entre 410
e 415. Membro da dinastia dos baltos através o casamento de uma irmã
sua de nome desconhecido com o rei visigótico
Alarico I (r. 395–410) - com a morte de seu cunhado em 410 foi nomeado
rei. Sob seu reinado, os visigodos
deram continuidade à sua migração, partindo agora da Itália à Gália onde se
instalaram permanentemente e criariam o embrião do posterior Reino Visigótico. Casou com Gala
Plácidia filha de Teodósio, O Grande.
(66) A fonte MyHeritage FamilyTree - Sosa:
185.448.677.099.040) bem se encaixa em relação às datas e ao contexto deste rei
Wultulf (Vutufo) - VULTULF aparece na lista de Jordanes que
numera a lista completa dos godos de dinastia amala:
“Amal gerou Hisarna. Hisarna, além disso, gerou Ostrogoda, e Ostrogoda gerou
Hunuíno, e Hunuíno por sua vez gerou Atal. Atal gerou Aquiulfo e Odulfo. Agora Aquiulfo
(dos godos de dinastia amala) gerou Ansila e Ediulfo, Vultulfo e
Hermenerico. E Vultulfo gerou Valaravano e Valaravano gerou Vinitário.
Vinitário, além disso, gerou Vandalário; Vandalário gerou Teodomiro e Valamiro
e Videmiro; e Teodomiro gerou Teodorico [O Grande]. Teodorico [O Grande] gerou
Amalasunta; Amalasunta gerou Atalarico e Matasunta de seu marido
Eutarico, cuja raça [?] foi assim unida à dela em parentesco. Ver mais
sobre Wultulf texto e notas 56, 100 e 113.
(67)
Sobre Godegisel, rei vândalo asdingo, sugestão
de sites modernos, reproduzidas
abaixo notas 104 e 105.
(68) Kulikowski, Michael (2007)- Rome's
Gothic Wars, pp. 111, 112, e
Amiano Marcelino, Res Gestae XXXI 3. Hermenerico já possui perfil na Wikipédia. As suas datas, entretanto, só são referidas
em fontes não seguras da linhagem goda. Suas datas não constam de seu perfil na
Wikipédia. Ver ainda texto e notas 20, 24,
55, 59.
(69)
Os perfis de Atanarico e Fritgerno na
Wikipédia já são bem balizados: “O governo de Atanarico como juiz dos tervíngios
esteve limitado no tempo e teve que ser renovado periodicamente desde 365
devido a constante exposição desta confederação tribal às ameaças internas e
externas [4]. Aparentemente, sua liderança apaziguou as aristocracias tervíngias e romana, embora não impediu que seu rival Fritigerno
ascendesse. Para conseguir o apoio de [imperador] Valente, Fritigerno
converteu-se ao cristianismo ariano [2].
Durante os séculos III -IV muitos tervíngios
converteram-se ao arianismo, mas
Atanarico manteve-se fiel a antiga religião
pagã dos germanos [melhor dos godos], pois considerava que o cristianismo
sufocaria as tradições góticas.[5]
Entre 369-372, Atanarico iniciou a perseguição dos godos cristãos. Segundo Sozomeno, ele nomeou Vingurico para
erradicar o cristianismo e neste processo 308 cristãos foram mortos [6].
(70) Pela
fonte da Wikipédia, verbete Batalha de
Adrianápolis. Por esta fonte enciclopédica detalhada: “O desastre para o
lado romano foi tanto que em poucas horas de uma abrasante tarde de agosto 20
000 dos melhores soldados do império perderam a vida na região semiárida da
Trácia, província romana ao sul do rio Danúbio. Foi uma verdadeira
carnificina, onde, além de o próprio imperador Valente, muitos capitães, 35
tribunos, dois altos funcionários do palácio e dois generais pereceram no
combate. A partir daí, os bárbaros acumularam tanto poder que, em 410,
saquearam a própria Roma.
A batalha foi uma das mais importantes
na história romana, pois prenunciou o colapso final do Império Romano do
Ocidente no século V. Também significou a mudança da infantaria para a
cavalaria como força principal de combate, pois foi graças à chegada da
famosa cavalaria ostrogoda, no
momento em que os exércitos romanos atacavam o acampamento godo, que a
batalha se decidiu, impondo às legiões romanas um verdadeiro massacre.
Curiosamente, o embate deu-se no Império Romano do Oriente, que sobreviveria à
sua contraparte ocidental até 1453”.
Bibliografia específica.
3 KULIKOWSKI, Michael (2008). Guerras
Góticas de Roma. 1 1 ed. São Paulo: Madras.
4 M. A., Linguistics; B.
A., Latin. «Valens and the Battle of Adrianople (Hadrianopolis)». ThoughtCo.
5 «The Battle of Adrianople». web.archive.org.
Ver
também sobre esta batalha o historiador romano Amiano Marcelino, Storie (tradução para o italiano do
original latim: Rerum Gestarum libri XXII), Milão, 2001. Amiano Marcelino, The
Roman History of Ammianus Marcellinus During the Reigns of The Emperors
Constantius, Julian, Jovianus, Valentinian, and Valens (Londres: G. Bell
& Sons, 1911), pp. 609–618. Cfr. Ancient History Sourcebook: Ammianus
Marcellinus (330-395 CE): The Battle of Hadrianopolis, 378 CE.
(71) Resumo por
fonte enciclopédica Wikipédia, com nossos acrescentamentos: “Alarico I, o
Calvo (r. 395–410) foi líder de um grupo de soldados
[godos] e serviu sob o imperador Teodósio I até a morte deste em 395. Nesta ocasião o império divide-se
de novo na sucessão entre irmãos: o Império Romano do Oriente com Arcádio,
e o Império Romano do Ocidente com Honório [que temos como sobrinhos do general
Aegidius]. Nesta situação Alarico viu a possibilidade dos seus godos criarem um reino para si [como o
próprio general Aegidius pensou um reino para si próprio logo depois, em
Soisson]. Assim, Alarico foi levantado sobre um escudo e proclamado rei
da nação dos godos livres. Essa
consagração foi inovadora, porque antes os godos
eram governados por "juízes" para resolverem disputas entre si. [Ver
sobre amalos e tervíngios nota 85]. Depois
de ataques a várias regiões, Alarico promoveu três cercos a Roma que
culminam com o saque de 25, 26 e 27 de agosto de 410. Este cerco foi mais breve
que os anteriores, pois a Porta Salária foi aberta aos invasores, talvez para
evitar os dramas de peste e fome dos cercos anteriores”. A fonte bem balizada
termina afirmando: “Ao fim de quase oito séculos, Roma era subjugada por um
exército invasor, o exército dos visigodos
de Alarico. O saque de 410 não causou grande destruição, como depois ocorreria
com os saques vândalos... Apesar de [Alarico]
nunca ter pisado na Península Ibérica é considerado o primeiro rei Visigodo
na História de Espanha, onde o seu povo se estabeleceu após sua morte,
conduzido pelo seu sucessor, Ataulfo”.
Ataulfo dos Godos
reinou entre 410-441 e já era um rei visigodo
de dinastia baldo; em 414 foi casado
com Gala Placídia, filha do Imperador Teodósio, depois da invasão de
Roma por Alarico I (r. 395–410), seu cunhado
também baldo. Ver nota acima 65.
(72). O avô
paterno do general Aegidius foi AEgidius
Hannibalianus [300 - 364] curiosamente com datas muito próximas ao do
lendário Agiulf dos Godos, tido como
nascido em em 290, falecido em 350, com 60 anos. Este avô do general AEgidius
por fontes genealógicas seria filho de um ainda mais antigo - Afranius ou “Afrianus
Hannibalianus van Galatië” (da Galácia ex-esposo de Eutrópia,
síria, nascido 10 de outubro de 275 na
Galatië (Galácia), Roemenië (Romênia);
posteriormente casado com Syagra Hannibalianus (nascida van Syrië) (da
Síria). Eles tiveram um filho: Flavius Afranius Syagrious (ou Sigrarii).
Afrianus Hannibaliano da Galácia
como observamos, chegou ao cargo de senador e no século anterior (sec. III)
fora general e administrador do Império - personagem importante no reinado do
imperador Maximiniano. Sua possível ex-esposa Eudoxia então já casada em
segundas núpcias com Maximiniano. Seu perfil na Wikipédia informa: ...Afrianus
Hannibalianus van Galatië “provavelmente
é oriundo duma família nativa de algumas das províncias orientais do Império
Romano [por fonte insegura tido como nascido na Romênia]. Ele iniciou
sua carreira como comandante militar sob o imperador Probo (r. 276–282)[1]. Era
membro da ordem eqüestre (por conta de ser citado oficialmente como homem
eminentíssimo, um título reservado a eqüestres) [2] e provavelmente foi nomeado
à ordem senatorial após a morte do imperador em 282 [3].”
(73) Sobre Aelia
Flavia Flaccilla Augusta, tia do general Aegidius, foi casada com o
Imperador Teodósio e mãe dos futuros imperadores, Arcádio (imperador do Oriente
entre 395-408) e Honório (imperador do Ocidente entre 393-423). Ver também
texto acima.
(74)
Sobre Agiulf I, citado na fonte
segura da Abadia de Mettlach temos longo texto “Os Agilofings” a ser publicado
em nosso blog, resumido no artigo “A origem dos agilofings”, este já publicado
na revista ConTexto.
Por fonte genealógica MyHeritage, fonte
insegura, https://wc. rootsweb.com/trees/104925/I7053/-/ahnentafe o pai de
Agiulfo, que se encaixa seria um Agivaldo,
filho do huno Velphio Agilofings que em
cerca de 385 teria sido "Rei dos Alemanni", casado com uma senhora d´Alamannia [alamanna]. A fonte também apresenta perfil para este
nome Agivald, indicado como duque, suas datas entre 415 - 508.
(75) Foto - The
Fairy Glen, Isle of Skye, Scotland. By Arlete Faibicher. A Ilha de Skye é a maior e a mais
setentrional das ilhas do arquipélago das Hébridas,
na Escócia. Por
fonte local da ilha, seu nome vem do norueguês antigo Skið = "ski",
uma alteração da palavra picta original,
que nas fontes romanas é mencionada como Scitis (Cosmografia de Ravenna)
e Scetis (no mapa de Ptolomeu).
(76)
Odoacro representando os hérulos enfrentou Teodorico I, o
Grande Ostogodo em Ravena e tem perfil detalhado na Wikipédia. Assumiu como
rei dos hérulos, povo referido nos
século III - VI. Segundo alguns autores os hérulos seriam também originários do sul da Escandinávia.
Alguns deles teriam mesmo regressado após séculos de ausência à Escandinávia
natal. Invadiram o Império Romano no século III, provavelmente após serem
expulsos de sua região de origem. Os hérulos
estabelecidos na região da costa do Mar Negro, não teriam permanência tranqüila.
Entre o século III e o IV foram dominados pelos ostrogodos e pelos hunos.
“Em
5 de março de 493, o bispo João abriu os portões da cidade de Ravenna e os
ostrogodos entraram em Ravenna. No dia 15 Teodorico e Odoacro encontraram-se
num banquete, organizado pelos godos que o mataram traiçoeiramente. Parece que
no leito de morte Odoacro exclamou: “onde está Deus? a que o amalo respondeu “foi
por isso que você fez comigo”.
Ver ainda sobre Odoacro nota 104.
(77) Sobre os bohemi ou boios notas 37,86, 90. 93,
109, 112 - comentário do articulista Galazak na nota 90; mais na “Conclusão”.
(78) Eutrópio (Flavius Eutropius) - historiador romano da segunda metade do século IV. “Desempenhou o cargo de secretário (magister memoriae) em Constantinopla, acompanhou o imperador Juliano, o Apóstata (r. 361–363) na sua expedição contra os persas (363) e ainda vivia no reinado do Imperador Valente (r. 364–378), a quem dedicou o seu “Breviário da História Romana”.
(79) Sobre os marcomanos,
ver mais no texto acima e abaixo.
Por fonte enciclopédica bem balizada Wikipédia: “As guerras
marcomanas ou marcomânicas (chamadas pelos romanos em latim de “bellum
Germanicum” [1] "guerra dos germanos", ou expeditio Germanica,
"expedição germânica") foram uma série de conflitos militares que
duraram mais de doze anos, de por volta de 166 d.C. até 180, nos quais o
Império Romano enfrentou os marcomanos, os quados e outros povos
germânicos, ao longo de ambas as margens do alto e do baixo Danúbio. A luta
contra as invasões germânicas ocupou a principal parte do reinado do imperador
romano Marco Aurélio, e foi durante estas campanhas que ele começou a
escrever sua obra filosófica, Meditações,
cujo primeiro livro traz o comentário: "Em meio aos quados, no
[rio] Granua.” [2] 1 «Meditações, Livro 1».
Internet Classics Archive. 2 Historia Augusta, Marco Aurélio, 12,
92
A
fonte Wikipédia muito bem balizada, com todas as fontes sobre os marcomanos
cita a rainha marcomana Fritigil na lista de reis marcomanos trancrita
abaixo, referida com nossos próprios comentários. Seria ela uma guerreira
típica marcomana, pois estes sabemos empregavam mulheres guerreiras em combates?
“No século
II, os marcomanos liderados por Balomar federaram-se com outros
povos, como os quados, os vândalos e os sármatas, para enfrentar
o Império Romano. Sendo essencialmente guerreiros, os marcomanos empregavam
mulheres em combates. Segundo relata Eutrópio, o imperador Marco
Aurélio combateu esta federação marcomana durante três anos em torno
da fortaleza de Carnunto, na Panônia. Tudo indica, portanto que já no
sec.II os marcomanos usavam combater com aliados em federação.
Lutaram
contra os romanos até a conclusão da paz à época de Cómodo. Na era das
grandes migrações germânicas, os marcomanos dividiram-se em vários ramos, tendo
um deles acompanhado os suevos no seu trajecto até a Península Ibérica
onde, junto com os quados e os búrios se estabeleceram na Galécia romana
como federados (actual Galiza e norte de Portugal), onde Hermerico
fundou o reino suevo da Galécia. Bracara Augusta (a actual cidade de Braga em
Portugal), antiga capital da Galécia romana, tornou-se a capital do reino suevo”.
- lista referida pela
fonte dos reis marcomanos:
Marobóduo c. 9 a.C. – 18 d.C. [3] Catualda, 18 – 20 [4]
Vânio, 20 – c. 50[5] Vangião e Sidão, c. 50 –? [6] Balomar, c. 166? – 172 ou
178 Átalo [ou Atala?], c. 260 – 262, Fritigil, rainha em meados do
século IV [rainha mencionada depois de Athala falecido em. 336 - ela que sabemos atuando em 358, ver nota abaixo 80]
- Referências da fonte:
Enciclopédia Delta Larousse, Caio Júlio César, De Bello Gallico eTácito, Anais,
2.62-3 Tácito, Anais, 2.62-3 Tácito, Anais, 2.63; 12.29–30 Tácito, Anais,
12.29-30.
- Bibliografia clássica citada: Tácito, Germânia e Anais;
Eutrópio, Breviarium historiae
Romanae, livro VII.
(80) Segundo a Notitia Dignitatum (documento único que
descreve a administração do Império Romano) uma rainha Fritgil (a mais nova delas?)
realmente teria conseguido convencer seu marido a se submeter à autoridade
romana – e sua tribo (marcomana ou alana?) “caiu sob o poder de um “tribuno”!).
Teria sido este seu marido um godo da dinastia amalo? Pois estes
eram governados por "juízes" ou “tribuno civis” para resolverem
disputas entre si. Ver ainda sobre esta Fritigil comentários ainda
abaixo no texto.
O próprio texto de Galazak: “E, em 396
sabemos que o bispo Ambrósio de Milão contacta com Fritigil,
identificada como “rainha dos Marcomanos”, à qual faz chegar um catecismo para ajudar
na conversão do seu povo e uma recomendação para persuadir o marido a fazer a
paz com Roma (Thornton, 2008, p. 112). O povo de Fritigil é muito
provavelmente o grupo de Marcomanos que nesse mesmo ano de 396 se entrega à
protecção de Roma (Heather, 1995, p. 9)”.
(81) Os
amalo, “stirpe” goda era dirigida por juízes. Na lista dos reis de dinastia amala
de Jordanes aparece depois de Atal citado Aguiulfo, antes
de seus filhos Ansila, Ediulfo, Vultufo e Hermenerico.
Citando Jordanes: “Amal gerou Hisarna. Hisarna, além disso, gerou
Ostrogoda, e Ostrogoda gerou Hunuíno, e Hunuíno por sua vez gerou
Atal. Atal gerou Aquiulfo e Odulfo. Agora Aquiulfo gerou Ansila e
Ediulfo, Vultulfo e Hermenerico. E Vultulfo gerou Valaravano, etc.
Hunuíno, Hunuil ou Hunil (210-280)
tem já perfil na Wikipédia – “conhecido como "aquele que é imune à
mágicas", rei grutungo da dinastia dos amalos. Ele pertencia
à sétima geração de líderes góticos sendo filho de Ostrogoda e pai
de Atal. Segundo Hyun Jin Kim, seu nome poderia ser de origem turca
que combinava o nome imperial hun e il, em túrquico significa povo
ou Estado, talvez indicando algum parentesco e filiação com os hunos.
Conferir as fontes na Wikipédia.
A elevação do
godo Alarico I, o Calvo (r. 395–410),
da dinastia balto a rei teria
sido inédita, porque antes os godos eram governados por "juízes" para
resolverem disputas entre si. Fonte Matyszak, Philip (2013). Os Inimigos de
Roma. De Aníbal a Átila, o Huno. [S.l.: s.n.] ISBN 978-85-204-3746-9. Ver
mais sobre Alarico notas 71, 62.
(82) Região da “Marcomannia” - nome que o imperador romano Marco Aurélio iria
dar à província que pretendeu fundar no final das guerras marcomânicas,
conforme comentado na Historia Augusta,
Obra de Marco Aurélio citada, na nota acima 79.
(83) Galazak, artigo de 2013.
Ver também acima texto e notas respectivas.
(84)
Sobre a origem goda, ou melhor ostrogoda de Emengarde já afirmamos acima: “Godos teriam sido, portanto, os
ascendentes de “Emergarde d´Óstrogothie 355-382)
mãe do suevo Hermérico, citada por
fontes não seguras como filha de Agiulf Ostrogodo
[320? - f. 364?] de dinastia agilofing – goda,
como sugerem pesquisadores modernos tentando penetrar o passado étnico pela
genealogia. Pela lista de Johanes, Agiulf
dos Godos que fontes não seguras indicam nascido em 290, falecido em 350,
com 60 anos, e seu pai Athala dos Godos [vivo entre 270-336], os
quais pelas datas muito se aproximam
dos ascendentes do general AEgidius, um
aegidius /siagrii e, especialmente, no contexto histórico referido acima.
Archiulf d'OSTROGOTHIE 320-355 + ?
Hemengard Ostrogothie
With Bitheid de SOUABE, born in 350,
deceased in 401 aged 51 years old (Parents :
§
§
§
§
§
§
§
§
§
§
§
§
o
§
(85)
Em relação à origem e história dos godos,
que não são nosso objetivo
principal, vamos nos limitar a compor um quadro razoável e concatenado a partir
de trabalhos enciclopédicos bem balizados e apresentados pela Wikipédia:
“Em geral para os godos é atribuida uma origem continental européia, oriundos da
costa do sul do mar Báltico, algures na Polônia dos nossos dias, de onde os
Godos teriam migrado para o Sul, até se estabelecerem entre o rio Danúbio e o
rio Don, onde acabaram por se dividir em dois ramos, chamados tervíngios e grutungos, com dinastias
reais e territórios separados” [3] [9] [18] [19] [20] [21]. Entretanto, para lingüistas modernos, a
origem dos godos é mais antiga, e é “identificada na ilha de Guthland ou
Gotland no mar Báltico - o nome dos godos
idêntico ao dos gutar, os habitantes
de Gotlândia, uma ilha do mar Báltico.
O número de similaridades que existiam entre a língua gótica e
o gútnico antigo fez o proeminente linguista
sueco Elias
Wessén considerar
o gútnico antigo como sendo uma forma de gótico. O mais famoso exemplo é que tanto o gútnico quanto o
gótico usavam a palavra lamb para
carneiros jovens e adultos.... O nome geográfico sueco, Gotland, deriva possivelmente das palavras
nórdica "gutar" (o nome do povo habitando a ilha; literalmente,
"os homens") e de ”land” (terra ou ilha), significando ”terra dos
gutas”. A forma ”Gotland” - com ”o” - parece ser uma influência do baixo-alemão
medieval, talvez em combinação erudita posterior com “goter” (godos). A província está mencionada
como "Gutlandi", em escrita rúnica em sueco antigo no século XI, na saga como ”Gutland dos Gutas”,
em gútnico antigo no século XIII, e como ”Gutland” no século XIV [13] [14].”
Já o historiador Jordanes nos apresenta a idéia de que os godos seriam o mesmo povo que os gautas do sul da Escandinávia e os getas das margens do Mar Negro, visto
terem nomes semelhantes. Os getas seriam
então tribos trácias ou dácias que ocuparam as regiões ao sul do Baixo Danúbio,
na região do atual norte da Bulgária, e ao norte do Baixo Danúbio, na Romênia.
A região ocupa a hinterlândia das colônias gregas da costa do Mar Negro, o que
propiciou aos getas contato com os
gregos antigos. Na sua obra Gética,
publicada em 551, Jordanes apoiava-se numa obra anterior chamada História Gótica, escrita pelo escritor
romano Cassiodoro por volta de 526-533, na qual este afirmava que os godos eram originários de uma ilha do
Mar Báltico chamada Scandza. ... O
próprio Cassiodoro usou como fonte uma outra obra, igualmente perdida, do
historiador romano Ablávio do século V-VI, na qual este teria afirmado que os godos teriam vindo de uma ilha do Mar
Báltico, sem, todavia indicar o nome. [7] [10] [13] [14] [15] [16] Scandza
é uma ilha do mar Báltico no norte da Europa... Parece ser um nome arcaico
usado para referir à península da Escandinávia, que os antigos julgavam ser uma
ilha. Jordanes descreveu a área para contextualizar a sua descrição da
mitológica migração dos godos, da
Escandinávia para a Europa continental. Seu relato mistura observações corretas
com descrições fantasiosas das regiões nórdicas e de várias tribos escandinavas
do século VI, baseadas em informações provenientes de fontes diferentes [1] [2]
[3].... Sabemos que a elite gótica mantinha
a sua posição através de alianças de famílias e de um mito de origem da
comunidade gótica. Na qualidade de ministro do rei godo Teodorico, o Grande,
Cassiodoro tinha conhecimento dos cânticos góticos que falavam das suas
origens, e sabia como era apreciada a história de um passado gótico
extraordinário e grandioso. E Jordanes, como funcionário do Império Romano,
estava igualmente consciente do interesse dos romanos na reabilitação e
elevação dos seus novos aliados godos, esquecendo o seu passado bárbaro [9]
[10] [11] [17] [16].
A trajetória da migração goda provavelmente semelhante a
que fizeram os lombardos,
também saídos da Scania ou Scandza”.
(86)
Galazak (2013) afirma que os boemi eram
antiga etnia marcomana que
predominavam no reino dos quados:
“Viduárius, rei dos quados, tentou expandir o seu
poder político, instalando no seu regnum — onde antigas populações de etnia marcomana,
os baemi ou boemi, preponderavam - a tribo de Agilimundus
[um subregulus] de etnia quada”.
Entretanto, sobre a origem mais antiga e
remota dos boemi encontramos em
fontes enciclopédias a ilha de Bornholm
ou Boríngia (em dinamarquês: Bornholm; em latim: Boringia) uma ilha
dinamarquesa situada no mar Báltico. Está localizada a leste das restantes
ilhas da Dinamarca (170 km de Copenhagen. Fica junto à pequena ilha de
Ertholmene, localizada 18 km a noroeste). Supõe-se que a ilha foi também ocupada
na Antiguidade pelos burgúndios,
procedentes da Escandinávia que se instalaram na zona sudeste da França nos
finais do Império Romano. É significativo que o nome da ilha em nórdico
antigo fosse Bungundarholm; Alfredo,
o Grande traduziu no século IX o topônimo, tomado de Orósio, como "Terra
Burgenda" (Burgenda Land). (Neste trabalho ver borgúndios nota 31).
É também informado por fontes enciclopédicas
que no passado longínquo, os bohemi pelo
vale do Pó teriam chegado até mesmo à Bolonha, na península italiana e
convivido com etruscos, ainda apoiado
a invasão do notável general Hanibal - depois migrando novamente para o
centro europeu. Há notícias então que
a tribo dos éduos, já com cidadania
romana, permitira que antigos sobreviventes bohemi ou boios fizessem
assentamento em seu território, no “ópido” da cidade romana de Gorgobi. (Os
éduos (celtas?), antigo povo da
Gália, habitavam esta região da actual Borgonha. Os éduos haviam sido aliados dos romanos contra os alóbroges e arvernos, mas foram aliados de Vercingetórix.
O imperador romano Cláudio concedeu aos éduos
a cidadania romana).
Mais
tarde, parte de boios ou boemi que
teria permanecido na atual Hungria, perto do Danúbio e do rio Mur tendo como
centro o óbido de Bratislava haviam passado a viver na Baviera -
formando nesta região um novo povo - os bávaros.
O nome Boémia deriva de Boihaemum ou casa dos Boios. Os Baiovarii
ocuparam a região nos séculos V e VI d.C., mas perderam o seu domínio, submetidos
em verdade pelos francos. As tribos eslavas, que chegaram durante o século I
d.C. dominavam o território no século VI. A partir do século X, a família dos
Premyslidas teria exercido a sua autoridade na Boêmia Central. Na “Conclusão”
os Hannibalianus são também referidos.
Mais sobre
os bohemi ou boios notas 37, 90, 93 (quase repetição desta),
109, 112 - comentário do
articulista Galazak adiante na nota 90.
Sobre a
“stirp” boemi ver mais texto acima e na Conclusão. Ainda nosso artigo “Notas sobre os Boemi”,
editado na revista Contexto em 2025.
(87) Ver Wultruuf
citado na lista completa dos reis godos amalos de Jordanes na nota 66 – ainda citado nas notas 88, 100 e 113.
(88)
Comentamos e sugerimos algumas hipóteses relativas à origem materna de Wuultruf - sua possível origem na
mítica Frilla Habbra que é citada em listas modernas como mãe do rei Wultruuf – ela nascida cerca de 290,
casada com Aquiulfo ou Agiulfo dos Godos [290 – 350
[talvez 300-364?] - poderia ela ser a
própria rainha marcomana Fridigil? citada acima, que
calculamos reinou depois de 336 (após a morte de Athala dos
Godos). Seria também Agilomundus “subregis” da etnia dos quado
citado em 358 por Galazak, nome godo ou huno, o mesmo Aquiulfo
(290-350 [talvez 300-364], de
dinastia amalo, “tribuno” ou juiz, com nome modificado, crisitianizado?
É possível - ver argumentos em especial nesta mesma nota, nas letras b e
c.
A rainha Fritigil deste quarto século aparece
na lista dos reis marcomanos atuando em 336, precedida nesta lista por Átalo
(ou Atalan ou Athala dos Godos [270- 336?] [na lista dos reis marcomanos Athala
aparece r. 260 – 262] [Na lista do general AEgidius, seu avô Agiulf
Halibanianus indicado n. 300- f. 364]. Atalo precede Aquiulfo na
lista dos amalos de Jordanes, como seu pai (seria em verdade seu sogro?)
(a)
Aquiulfo (em latim: Achiulfus) ou
Atiulfo (em latim: At(h)iulfus), segundo a Gética do escritor bizantino do século
VI Jordanes, (Clarke 2013,
p. 273-274) foi um rei grutungo do século IV [290
- 350], membro da dinastia dos amalos. Pertencia à
nona geração de líderes góticos, sendo ele filho de Atal [ou Atala ou Athala]
e pai de Ansila, Ediulfo, Vuldulfo/Vultulfo e Hermenerico. [2][3][4]?. Hermenerico
(também rei grutungo, godo) filho deste Aquiúlfo.
(b)
Agiulf ou Aquiulfo dos Godos [n. 290, falecido em 350, ou talvez Agiulf Halibanianus, 300-364?] casado com Frilla HABBRA [rainha dos marcomanos? a primeira Fridgil?]
nascida no sec. III, cerca 290 [verificamos Frilla Habbra do árabe = Farida
Heba] seriam pais de Wultuuf ou Vultulfo (dos Godos) rei dos suevos,
nascido c. 310, falecido em 378 - A marcomana Frilla Habba
n. 290 casada com Aquiulfo dos Godos ? [290 – 350].
(c)
Sabemos com comprovações históricas que uma outra
rainha dos marcomanos já cristã com o nome Fritigil? reinou
adiante no fim do século IV em 396 (Thorton 2008, p.112), ano
repetido por Galazak – rainha marcomana que o celebre bispo Ambrósio
de Milão teria na ocasião instado para que convertesse seu marido para facilitar
uma pacificação com os romanos.
(d)
Referida também por fonte insegura, Royaume Europa uma Frilla Habbra,
nascida cerca 355, dos alanos, que seria mulher de Godegísio -
Godegísio, ariano.
(89) Sobre Godegísio ver texto abaixo e notas
102, 103 e 105.
(90)
Galazak, José artigo de 2013 - para este autor “os Suevos
constituíam uma união de dois grupos diferentes, a saber: 1) os
Baemi [ou bohemi] governados pela “stirps regia” e que compreendia os
descendentes dos antigos seguidores de Maroboduus e de Catualda,
majoritariamente Marcomanos e 2) uma tribo quada à qual pertenciam
[já mais tarde no reino suevo] Heremigarius, Massila, Maldras e Frumário
e entre a qual teve lugar a primeira das duas nomeações de Maldras como rei (na
verdade o seu estatuto original não era o de rei, mas de “subregulus”).
(91)
Sobre a atuação destes grupos na Galícia ver texto adiante,
item 7. Sobre a “stirp” boemi ver texto abaixo, e notas acima 86,
90, 93, 109, 112, ainda na “Conclusão.” Consultar par fontes nosso trabalho
esclusivo “Notas sobre os Boemi”, publicado na revista ConTexto em 2025.
(92)
Galazac,
José - artigo 2013.
(93)
Repetido do texto acima de Galazak, José - “A Diarquia Sueva – sociedade
e poder no reino dos quadros e regnum suevorum (358-585 d.. C)”, artigo na
Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.16 - 2013, pg. 323-350. O autor afirma que boemi eram de antiga etnia marcomana
que predominou no reino dos quados:
“Viduárius rei dos quados tentou expandir o seu
poder político, instalando no seu “regnum” — onde antigas populações de
etnia marcomana, os Baemi (boemi), preponderavam — a tribo de Agilimundus
[um subregulus] de etnia quada”.
Sobre a origem, entretanto, muito mais
antiga e remota dos boemi
encontramos em fontes enciclopédias a ilha de Bornholm ou Boríngia (em dinamarquês: Bornholm; em
latim: Boringia) uma ilha dinamarquesa situada no mar Báltico. Ver texto acima esta
ilha referida e com fotos, localizada a leste das restantes ilhas da Dinamarca
(170 km de Copenhagen. Fica junto à pequena ilha de Ertholmene, localizada 18
km a noroeste). Supõe-se que a ilha foi ocupada na Antiguidade também pelos burgúndios, também procedentes da Escandinávia
que depois se instalaram na zona sudeste da França nos finais do Império
Romano. É significativo que o nome da ilha em nórdico antigo fosse Bungundarholm.
Alfredo, o Grande traduziu no século IX o topônimo, tomado de Orósio, como
"Terra Burgenda" (Burgenda Land).
É também informado que no passado longínquo
os bohemi, pelo vale do Pó, teriam
chegado à Bolonha, na península italiana, e até mesmo convivido com etruscos, ainda apoiado a invasão do
notável general Hanibal nas Segundas Guerras Púnicas - migrando depois novamente
para o centro europeu. Há notícias que
a tribo dos éduos, já com cidadania
romana, permitira que antigos sobreviventes bohemi ou boios fizessem
assentamento em seu território, no “ópido” da cidade romana de Gorgobina.
Depois
da invasão de 406 d.C. uma parte dos boios
teria seguido com Hermérico para a Galícia, mas uma parte de certamente teria permanecido na atual
Hungria, perto do Danúbio e do rio Mur, mantendo como centro a atual cidade de Bratislava, passando depois a viver na região
Baviera - nesta região formado um
novo povo - os bávaros. O
nome Boêmia deriva de Boihaemum
ou casa dos Boios. Sobre os boios ou bohemi ou baemi ver texto acima, notas 37, 86 (quase repetição desta),
90, 109, 112 e na “Conclusão”, ainda em novo artigo “Notas sobre os Boemi”,
publicado na revista ConTexto. Também sobre os éduos notas 94, 109.
Notícia da Wikipédia afirma que os marcomanos no passado haviam sido
derrotados pelos romanos em 10 a.C.; “mas no ano seguinte Marobóduo retornou à Germânia e tornou-se o soberano daquele povo
(!). Para lidar com a ameaça da expansão do Império Romano rumo à bacia dos
rios Reno e Danúbio, levou o povo para a área conhecida posteriormente como Boêmia, para ficar fora do alcance da
influência romana. Lá, assumiu o título de rei e organizou uma confederação de
diversas tribos germânicas vizinhas [2]. [Maróboduo] Historicamente, foi o
primeiro governante da Boêmia”.
No
sec. V e VI os bávaros teriam perdido a preeminência da região ao ser esta
conquistada pelos francos.
A partir do século X, a família dos
Premyslidas exerceu a sua autoridade na Boêmia Central.
(94) Por fonte enciclopédica: - os búrios foram mencionados pela primeira vez por Tácito na sua
Germânia, onde aparecem como próximos
dos marcomanos e quados da Boémia [?] e da Morávia, sua
língua e costumes semelhantes aos dos suevos.
Um pequeno contingente dos búrios acompanhou
os suevos na invasão da Península
Ibérica e estabelecimento na Galécia (norte de Portugal e Galiza) no
século V, e estiveram na região
entre os rios Cávado e Homem, na zona conhecida como Terras de Bouro
(Terras dos Búrios). Fonte - Maria da Silva Domingos - Os Búrios, Terras
de Bouro, Câmara Municipal de Terras de Bouro, 2006. Os burios são ainda citados na
“Conclusão”.
Sobre
os équos, ver notas acima 93 e 109. Já citados por Revilia Calvo,
Victor- “A Luzitania e a cidade galeza dos éduos”. Ed. Universitat de
Barcelona, J. Encarnação. 2020. Ainda
não permitida consulta pela internet.
(95) Tácito chegou a classificar os lombardos como uma tribo dos suevos,
súditos de Marobóduo, no passado rei dos marcomanos.
Mas por volta de 400 d.C. os lombardos
foram liderados na invasão de 406 d.C. agora por seu próprio rei, Leti. A filha de Requiário, Caretenne,
adiante casada com um o filho deste Leti, Gideon, já referido como um
rei de dinastia “lething”. Fontes em nosso trabalho aprofundado “Os Agilofings”,
próximo a ser publicado e também no nosso artigo “A Origem dos Agilofings”, já publicado
em nosso blog.
(96) Próspero
da Aquitânia (em latim: Prosper Aquitanus ou Próspero Tiro (c. 390 – c.
465) foi escritor cristão e discípulo de Agostinho de Hipona. São Jerônimo também
conhecido como Jerônimo de Estridão (c. 347– 420) foi um sacerdote
católico e ilírio*, destacado como
teólogo e historiador, considerado confessor e Doutor da Igreja pela Igreja
Católica, respeitado por sua tradução da Bíblia para o latim (conhecida como
Vulgata). (* ilírios - povo
indo-europeu que ocupou o oeste dos Bálcãs (do Epiro à Panônia) e ainda regiões
do sul da Itália no início da era cristã).
(97)
A data incial que tivemos para o nascimento de Hermérico, 360 d.C por fonte
francesa não deve ser a mais correta – pois seu pai, o rei sueco Bitheid é indicado, por fonte também
insegura, como nascido em 350,
falecido em 401. O pai de Bitheid, indicado Nebio, s.d. Preferimos,
portanto, a data fornecida de 372
para o nascimento de Hermérico, pois se encaixa melhor com outras datas de seu
contexto familiar.
(98) Teriam os ostrogodos ascendentes de Hemengard uma linha colateral AEgidius/Siagri, ligada ao general Aegidius?
Talvez Afranius ou “Afrianus Hannibalianus van Galatië” (da
Galácia), nascido 10 de outubro de 275
na Galatië (Galácia), Roemenië (Romênia),
casado com Syagra Hannibalianus (nascida van Syrië) (da Siria) com 2
filhos – um deles Flavis Africans
(ou Flavius Afranius (ou AFICANUS) Syagrious (ou Sigrarii) - o outro filho Aegidius Hannibalianus (300 - f. 364), que
foi avô paterno do general Aegidius. Este Afranius, senador e
alto administrador romano fora também ex-marido da síria Eutrópia, cujo
segundo esposo foi o Imperador romano Maximiniano.
(99)
Buscando a comprovação da mais antiga origem desta dinastia agilofing repetimos mais uma vez as
datas do avô paterno do general Aegidius - Aegidius Hannibalianus (300 - f. 364). Este avô do general AEgidius, por suas fontes
genealógicas modernas nascido c. 300 -
f. 364, seria filho do mais antigo Afranius III (de Entropia?,
Siria), “Afrianus Hannibalianus van Galatië” (da província romana da
Galácia), nascido 10 de outubro de 275 na Galatië (Galácia) Roemenië (Romênia), casado com Syagra
Hannibalianus (nascida van Syrië) (da Síria). Com um filho: Flavius
Afranius Syagrious (ou Sigrarii), e outro filho, o próprio Aegidius
Hannibalianus. Afrianus Hanibaliano pelo segundo casamento de sua
ex-esposa Eutropia, entrara no círculo próximo ao Imperador Maximiniano. Os Siagrius, portanto, entrado na corte romana
no sec. IV. A tia do general Aegidius, posteriomente casada com o Imperador
Teodósio, tendo depois dois filhos imperadores - Arcádio e Honório. Ver
nota 73. Sabemos também que Atalarico, ostrogodo, serviu ao
imperador Honório até 395. Perfil na
Wikipédia: “Atalarico (em latim: Athal(l) aricus ou Atalaricus; em grego
medieval: Αταλ(λ)άριχος; romaniz.: Atalárichos; em gótico: *Aþala-reiks), ainda
chamado Atalrico (em latim: Athalricus), Atlarico (Athlaricus), Atlalrico
(Athlalricus) ou Adalarico (em latim: Adhalaricus),[1] foi um rei ostrogótico
da Itália de 526 a 534. Era filho de Eutarico e Amalasunta e neto
de Teodorico, o Grande (r. 474 – 526) [2] [3] [4] ”.
(100)
Wultulf, VULTUFE (ou WULTUUF) é
citado por Jordanes na lista dos godos
de dinastia amala. Ver acima fontes
e comentários. Temos também indicação de seu perfil em fontes modernas sem
comprovação, mas que bem se encaixam (Familytree - Sosa: 185.448.677.099.040 e
MyHeritage Family Trees Sosa: 185, 448, 677, 057, 237). Assim Wultuuf
dos Godos rei dos suevos, nascido em 310
- falecido em 378 seria filho de Agiulf
dos Godos (este com datas 290 - 350) e de Frilla HABBRA (do árabe =
Farida Heba) n. cerca 290. Ver sobre Wultulf também lista
em nota abaixo 101, ainda notas 66, 100 e 113.
A lista de Jordanes numera os inúmeros
godos de dinastia amala: - “Amal gerou Hisarna. Hisarna, além
disso, gerou Ostrogoda, e Ostrogoda gerou Hunuino, e Hunuino por sua vez gerou
Atal. Atal gerou Aquiulfo e Odulfo. Agora Aquiulfo [melhor c. 300-364]
gerou Ansila e Ediulfo, Vultulfo (c.310? -378) e Hermenerico. E Vultulfo
gerou Valaravano...”, etc. Neste caso Wuultuf teria sido irmão de
Ansila, rei visigodo n. 318-38.
Hunuino - a lista de Jordanes
numera os godos de dinastia amala:- “Amal gerou Hisarna. Hisarna,
além disso, gerou Ostrogoda, e Ostrogoda gerou Hunuino, e Hunuino por sua vez
gerou Atal....
(101) Ver lista genealógica moderna MyHeritage Family Trees e Royaume Europe - les Rois Vandales que
nomeiam Godegisel e Genserico, rei dos vândalos respectivamente
nas notas 102 e 103, 105.
(102)
Lista genealógica dos godos amalos da
fonte MyHeritage Family Trees Sosa: 185, 448, 677, 057, 237 – com
nossos acrescentamentos e comentários em cor marron:
Frida HAbba
Born in 290
Deceased
With Agiulf de GOTH,
born in 290, deceased in 350,
aged 60 years old (Parents: Athala de GOTH 270-336 & X XX) with
- Merovée de FRANCE 310 [?]
- Wultuuf de GOTH, roi des
sueves 310-378 With X XX. With:
Walderavans d'OSTROGOTHIE 335 - With
X XX. with:
Vinitharius
d'OSTROGOTHIE 353-409 (!)
- Hermanaric de GOTH 315-375 With
X XX. With:
Alchiuf d'OSTROGOTHIE 350- With X XX.
with:
Hunimond d'OSTROGOTHIE
380 -
- Ansila de GOTH, roi des
wisigoths 318-381
- Archiulf [ ou Ediulf ?] d'OSTROGOTHIE
320-355 With X XX. With:
Ermengarde
d'OSTROGOTHIE 355-382 With Bitheid
de Souabe 350-401 with
Ermeric
ou Hermérico de SOUABE 372- 441
[Réquila
da Suévia c. 390 – f. 448]
Rechiare de SUEVIE 382 - 435? [aqui
erro – m. dez. 456]
- Godegisel
de GOTH 325- 406 With X XX. With
[alana?]
Genseric de GOTH, roi des vandales
d'Afrique 370-457 With X XX with:
Gento de GOTH 405-476
Hildaric de GOTH 407-
Humeric de GOTH 408 - ou
Hunerico?
Théodoric de GOTH 410-
Theuderic de GOTH 410-
Obs.: Hunimond, um filho
de suevo Hermérico aparece na lista insegura e perfil de Hermengard Ostrogoda (nota
84) Ele teria casado com Gontheuque [410- búlgara?] e lhe teria dado ainda um
neto, Aldiger da Baviera, pela
mesma fonte citada.
Obs.:
Lembramos também outros parentes próximos com o mesmo nome de Teodorico:
- Teodorico
(419 - 451) 1º rei vizigodo. Genro de Alarico sucedeu Valia. Uma filha deste Teodorico casada com Hunerico, filho do rei vândalo Genserico (c. 429). Este certamente o citado
acima na lista. Na fonte Wikipédia: “Hunerico teve ambições de se casar
com Eudócia (filha de Valentiniano III). Assim, acusou a filha de Teodorico de
planejar matá-lo e em 444 mutilou-a, com as orelhas e o nariz cortados, enviando-a
de volta a seu pai e definindo a sua inimizade... Teodorico também era
um inimigo do rei suevo Réquila, porque as tropas visigodas
ajudaram o comandante imperial na sua campanha contra os suevos em 446. Mas a
capacidade dos suevos em conduzirem
uma defesa forte e as melhores relações entre Genserico e o Império
Romano levaram Teodorico a mudar sua política externa. Em 449 casou uma de
suas filhas [Flavia dos Vizigodos] com o novo rei suevo Requiário I.... Foi aliado [do general romano] Aecio e outros
contra os hunos. Morreu na batalha de Campos Catalaunicos”. Seu filho Torismundo
tornado rei.
- Teodorico,
o Grande, 464-526 (r. 474–526), segundo Jordanes filho de Veterico, neto de Berismundo,
bisneto de Torismundo e tataraneto
de Hunimundo - os últimos dois reis ostrogóticos durante o final do
século IV e começo do V. Ver mais acima notas 23 e 27.
Teodorico, o Grande seria talvez primo de Teodorico
Estrabão (481) parente de um alano [seria
Godegisil?]. Jordanes relata na Gética
que Eutarico [480- 522] era genro de Teodorico, o Grande.
(103)
Perfil de Godegisel, rei dos vândalos da
tribo asdingo, na fonte Royaume
Europe - les Rois Vandales, perfil apresentado abaixo, com nossos
acrescentamentos:
Généalogie du Royaume des Vandales de la
tribu des Hasdings – Christianisme arien
–
Union des tribus Vandales, des Hasdings et des Sillings et du Royaume des
Alains
• Godégisel der Vandalen (Godégisèle des Vandales, Godogeisal
Vandalōrum) il est né entre 355 et 359
et décédé entre 406 et 414
[certamente 406, data de sua morte
em batalha], fils de Radagast der Heruler [dos hérulos] et de Celia
der Vandalen [dos vândalos]. [esta lista
Royaume Europe - les Rois Vandales contradiz, entretanto, a lista de
MyHeritage Family Trees Sosa: 185,
448, 677, 057, 237 que o indica
filho de Frida Habba (marcomana?) nascida em 290 e Agiulf de GOTH, nascido 290, falecido 350].
Il a le titre Royal de - ersten König der
Vandalen en 406; prīmus Rex Vandalōrum, Ier Roi des Vandales.
Épouse Frilla Habbra des Alains [alanos] née vers 355,
fille de…? [Frida Habba n.c 290?]
Fils:
1. Godégisel
der Vandalen, né vers 375 et
décédé vers 428.
2. Thermentia
der Vandalen, [ou] Maria des Vandales, née vers 385.
Épouse Arcadius, né le 19
janvier 383 et décédé le 1er mai 408, fils de Flavius Théodosius prīmus
[Imperador Romano] et a esposa Aélia Flavia Facilla [que constamos
tia do general AEgidius] [Não confirmamos esta obervação, ver acima no texto. Possívelmente
casada com o outro filho, Honório. Ver nota abaixo 105].
Il a le titre Impérial de: tertius Orientis
imperatoris Romanus – Flavius Arcadius Theodosius Augustus.
3. Guntharic
der Vandalen, né vers 385 et
décédé en 428 – voir ci-dessous
Godégisel le Vandale et de sa
concubine ont eu 1 enfant illégitime
4. Genseric
der Asdingen né en 395 sur les
rives du lac Balaton [Hungria] et décédé le 25 janvier 477 à
Carthage [Cartago] – voir ci-dessous [migrado para Cartago].
(104)
O arianismo foi posição religiosa
anti-trinitária cristã sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero
cristão de Alexandria, da Igreja primitiva que negava a consubstancialidade
entre Jesus e Deus Pai que os igualasse. Mais informações da Wikipédia: “As idéias
de Ário foram adotadas pelos Imperadores Romanos: Constâncio II
(337-361) e Valente (364-378) sem que, entretanto, fossem impostas à
Igreja. Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa quando da evangelização
dos Godos, pela ação de Úlfilas, missionário enviado pelo imperador romano do
Oriente [Arcádio, imperador do Oriente entre 395-408]. Os ostrogodos e visigodos chegaram
à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos.
A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de [Imperador] Teodósio,
ao tornar-se religião oficial do império, o cristianismo ortodoxo-romano
afirmou-se em definitivo. Proeminentes senhores da guerra vândalos e lombardos
também adotavam um cristianismo ariano,
assim como Odoacro, que reinou sobre a Itália entre 476 e 493”. Na foto: o reino ostrogótico com a
morte de Teodorico.
(105)
Nota–se na fonte Royaume Europe - les
Rois Vandales referência à uma filha de Genserico, Thermentia der Vandalen ou Maria [cristianizada?] des
Vandales, que é “née vers 385. Épouse Arcadius, né le 19 janvier
383 et décédé le 1er mai 408, fils de Flavius Théodosius prīmus [o Imperador Romano] et ”. [sua esposa Aélia Flavia Facilla, que constamos
tia do general AEgidius]”
Notamos, entretanto, que não há notícia
histórica referindo os nomes de Tehrmentia ou Maria de Vandalens para a esposa
de Arcádio, mas sim para a esposa de Honório seu irmão, jovem historicamente tida
como filha do militar Estilicão e
Serena – esta sobrinha do imperador Teodósio. Necessário aprofundar o assunto,
pois o parentesco pode ter sido ocultado. Comparar os perfis destas personagens
que já constam da Wikipédia, mas que não mencionam o parentesco com Godegísio.
(106) Pela fonte enciclopédica Wikipédia:
“Os alanos constituíam um povo com
origem iraniana no nordeste do Cáucaso, entre o rio Dom e o mar Cáspio.
Pontuaram entre os povos que penetraram o Império Romano tardio no período das
migrações dos povos bárbaros, migrando em direcção ao ocidente nos séculos IV-V.
[...] Os alanos eram um grupo
nômade iraniano entre os povos sármatas, pastores nômades prontos para a guerra
de diversas origens, que falavam uma língua iraniana e compartilhavam, num
sentido amplo, de uma cultura comum”.
(107)
Sobre os burgúndios e Caretene, ver trabalho completo “A
Origem dos Agilofings” no blog. Ver também notas acima 31 e 86, ainda 111.
(108)
Sobre os búrios ver nota 94 acima e na “Conclusão”.
(109)
Repetindo parte da nota acima 93. É
informado por fonte enciclopédica Wikipédia que no passado longínquo, os bohemi pelo vale do Pó teriam chegado à
Bolonha, na península italiana, aí convivido com etruscos e apoiado a invasão do notável general cartaginês Haníbal,
migrando depois novamente para o centro europeu.
Há também notícias que a tribo dos éduos, já com cidadania romana, havia permitido
que sobreviventes bohemi ou boios fizessem assentamento em seu
território, no “ópido” da cidade romana de Gorgobina. Os éduos (celtas?), povo da Gália, habitando
esta região da actual Borgonha.
Também povos muito antigos os éduos haviam sido aliados dos romanos
contra os alóbroges e arvernos, mas depois foram aliados, com
os bohemi, de Vercingetórix contra Julio Cesar.
Pela Wipipédia: “Os boios na Panônia são mencionados no século II a.C., quando teriam repelido Cimbros e Teutões. Mais tarde, atacaram a cidade de Noreia (na atual
Áustria). Pouco tempo antes um grupo de Boios
(32.000 de acordo com Júlio César - o número provavelmente é um exagero) haviam
se juntado aos Helvécios na
tentativa de colonizar o oeste da Gália. Derrotados, a tribo dos éduos permitiu que os sobreviventes boios fizessem assentamentos em seu
território, mais precisamente no ópido da cidade romana de Gorgobina (localizada na atual França [Borgonha] Embora atacados por Vercingetórix
durante uma fase da guerra contra Roma, eles o apoiaram durante a Batalha de
Alésia”.
Sobre os éduos ver continuação
texto abaixo e notas 93, 94 e 109. Ainda
bibliografia (não permitida consulta) de Revilia Calvo, Victor - A Luzitania
e a cidade galeza dos éduos”. Ed. Universitat de Barcelona, J. Encarnação. 2020.
Após invasão de 406 d.C, parte de boios teria permanecido na atual
Hungria, perto do Danúbio e do rio Mur, tendo como centro a atual cidade de
Bratislava, passando depois a viver na Baviera - formando nesta região um novo
povo - os Bávaros.
Sobre a possível origem dos bohemi em ilha no
Báltico, ver nota mais notas 37, 85, 90, 93, 112 e Conclusão.
(110)
Ver mais sobre os boemi nas notas 37, 85, 90, 93, 109, 112 - assunto
retomado na “Conclusão”.
(111)
Hermérico é citado em lista da fonte
genealógica moderna Royaume Europe, reproduzida
no texto mais acima, referido como tendo um filho, Hinimond de Baviera casado com Gontheuque [datada 410]
[seria uma princesa borgundia?]. É possível que os burgúndios em algum tempo tenham sido ligados aos boemi, pois no passado antigo teriam
sido oriundos da mesma região ou ilha Gutland.
Ver
também nosso trabalho “Notas sobre os Bohemi”, pois Maria Geneva esposa de Agiulfo I era já tida de sobrenome Bayern, da Baviera. Ver sobre os boemi 37, 85, 90, 93, 109, 112.
(112) As
dinastias bohemi e agilofing ainda que submetidas pelos
francos mantiveram sua relativa importância por vários séculos seguintes. St
Liutwin (Leudwinus) - Bispo ou Arcebispo de Trier, Bispo de Laon - tido
como filho de São Warin I do condado de Hesbaye fora casado com uma agilofing. Nascido em 660 em Mettlach e
falecido 717 ou 722 em Reims. S.Leudwinus casado com Willigard da Baviera,
tida como filha de Teodorico II, (duque da Baviera?) e rei merovíngio de Metz –
ela desta linhagem agilofings -
linhagem que sabemos governou o ducado da Baviera em nome dos reis merovíngios de 550 até 788. Sugerimos
leitura de nossos trabalhos e outras fontes para aprofundamento. Ver também na Conclusão.
Teodorico
II (duque da Baviera ?) rei merovíngio de Metz entre 612 – 613 reinou logo em seguida a Theodbert II. A ele segue um rei da
linha de Paris, seu irmão Clotario II. Teodorico II teria sido o pai de Willigard da Baviera,
esposa de São Luitwinus (este nascido em 660 em Mettlach e falecido 717
ou 722 em Reims, da dinastia wido de
Hesbaye).
(113)
Ver informações sobre as datas inseguras de Wuultruf na nota 100,
também seu nome na lista dos godos citada
acima nota 66.
(114) Fonte J. B. Bury, History of the Later
Roman Empire, Livro I, Capítulo VI, § 2. The German Invasion of Gaul and
Spain, and the Tyranny of Constantine III (A.D. 406 411), Macmillan e Co. Ltd.,
1923.
(115)
Sobre este Agiulf, neto de Hermérico que reinou entre 456 e 457, ver
texto e informações na “Introdução” deste trabalho, e notas 11 e 12 – ainda comentários no
“Desenvolvimento” item 7 (reis
suevos) e nota 139. O
historiador brasileiro Costa, Ricardo da - em seu artigo. “Cronologia da Península
Hibérica” comenta no ano 456 que Agiulf seria da tribo dos varnas [?], mas não cita
diretamente suas fontes: ... “[Teodorico
II] Depois, segue até o Porto,... vencendo Requiário novamente e o condenando à
morte. Por fim, entrega o reino suevo a Agiulfo, seu "cliente" da
tribo dos varnas”.
Porém, a nosso ver este Agiulfo seria filho
de uma hérula (ver notas 11 e
12), sua ascendência predominante paterna
Agilof/sueva – seu bisavô Agiulfo
Ostrogodo.
(116) Por fonte enciclopédica bem balizada com nossas
correções: “Em 418 os alanos foram
derrotados por Vália, rei dos godos
[vizigodos] que havia atacado as
tribos invasoras sob as ordens do imperador Honório em terras
"tartéssias", provavelmente próximo a Gibraltar obrigando-os a
seguir para o norte de África onde sob os reis Gunderico e Genserico fundam
o Reino dos Vândalos e dos Alanos,
que seria extinto no século VI, com a dominação bizantina”. Os alanos ocidentais restantes na Ibéria
tiveram que suplicar ao rei vândalo Gunderico para aceitar a
coroa alana.
Fontes Nicolas
Lenglet-Dufresnoy, “Tablettes chronologiques de l'histoire universelle sacrée
et profane, ecclésiastique et civile, depuis la création du monde, jusqu'à l'an
1743”, Histoire d'Espagne, p. 406 [google books].
Serrão, Joel. «Ataces ou Adax». Verbete no Dicionário de História de
Portugal. 1. Porto: Livraria Figueirinhas e Iniciativas Editoriais, p. 245.
Hidácio, 68. Continuatio
chronicorum Hieronymianorum.
J. B. Bury, History of the Later Roman Empire, Chapter VI, “The
german invasions under honorius”. The German Invasion of Gaul and Spain, and
the Tyranny of Constantine III (A.D. 406? 411) Macmillan & Co. Ltd., 1923, pg.
203 e n2.
(117)
Arias, Jorge C. - "Identity and Interactions: The Suevi and the
Hispano-Romans", University of Virginia: Spring 2007, pdf. A tese e artigo do ano 2007.
(118)
Pouco depois da saída dos alanos para a África
notamos a ocupação da região de Soisson na Gália, entre 461– 464 / 465, pelo general Aegidius (tido como galo romano, mas na
verdade um aegidius /siagri/hanibaliano).
Seu Reino de Soisson teria tido, entretanto, pouca duração e continuidade
por seu filho Syagrius (nome dinástico
sírio). Este seu filho Syagrus derrotado logo depois pelos francos
na Batalha de Soissons em 468.
Trecho do artigo na Revista Historia
“Aeminium: há uma cidade perdida debaixo de Coimbra” : “A antiga Aeminium
deixou vestígios no presente. Um deles é o criptopórtico romano, localizado
sob o Museu
Machado de Castro. Os
vestígios mais antigos de Aeminium datam da era romana, quando aquele
povo fundou a cidade, em colaboração e sempre protegida pela vizinha
Conímbriga, a apenas 16 quilómetros de distância, na localidade de
Condeixa-a-Nova”. Ver mais adiante no texto.
(120)
Arias, Jorge C.- "Identity and Interactions: The Suevi and the
Hispano-Romans", University of Virginia: Spring, 2007, pdf. Tese, pg. 48.
(121) O comendador Armando de Almeida Fernandes,
licenciado em Ciências Geográficas, especialista em toponímia e antroponímia-onomástica
defendeu a tese da origem de Portugal apartir do Reino Suevo no primeiro
capítulo do seu livro Viseu, Agosto de 1109, nasce D. Afonso Henriques (2007).
(122) O comendador Armando de Almeida Fernandes,
citado acima e que defendeu a tese da origem de Portugal no Reino Suevo nesta
mesma obra lembra também que um topônimo (nome de lugar) passa frequentemente a
corônimo (nome de região) por efeitos administrativos. O comendador defende
também que Leovigildo, rei dos visigodos teria passado a ser igualmente rei dos
suevos.
Reis suevos
(123) Comentários sobre os quadi e bohemi ou bóio, ver
acima texto, notas 37, 85, 90, 93, 109, 112,
ainda comentários na “Conclusão”.
Por fontes enciclopédias, a influente tribo
dos éduos (povo da Gália, gauleses, que habitavama região da atual Borgonha)
permitira que os sobreviventes boios fizessem
assentamentos em seu território, mais precisamente no ópido da cidade
romana de Gorgobina (localizada
na atual França). Os éduos teriam sido aliados dos romanos
contra os alóbroges e arvernos, entretanto adiante aliados do
gaulês Vercingetórix contra Julio Cesar. O imperador romano Cláudio
concedeu-lhes cidadania romana – e assim sendo foram federados dos romanos.
(124)
Bibliografia (análise bibliográfica) clássica e recente sobre o Reino Suevo na Galicia:
-
Tácito - Germania.
Traducción de Requejo, 1981, 1-4.
-
Reinhart, Wilhelm - Historia General del Reino Hispánico de los Suevos.
Madrid, S.Aguirre, 1952. Fonte já
clássica.
- Thompson, E. A. Romans and Barbarians:
The Decline of the Western Empire. Madison: University of Wisconsin
Press, 1982. Obra já clássica.
- Fernandes, Armando de Almeida - Viseu,
Agosto de 1109, nasce D. Afonso Henriques, Governo Civil do Distrito
de Viseu, 1993.
- Fernandes,
Armando de Almeida - Paróquias Suevas e Dioceses Visigóticas. Arouca:
Associaçao para a Defesa da Cultura Arouquense, Câmara Municipal de Tarouca, 1997 (não consultado).
- Geary,
Patrick - O mito das nações. A invenção do nacionalismo, Ed. São
Paulo, Conrad, 2005, 223 páginas.
- Maria da Silva, Domingos - Os Búrios,
Terras de Bouro, Câmara Municipal de Terras de Bouro, 2006.
- Arias,
Jorge C.- "Identity and Interactions: The Suevi and the
Hispano-Romans", tese, University of Virginia: Spring 2007, pdf. A tese tenta fazer um detalhamento dos reis suevos -
entretanto, o texto por tantas fontes citadas se torna confuso e tivemos em
muitas ocasiões de recorrer a fontes enciclopédicas ou resumos históricos, com
outras bibliografias, que nos ajudassem o entendimento desta sucessão de reis
ou prepostos que se superpõem muitas vezes.
-
Fernández, Tomás Rodrigues - “A bandeira sueva da Gallaecia”, Revista AGALIA no. 102 / 2º semestre (2010).
- Díaz Martínez, Pablo de la Cruz - El reino
suevo (411-585). Tres Cantos, Madrid, España, Akal, 2011. Trabalho recente e tudo indica útil, pois já muito citado.
-
Galazak, José - artigo “A Diarquia Sueva – sociedade e poder no reino dos
quadros e regnum suevorum (358-585 d.C)”, na Revista Portuguesa de Arqueologia,
vol. 16 - 2013, pgs. 323-350. O autor estuda profundamente a participação de
quados e boemi (ou boios) no interior do Reino Suevo. (Estes haviam sido permitidos pelos éduos que fizessem assentamentos em seu
território, mas precisamente no ópido da cidade romana de Gorgobina,
localizada na atual França)
– Galazak alega o estabelecimento na Galícia de uma autoridade real a ser
escolhida também entre essas facções étnicas. Tema controvertido. Sua
bibliografia é muito numerosa, merece ser percorrida e o autor, em parte, já
foi por nós absorvido.
-
Revilia Calvo, Victor- A Luzitania e a cidade galeza dos éduos. Ed.
Universitat de Barcelona, J. Encarnação, 2020.
-
Fiorot, Juliana Bardelle – Tese “Aconstrução de um Reino Ideal (sec. V e VI)”.
Tese de doutoramento, UNESP – 2021- trabalho
em especial baseado em discursos do bispo Idácio ou Hidácio, este muito
estreito em sua ótica religiosa; em conseqüência a autora sugeita a alguma má interpretação.
Em especial enfocados os Concílios de Braga. A autora cita ainda as pesquisas recentes de Pablo C.
Díaz, Rodrigo Furtado, Óscar Núñez García, Mario de Gouveia, Harold Livermore,
Leila Rodrigues da Silva, Mário Jorge da Motta Bastos.
-
Costa, Ricardo da – professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES-Brasil),
orientador de doutorado da Universitat d'Alacant / Universidad de Alicante (UA
- Espanha) com um artigo em seu blog “Cronologia da Península Hibérica” https://www.ricardocosta.com/cronologia-d379-468. Artigo recente com boa bibliografia sobre a história da Península
Hibérica, mas sem indicação direta dessas fontes.
Bibliografia
indicada sobre o rei vizigodo Leovigildo
«Leovigild | king of the Visigoths». Encyclopedia
Britannica (em inglês).
GEARY, Patrick (2005). O mito das nações. A invenção do nacionalismo. 1 ed.
São Paulo: Conrad.
Roger Collins, La España Visigoda, 409-711, 2005, Barcelona: Crítica.
E. A. Thompson, Los Godos en España, 2007, Alianza, Serie Humanidades.
Obras pertinentes, mas não utilizadas ou consultadas:
Valverde
Castro, María R. (2000). Ideología,
simbolismo y ejercicio del poder real en la monarquía visigoda: un proceso de
cambio. [S.l.]: Universidad de Salamanca.
Sayas
Abengochea, Juan José; Abad Varela, Manuel (2013).
Historia antigua de la península ibérica. Época tardoimperial y
visigoda. II. [S.l.]: Editorial UNED.
Arce, Javier (2013)- Bárbaros y romanos en Hispania: (400-507 A.D.).
[S.l.]: Marcial Pons Historia.
(125)
Sobre rei suevo do Reino da Galicia, Agiulfo, que reinou entre 456
e 457 ver histórico
no texto na “Introdução” e notas 11,
12. Fontes históricas indicam que Agilulf ou Agilulfo (r. 456 e 457) teria sido “mordomo” do rei visigodo Teodorico II, cujo
centro do reino era Tolosa (Toulouse), mas tendo se insurgido contra ele foi
executado em 457 - note-se um ano
depois da batalha de Órbigo. Sobre
este Agiulf que reinou entre 456 e
457, adiante comentários nota 139.
(126) O nome Hermericus, segundo o filólogo J. M. Piel, “com inegável veia
poética” representaria simbolicamente “o que os pais esperam ver realizado no
futuro dos seus filhos”; comentado pelo articulista Varela - Carlos C., no artigo “Aldeias
de Ordes”, publicado em 16 de janeiro de 2018, no blog Portal Calego da Lingua, PGL. GAL. Neste
artigo o autor acrescenta informações sobre o nome de Hermérico e seus filhos
rememorados em Portugal, ver nota 163.
(127)
Sobre Réquila, Fiorot, Juliana
Bardelle - “A construção de um Reino Ideal (sec.. V e VI)” Tese de
doutoramento, UNESP – 2021; também ver
texto abaixo. Sobre a atuação religiosa e católica de Requiário, ações
comprovadas e abalizadas por suas ações posteriores, ver no decorrer do
trabalho e na “Conclusão”. Em especial consultar Fiorot, que bem enfoca o tema
religioso na Galícia da época e os Concílios de Braga.
(128) Arias, Jorge C. (2007). Tese «Identity and
Interaction: The Suevi and the Hispano-Romans». University of Virginia.
(129) O general Flavius Aetius (396—454) lutou
na batalha dos Campos Catalaunicos em 451 contra os hunos, ocasião em que Teodorico I
vem a falecer. A batalha de Campos Catalaunicos na Gália ocorre cinco anos antes da batalha de Òrbigo em 456, quando o rei vizigodo sucessor de Teodorico I, Teodorico II, derrotou os suevos
na Galícia.
Informações enciclopédicas informam: “Flavio
Aécio nasceu em Durostoro (atual Silistra, na Bulgária), na província
romana da Mésia. Era filho da dama romana Aurélia e do mestre da cavalaria
(magister equitum) Gaudêncio, razão pela qual a família mudou-se para a Mésia. Passou
uma parte de sua juventude como refém de Alarico
I, rei dos visigodos e outra
como refém de Riguila (sic), líder
dos hunos [erro? rei dos suevos?] o que lhe permitiu conhecer a forma de pensar
desse povo. Sua campanha militar mais notável, que o levou para a história
com a alcunha de "o último romano" foi a que travou justamente contra
eles nos Campos Catalaunicos em 451. Foi cônsul três vezes, uma
distinção ímpar para um homem de origem comum. Recebeu o título de patrício em
433”.
(130) Mattoso, José – capítulo "A
época Sueva e Visigótica", História de Portugal I. Editorial
Estampa, página 307.
Costa, Ricardo da – no artigo “Cronologia
da Península Hibérica” resume os principais fatos do governo de Requila:
“438 — O príncipe suevo
Réquila, associado ao trono pelo rei Hermerico, invade a Bética e devasta
várias cidades da Lusitânia, entre elas Mérida e Mértola. O exército
organizado pelo patriciado local, comandado por Andevoto é derrotado nas
margens do rio Genil.
441 — Réquila, rei dos suevos.
445-450 — Últimos episódios do combate ao
priscilianismo (heresia) por Toríbio de Astorga.
446 — Os romanos, dirigidos por Vito,
magister utriusque militiae (comandante
de tropas compostas por soldados romanos e visigodos), tentam libertar-se
dos suevos, mas são derrotados.
451 — Morte de Teodorico, rei visigodo.
451- 456 — Teodorico II, rei dos
visigodos. Política de extermínio visigodo contra os suevos.
453 — Acordo de paz entre os
hispano-romanos e suevos estabelecido pelo comes
Hispaniarum Mansueto e pelo conde Frontão”.
(131)
Consultar texto acima sobre a famosa égide, Fiorot citada (2021).
(132) Sobre
a batalha de Óbidos em 456 d.C. ver histórico na Introdução e notas 11 e 12 acima. Fontes históricas
indicam que Agilulf ou Agilulfo (r.
456 e 457) teria sido “mordomo” deste rei visigodo Teodorico II cujo
centro era Tolosa (Toulouse), contra quem se insurgiu e foi executado em 457 - note-se
um ano depois da batalha de Óbidos. Sobre
este Agiulf que reinou entre 456 e 457, ver ainda comentários adiante
nota a seguir 139.
(133) Requiário
foi capturado e executado em dezembro de 456, Gazalak (2013).
Afirma Costa, Ricardo da – artigo citado: “456
— Requiário, rei suevo, infringindo seus acordos, ataca a Cartaginense e,
apesar do conde Frontão invocar o acordo anterior, invade também a
Tarraconense, praticando o saque e fazendo numerosos cativos. Teodorico II,
rei visigodo, atravessa os Pireneus e dirige-se a Galécia, derrotando os suevos
junto ao rio Orbigo [sic], perto de Astorga; marcha até Braga, que é
inteiramente saqueada, sem poupar cidadãos romanos, clérigos e igrejas. Depois,
segue até o Porto, vencendo Requiário novamente e o condenando à morte”.
(134)
Em Costa, Ricardo da – artigo citado, referindo
o ano 431
— “Idácio, bispo de Chaves, vai à Gália, sem sucesso, pedir ao magister militium Aécio que organize um
ataque contra os suevos”. O autor não cita diretamente sua fonte. Fiorot em sua tese, “A construção de um Reino
Ideal (sec. V e VI), tese de doutoramento, UNESP, 2021, afirma que Hidácio criticava os suevos e já havia afirmado: “Eles são violentos e não cumprem as
promessas e, mesmo o rei sendo católico, ele não tem, em momento algum, suas
atitudes aprovadas. Para Hidácio, Requiário não está em consonância com a
religião que prega... A Tarraconense, segundo o autor da Crônica é alvo de
novas invasões e muitos habitantes são feitos prisioneiros por Requiário”.
Idácio - Cronica, II. In: López Silva, José Antonio - op. cit., p. 85.
(135) Fiorot, Juliana Bardelle
- “A construção de um Reino Ideal (sec. V e VI)”. Tese de doutoramento, UNESP –
2021- ainda citando Idácio, Cronica,
II. In: López Silva, José Antonio. - op. cit., pgs. 85-86.
(136) Díaz Martínez, Pablo de la Cruz, El reino
suevo (411-585), Tres Cantos, Madrid, España, Akal, 2011, pg. 215.
(137) Fonte enciclopédica Wikipédia com equívocos
de interpretação pode ainda prestar algumas informações sobre Requiário I, se observadas as nossas correções - “Requiario (? - 456), filho de Réquila //e neto de
Hermerico //, [erro, filho] foi um
rei suevo da Galécia. Subiu ao trono no ano de 448 aproximadamente, sucedendo a
seu pai. Como professava o catolicismo, impôs essa religião ao seu povo, que já
se tinha em grande parte convertido, principalmente nas zonas urbanas. Para
fortalecer sua posição, fez aliança inicial com os visigodos, o que abriu as portas de seu reino à influência
visigótica, aumentada quando Requiário se casou com a filha do rei visigodo
Teodorico II, [erro, Flavia teria
sido filha de Teodorico I] em 449 [erro
de data ou? casamento católico?]. Foi o primeiro rei europeu cristão a cunhar
moeda em seu próprio nome. Devastou a Vascónia [?], passando depois a lançar
incursões esporádicas contra os romanos. Requiário chegou a controlar a
região do vale do Ebro e, brevemente (449-452), partes da Tarraconense. As
hostilidades entre suevos e romanos chegaram ao fim com o tratado entre
Requiário e os condes Fortunato e Manrico, pelo qual os suevos se retirariam da
Tarraconense. Em 456 Requiário quebrou o tratado indo em auxílio dos vascões, tornando a entrar nessa
província. Os visigodos, porém, apesar de terem sido seus aliados, não viam com
bons olhos o fortalecimento do reino suevo e, sob o comando de Teodorico II,
derrotaram os suevos nas margens do rio Órbigo o cinco de outubro dos 456.
Requiário refugiou-se em Porto, enquanto os visigodos saqueavam Braga. Requiário
foi capturado em decembro desse ano e posteriormente executado. Para a sua fuga
terá optado por fazer um trajeto "diagonal Bracara-Portugale... Os
visigodos invadiram em seguida o reino
suevo, cometendo tais atrocidades que tanto a população galaico-romana
quanto a população germânica se revoltaram, dando início a uma cruenta guerra
civil entre dois partidos representativos das duas principais tribos suevas da
região: os quados e marcomanos, cada
qual apoiando um pretendente ao trono suevo”. Fontes referidas: Díaz Martínez,
Pablo de la Cruz, El reino suevo (411-585). Tres Cantos, Madrid, España:
[s.n.] ISBN 9788446036487. OCLC 958059531
A. de Almeida-Fernandes, 1972, Separata de Território e Política (sécs. VI-XII), «O
TRIPEIRO», IV SÉRIE, ANOS X-XII, p. 63-64.
Já Costa,
Ricardo da – no artigo citado afirma:
“456 — Requiário, rei suevo, infringindo
seus acordos, ataca a Cartaginense e, apesar do conde Frontão invocar o acordo
anterior, invade também a Tarraconense, praticando o saque e fazendo numerosos
cativos. Teodorico II, rei visigodo, atravessa os Pireneus e dirige-se a
Galécia, derrotando os suevos junto ao rio Órbigo, perto de Astorga; marcha até
Braga, que é inteiramente saqueada, sem poupar cidadãos romanos, clérigos e
igrejas. Depois, segue até o Porto, vencendo Requiário novamente e o condenando
à morte”.
(138)
Sobre Agiulf que reinou entre 456 e
457, ver texto informações na Introdução do trabalho, notas 11 e 12, ainda adiante comentários na nota
abaixo.
(139) Fontes históricas indicam
que Agilulf ou Agilulfo (r. 456 e 457) teria
sido mordomo deste rei visigodo Teodorico II cujo centro do reinado era Tolosa (Toulouse), mas
havia se insurgido contra ele e foi executado em 457 - note-se um ano depois da batalha de Órbigo. Comentários no início do texto e nas notas 11, 12, 138.
Estas fontes históricas e enciclopédicas
indicam que Teodorico II depois da batalha de Órbigo tenha colocado o parente
Agiulfo (Requiário teria casado
com Flavia, filha de Teodorico I), como seu mordomo,
espécie de primeiro ministro. Agiulfo, no entanto insurgiu-se, cortou os
laços com o rei visigodo e teria
desertado. Agiulfo fez-se reconhecer como rei por uma parte dos suevos, mas em novo enfrentamento militar
foi derrotado pelos visigodos de Teodorico II, tendo sido executado
pelos próprios visigodos no ano
seguinte, em 457. Na ocasião, entretanto,
Teodorico II não deu pro seguimento aos combates, envolvido em problemas
familiares.
Costa, Ricardo da – artigo citado, mas sem
fonte explicitada refere Agiulf morto no ano 460 no “castrum”
do Porto [como Requiário? ou seria a data e a ocasião algum equívoco?].
Fontes enciclopédicas em espanhol detalham também
o episódio: “En el año 454, en
virtud del foedus, Teodorico [II] había mandado a Hispania un ejército dirigido
por su hermano menor, Federico (con quien compartió brevemente el reino hasta
la muerte de éste en 463), para enfrentarse a la “bagauda” [bando de
proscritos] que amenazaba la estabilidad interna de La Tarraconense. Los
visigodos habían luchado en nombre del Imperio [romano], pero no les acompañaba
ningún oficial romano, lo que apuntaba a un inicio de sustitución de la
autoridad romana por la visigoda en los asuntos referidos a Hispania. La campaña contra los suevos en Hispania fue el primer episodio del proceso de
asentamiento de los visigodos en la Península Ibérica. Parecía que el reino
suevo había tocado a su fin y que su población pasaría a depender de las élites
visigodas y a integrarse en el grupo étnico godo. Pero el rey visigodo abandonó
su empresa en tierras peninsulares para regresar com urgência à la Galia” [por
questões de dissidência entre os seus irmãos].
(140) Ver
mais detalhes históricos sobre este Agiulfo
na Introdução do trabalho, nas notas 11, 12, texto e notas 138 e 139.
(141)
Citamos José Galazak – “A Diarquia Sueva – sociedade e poder no reino dos
quadros e regnum suevorum (358-585 d.C)”, Revista Portuguesa de Arqueologia,
vol.16, 2013, com nossos comentários
entre chaves: “Significativamente a eleição de Maldras é precedida pela
traição [??] de Agiulfo, que
“deserta dos [vizi] Godos e se instala na Galécia” (Id. [Idácio], Chron. 181;
182), o que nos permite admitir uma ligação entre os dois acontecimentos. Agiulfo,
encarregado por Teodorico II de manter a ordem na Galécia (Díaz, 1987, p. 215),
agindo em nome do Império e seguramente contando com o apoio dos
Hispano-Romanos, dispunha de um poder considerável. Mais difícil se torna
compreender a sua deserção. Jordanes diz que Agiulfo trai Teodorico
“instigado por los suevos” [?]
(ibid.), e a verdade é que Idácio nos informa que ele “aspirava ao reino
dos Suevos” [?] [Aioulfus dum regnum
Sueuorum spirat] (Id., Chron. 180).”
Para
nós, entretanto, as fontes citadas acima por Galazak não levam em conta que
Agiulfo, apesar do nome seria em verdade um descendnete da dinastia sueva, um agilofing,
e naturalmente quereria o seu trono em sucessão de seus parentes.
(142)
Galazak, José – “A Diarquia Sueva – sociedade e poder no reino dos quadros e
regnum suevorum (358-585 d.C)”. Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.16, 2013, pg. 323-350. O autor estuda profundamente a origem
desta divisão étnica entre os suevos e alega o estabelecimento na Galícia de
uma autoridade comum escolhida entre as facções étnicas que se haviam unido sob
os suevos para a invasão de 406 - os baemi
e uma tribo de quados - afirmando:
‘’os Suevos constituíam uma união de dois grupos diferentes, a saber: 1) os Baemi, governados pela stirps regia e
que compreendia os descendentes dos antigos seguidores de Maroboduus
e de Catualda, majoritariamente Marcomanos e 2) uma tribo quada, à qual pertenciam Heremigarius, Massila, Maldras e Frumário,
e onde teve lugar a primeira das duas nomeações de Maldras como rei (na verdade
o seu estatuto original não era o de rei, mas de “subregulus”). ’’
Costa, Ricardo da – no artigo citado também comenta:
“460 — Maldras.... luta pelo poder contra Frantano - duas facções
suevas rivais. É assassinado neste ano e sucedido por Frumário.
(143)
Citamos Galazak, José - “A Diarquia Sueva – sociedade e poder no reino dos quadros
e regnum suevorum (358-585 d.C)”, Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.16, 2013, pgs. 323-350. Com nossos
acrescentamentos.
Afirma o autor: “Massila [pai de Madras e da etnia e facção dos quados] teria sido sucessivamente “subregulus” [sub-rei] de Hermérico, de Réquila e de Requiário. Com este último, Massila estaria seguramente no auge do seu poder dentro do Regnum Suevorum, e assim se compreende a forma como [a fonte] Idácio identifica Maldras: é um dos filhos de Massila. Com isso estava tudo dito “...
(144) Galazak, José - opus cit.
Costa, Ricardo da – artigo citado, também confirma: “460
— Maldras,.... luta pelo poder contra Frantano — duas facções
suevas rivais. É assassinado neste ano e sucedido por Frumário”.
(145)
Galazac - José - “A
Diarquia Sueva – sociedade e poder no reino dos quadros e regnum suevorum
(358-585 d.C)”, Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.16, 2013.
Costa, Ricardo da – no artigo “Cronologia da península Hibérica”
publicado em seu próprio blog confirma o fato e acrescenta detalhes: “ano 460 -
Outro exército visigodo, desta vez sem o apoio romano, apodera-se de Santarém.
O imperador do Ocidente, Maioriano, permanece algum tempo entre Tarragona e
Cartagena, para preparar um ataque naval contra os vândalos, do qual sai
derrotado. Frumário prende Idácio, bispo de Chaves galaico-romano durante
alguns meses por liderar uma tentativa oculta de negociação entre os
galaico-romanos e Requimundo (líder da outra facção visigoda que
substituiu Frantano)”.
(146)
Fiorot, opus cit., relata com mais detalhes a captura do bispo Hidácio.
(147) Arias, Jorge C. "Identity and Interactions: The Suevi and the
Hispano-Romans." University
of Virginia: Spring 2007.
Thompson,
E. A. Romans and Barbarians: The Decline of the Western Empire.
Madison: University of Wisconsin Press, 1982.
(148)
Carriarico – rei do Reino Suevo, ariano
que teria se convertido publicamente ao catolicismo em 550 por São Martinho de Dume, natural da Panônia. Carriarico
teria mesmo trazido este religioso ao reino suevo na Galicia e lhe
proporcionado facilidades para edificar um mosteiro em Dume, onde até hoje
está o esquife do santo, ai venerado como o crisitanizador dos suevos. Fonte a hagiografia de São
Martinho de Dume.
(149)
Ariamiro - Fontes que o referem:
- “Redacção Quidnovi”, com coordenação de Saraiva,
José Hermano - História de Portugal, Dicionário de Personalidades,
Volume XX, Ed. QN-Edição e Conteúdos, S.A., 2004.
-
Reinhardt, Wilhelm - Historia General del Reino Hispánico de los Suevos.
Madrid.
-
Ferreiro, Alberto - "Braga and Tours: Some Observations on Gregory's De
virtutibus sancti Martini", Journal of Early Christian Studies, 3 (1995),
pgs. 195–210.
- Thompson, E. A. "The Conversion of the
Spanish Suevi to Catholicism." Visigothic Spain: New Approaches. ed.
Edward James Oxford, Oxford University Press, 1980. ISBN 0-19-922543-1.
(150)
Miro e Martinho de Dume:
«Miro». Dictionary of Christian Biography.
Arias, Jorge C. - tese citada (2007). Sobre S.
Martinho de Dume já há vários trabalhos específicos portugueses sobre a
vida deste santo.
(151) Fiorot – opus cit.
(152)
Miro teria morrido em batalha - Geary,
Patrick (ed.2005), O mito das nações. A invenção do nacionalismo,
ed. São Paulo: Conrad, 223 páginas.
(153) Eborico reinou
apenas entre 583-584, e Andeca
também apenas entre 584
- 585. Neste mesmo período, no centro franco viveu o rei
merovíngio Quilperico I (575-584), ocasião em que o rei vizigodo Atanagildo
casa sua filha Brunilde com o seu irmão Sigeberto, provocando conhecida
tragédia histórica.
(154)
“Um Reino de Governo Perfeito”, titulo do trabalho de Fiorot citada.
(155)
Sobre Leovigildo, fonte bem balizada
na Wikipédia: Leovigildo (f. Toledo, abril/maio de 586) “rei dos
Visigodos do Reino de Toledo no período de 569 d.C. a 586 d.C., professava o arianismo. Fortaleceu a autoridade real
em toda a Hispânia. Pacificou revoltas em Córdova e em Ourense. Dominou
províncias distantes como Cantábria e Astúrias. Em 575, atacou os montes
Aregenses em resposta à batalha do rei suevo
Miro. O seu filho, Hermenegildo
era católico e revoltou-se contra o pai, que era ariano. Leovigildo ocupou Mérida e cercou Sevilha. O filho pediu
apoio do exterior. Suevos foram em sua ajuda. O rei Miro morreu em batalha em
583 [Geary 2005]. Leovigildo resolveu anexar o Reino Suevo da Galiza, e em
585 juntou os dois reinos”. Morreu em 586. Fontes bibliograficas:
-
verbete «Leovigild | king of the Visigoths». Encyclopedia Britannica (em
inglês).
-
Geary Patrick (2005). O mito das nações. “A invenção do nacionalismo’.
ed. São Paulo: Conrad, 223 páginas.
- Roger
Collins, La España Visigoda, 409-711, 2005, Barcelona: Crítica.
- E. A.
Thompson, Los Godos en España, 2007,
Alianza: Serie Humanidades.
- Valverde Castro, María R. (2000). Ideología, simbolismo y
ejercicio del poder real en la monarquía visigoda: un proceso de cambio.
[S.l.]: Universidad de Salamanca.
- Sayas
Abengochea, Juan José; Abad Varela, Manuel (2013).
Historia antigua de la península ibérica. Época tardoimperial y
visigoda. II. [S.l.]: Editorial UNED. p. 264.
Arce, Javier (2013). - Bárbaros y romanos en Hispania: (400-507 A.D.).
[S.l.]: Marcial Pons Historia.
(156) Por ocasião do Consílio de Lugo em 569 essas
figuras mitológicas foram substituídas por um cálice central com hóstia. O tema
desta substituição ocorrida no Concílio de 1569 é já comentada por Fernández
Tomás Rodrigues “A bandeira sueva da Gallaecia”, Revista Agália, no 102 / 2º
semestre (2010).
(157) O leão
representa tradicionalmente força, grandeza, coragem, magnanimidade e vigilância. Já a figura do dragão ou grifo está associada ao terror, mas ao
mesmo tempo simboliza a proteção de tesouros. “Este animal mitológico é também
símbolo da imortalidade, da união dos contrários e do poder divino.”. Faz parte
das tradições folclóricas e representa o elo que liga os homens às divindades
celestiais.
Dragão acima já representado na “Porta
de Ishtar”, deusa da
Babilônia,
625-539 a. C.
“Stamnos’ com figuras vermelhas, Vulci 350 a.C. - representação de um grifo - o achado fazia parte da
coleção Guglielmi, agora exposta nas salas dos museus do Vaticano. A grifomaquia era um tema pouco
representado na cerâmica etrusca, mas muito difundido na produção ática.
(158) Assunto enfocado por Fiorot e já
citado em sua tese de doutoramento.
(159)
Trecho do artigo na revista Historia “Aeminium: há uma cidade perdida debaixo
de Coimbra” Fonte https://www.vortexmag.net/aeminium-ha-uma-cidade-perdida-debaixo-de-coimbra/?fbclid=IwAR1ev8QZnZwO0YG2UaURr7Uz5NpQkbUsYDbfywyNueyQfguMPsyva50iurA
(160)
O comendador Armando de Almeida Fernandes, licenciado em Ciências Geográficas,
especialista em toponímia e antroponímia-onomástica defendeu a tese da
origem de Portugal no Reino Suevo. No primeiro capítulo do livro “Viseu,
Agosto de 1109, nasce D. Afonso Henriques” (2007), Almeida Fernandes lembra
que um topônimo (nome de lugar) passa freqüentemente a corônimo (nome de uma região)
por efeitos administrativos. O comendador defende que ao final Leovigildo,
rei dos visigodos teria passado a ser também o rei dos suevos.
(161) Crónicas
Asturianas, Adefonsi Tertii Chronica:
“[Wittiza] quem rex in vita sua in regno participem fecit et eum in Tudensem
civitatem avitare precepit, ut pater”.
(162)
O rei vizigodo Égica em 15 de
Novembro de 700 teria nomeado seu filho Vitiza
para o governo do Reino Suevo da
Galécia; este, tudo indica, manteve sua residência real em Tude (Tui). Nos dois
anos seguintes foi estabelecido um "governo conjunto" (de acordo com
a inscrição Regni Concórdia que aparece em moedas). Fontes - Wolf, Kenneth
Baxter (1999). Conquerors and Chroniclers of Early Medieval Spain,
Liverpool: Liverpool University Press, pg. 180.
Flood, Timothy M. (2018) - Rulers and Realms in Medieval Iberia, 711-1492,
Jefferson: McFarland, p. 201.
(163) Varela - Carlos C., comenta no artigo
“Aldeias de Ordes”, publicado em língua galega em 16 de janeiro de 2018 no blog “Portal Calego da Lingua,
PGL. GAL.”, com fontes: (sic) “Na paróquia de Buscás (Ordes) encontra-se o
lugar de Esmoris, regado na sua parte baixa polo rego de Loureda – um
moinho do mesmo nome: moinho de Esmoris. Este, como tantíssimos outros
explica-se pola existência de uma vila ou outro tipo de exploraçon agrícola
altomedieval propiedade dum senhor de nome germânico, neste caso Hermericus,
e de aí a (villa) Ermerici ou Hermerici; em genitivo latino, a “vila de
Hermerico”. .... Hermericus é um nome germánico que, como é costume neles,
representam “o que os pais esperam ver realizado no futuro dos seus filhos”,
explica o filólogo J. M. Piel, “com inegável veia poética”. Neste caso o nome
estaria formado pola conjunção de doiss elementos góticos: *aírmas (aírmins
‘grande, grosso, largo’ e *rikaz ‘poderoso’, resultando que Hermericus viria a
significar algo assim como “o Grande Poderoso”... Explica Méndez Ferrín que “a
abundancia altomedieval de persoas chamadas Ermericus/Hermericus delatada pola
actual frecuencia toponímica de Esmoriz/Esmorís”, tanto na Galiza como no Norte
de Portugal, podería ser explicada a partir do prestixio mítico do primeiro rei
de nosso”..... seu filho Rekila, também presente na nossa toponímia, no
lugar de *Requiám (Beán, Ordes), nom recolhido no Nomenclátor mas sim na
folha 70-III dos mapas do Instituto Geográfico Nacional. Segundo explica Cabeza
Quiles, o topônimo Requiám “debe ser a versión actual do acusativo Requilanem,
do nome xermánico persoal en – ila, Rikila ou Rekila. Polo tanto, dende
unha posible * (villa) ou *(villare) (de) Requilanem chegariamos ao actual
Requián, por referencia a un posesor chamado Rikila ou Rekila, nome germânico
em que parece encontrar-se o elemento gótico rik ‘rei’.”
(164)
Fontes históricas referem a invasão islâmica da Península Ibérica, como invasão
muçulmana, fato ocorrido a partir de 711
até 713, quando tropas islâmicas do Norte de África sob o comando do
general berbere Tárique atravessam o estreito de Gibraltar e penetram a península
Ibérica. Venceram Rodrigo, o último rei dos Visigodos da Hispânia na
batalha de Guadalete, terminando assim o Reino Visigótico.
(165) Por fim, apresentaremos
um quadro genealógico gótico-suevo para melhor entendimento de fatos históricos que se
desenvolvem na Europa nos séculos V e VI. Esta quadro pretende apresentar o contexto
genealógico amplo da dinastia gotico-sueva, que na Europa e na Galícia neste
período ainda conviveu com godos e mesmo vizigodos.
Assim
trancrevemos a genealogia goda que se mistura no século IV com a dinastia dos
reis suevos, fato que consta na fonte MyHeritage Family Trees Sosa: 185,
448, 677, 057, 237, com nossos acrescentamentos e comentários.
Uma análise de contexo familiar do rei suevo Hermérico - seus pais, seu filho Requiário, a neta Caretena e
outros parentes diretos já foi por nós apresentado no trabalho “A Origem dos Agilogings”,
publicado no nosso blog com fichas de perfil que se encaixam pelas fonte
FamilySearch FamilyTree. Também fonte recente do perfil Ancient European Royals and Aristocrats WikiTree, gerente de
perfil: Jack Day. Hunimond, filho de
Hermerico esta ainda entre outros parentes citado na fonte MyHeritage Family
Trees Sosa: 185, 448, 677, 057, 237
Assim
vejamos:
Godos - Tervíngios e Grutungos (ver notas
acima 55, 49, 16)
Genealogicamente
os amalos eram uma “stirpe” goda tervíngia dirigida por juízes.
Jordanes apresenta
lista completa dos godos de dinastia amala (ver notas 66, 81
e 99): “Amals gerou Hisarna. Hisarna, além disso, gerou Ostrogoda, e
Ostrogoda gerou Hunuino [grutungo, 210-280], e Hunuino por sua vez gerou Atal.
Atal gerou Aquiulfo e Odulfo. Agora Aquiulfo [c, 300-364] dos godos de
dinastia amala gerou Ansila e Ediulfo, Vultulfo [rei dos suevos c. 310-378]
e Hermenerico [ f.375]. E Vultulfo gerou Valaravano e Valaravano gerou Vinitário.
Vinitário, além disso, gerou Vandalário; Vandalário gerou Teodomiro e
Valamiro e Videmiro; e Teodomiro gerou Teodorico [O Grande].
Teodorico [o Grande] gerou Amalasunta; Amalasunta gerou Atalarico e
Matasunta de seu marido Eutarico, cuja raça [melhor grupo dinástico]
foi assim unida a dela em parentesco.
Devemos
lembrar que um Aquiufo, godo amalo [300-364] teria sido casado
com a marcomana Fritgil, tendo entre outros filhos Wultuf, rei
suevo [c. 310-37] (casado certamente com uma princesa sueva - e Agiulfo
Ostrogodo, avô do rei suevo Hermérico.
- Frida HAbba [Fritgil?]
Born in 290
With Agiulf de GOTH, born in 290, deceased in
350, aged 60 years
old (Parents : Athala de GOTH 270-336 & X XX) with
- Merovée de FRANCE 310 [?]
- Wultuuf de GOTH, roi des sueves 310-378 With X XX. with
Walderavans d'OSTROGOTHIE 335- With X
XX. with :
Vinitharius
d'OSTROGOTHIE 353-409 (!)
- Hermanaric de GOTH 315-375 With X XX.
Alchiuf d'OSTROGOTHIE 350 - With XXX. with :
Hunimond d'OSTROGOTHIE 380-
- Ansila de GOTH, roi des
wisigoths 318-381
- Archiulf d'OSTROGOTHIE 320-355 With XXX [Julia do Bósforo, cristianizada]
Ermengarde
d'OSTROGOTHIE 355-382 With Bitheid
de Souabe 350-401 with
Ermeric [Hermérico] de SOUABE 372- 441
[Réquila da
Suévia c.390 – f. 448]
Rechiare de SUEVIE 382 - 435? [aqui erro – m. dez. 456]
- Godegisel
de GOTH [?] [325- 406]
With XXX. [Fritgil II, alana?]
Genseric de GOTH, roi des vandales
d'Afrique 370-457 With XXX:
Gento de GOTH 405 - 476
Hildaric de GOTH 407-
Humeric de GOTH 408 - [ou Hunerico?]
Théodoric de GOTH 410 -
Theuderic de GOTH 410 -
Genealogia
sueva apresentada pela fonte Royaume Europe, com nossos acrescentamentos:
§
§
§
§
§
§
[Agiulf] [hérulo?] rei na Galícia
[ Remismundo rei na Galícia]
Obs: Nesta listagem é referido Odoacro e Aldiger da Bavária, mas não
referidos outros filhos e netos de Hermérico (por ex. a neta Caretena, filha de
Requiário e Agiulfo (filho de Edecon?) que foi por pouco tempo rei na Galícia).
Em conclusão, apresentamos abaixo nosso próprio quadro da genealogia de godos e suevos no século IV e V, lembrando que Wultuf, rei suevo de origem goda [c. 310-378] certamente foi casado com princesa sueva, e Agiulfo Ostrogodo, avô do rei suevo Hermérico.
OBS.: repetindo a nota 57. Pela Wikipédia com bibliografia: “Atal
(Athal) ou Atala (Athala), segundo a obra Gética de Jordanes, foi um rei grutungo
da dinastia dos amalos [1] Pertencia à oitava geração de líderes
góticos, sendo filho de Hunuíno [2] e pai de Aquiulfo e Odulfo
[3]. De acordo com M. Schonfeld, seu nome poderia ser etimologicamente ligado à
palavra germânica/gótica para nobreza (Adel), embora também seja possível
vinculá-la ao turco Adal, que significa "tome um nome”. [2] [2] [3] [4].”
Entretanto, alguns personagens ainda suscitam dúvidas
e questões sobre a genealogia ostrogoda,
que se mistura com a sueva. Assim referimos especificamente:
Vinitário – sucessor de Hermenerico
morreu em 409 - data em que o líder suevo Hermérico tradicionalmente
torna-se rei suevo na Galícia, após a travessia dos Pirineus – sucessor também como
rei?
- Hunimond Ostrogodo, 380, referido na
fonte MyHeritage Family Trees Sosa: 185, 448, 677, 057, 237 transcrita acima, lista
reproduzida na nota 102. Citado como neto de Hermenerico (filho de
Vinitário?). Segundo Jordanes pertencia à sétima geração de líderes
góticos, sendo filho de Ostrogoda e pai de Atal. Pela Wikipédia foi sucessor de
Vinitário (século IV, começo do século V) [3].
Nesta fonte, segundo o estudioso Hyun Jin Kim teria sido parente de
Valamiro. Para este autor, ele teria recebido como apanágio o domínio sobre os
godos e nesta posição teria incorporado os suevos [da Galia]. Com sua morte em
data desconhecida, os godos seriam regidos por Torismundo, e os suevos
por Hunimundo” [o Jovem?]. Lembramos que Hunimond, o Jovem? aparece na lista da família de
Hermengard Ostrogoda, Royaume Europe como Hunimond
dos Bávaros, 410, também filho
do rei suevo Hermérico. Hunimond teria casado com Gontheuque
[410 – búlgara?] com um filho, Aldiger
da Baviera.
- “Vália (? - 418), Wike – “Rei
dos visigodos entre os anos 415 e
418.[1] Sucedeu a Ataulfo depois da morte deste em 415, e da morte
de Sigerico, assassinado por seus seguidores depois de uma semana de governo. De
acordo com as fontes histórias seria filho de Modares, um nobre visigodo
de alta linhagem talvez relacionado com a “Sagrada Família” dos Baltingos [ou baltos], irmão de Ataulfo ou o filho de Alarico I e de Pedauca”.
- Teodorico
I, pela Wikipédia “rei dos visigodos
entre 418 e 451.[1] “Era genro de Alarico I, que sucedeu Vália.
Com ele começa a dinastia visigoda de
Tolosa [na verdade iniciada já com Atulfo também baldo]. Completou o estabelecimento dos Visigodos na Aquitânia e
expandiu os seus domínios até à Hispânia. Teodorico I morre em 451 na batalha
dos Campos Cataláunicos lutando pela
federação formada pelos Romanos, Visigodos, Alanos, Burgúndios e Francos
que derrotaram os Hunos de Átila, sob o qual combatiam os Ostrogodos, os Citas,
os Hérulos, os Gépidas, os Sármatas e outras tribos germânicas menores.
Sucedeu-lhe o seu filho Torismundo, eleito rei no próprio campo de
batalha onde caíra o seu pai”
-Torismundo - r.451 – 453. Há dúvidas também quanto à paternidade de Torismundo citado acima no quadro. Para Jordanes seu pai seria Hermenerico e na Wikipédia provavelmente Teodorico I. Talvez o poder (suevo/godo?) passando por Hunimond, filho do sueco Hermérico que já estava na Galícia, com a morte de Teodorico I vizigodo, tenha se transferido para Torismundo - também vizigodo, filho deste, segundo a tradição escolhido mesmo no campo de batalha após a morte do pai.
- Teodorico, O Grande - (r.
454–474). Com a fragmentação do Império
Huno de Átila (r. 434–453) os godos, sob o
comando de Teodomiro (r. 465–4740, pai de Teorico o Grande, e seus irmão
Videmiro (r. 451–473) e Valamiro (r. 447–465) foram assentados na Panônia,
com o consentimento de do Imperador
Marciano (r.450–457). Entretanto, em 459/60, durante o reinado do imperador
bizantino Leão I, o Trácio (r. 457–474) devido ao cessar do pagamento dos
subsídios anuais concedidos aos ostrogodos, estes devastaram a Ilíria. A paz
foi concluída em 461, sendo o jovem Teodorico, o Amal, filho de Teodomiro, (r.
454–474), da dinastia dos Amalos enviado como refém à Constantinopla para ali
acabar de ser criado. Em 481 teria se tornado rei de todos os ostrogodos. Ver
acimagráfico e notas 23, 27, 48,102.
Odoacro – n. 435 - f. 493,
seria da linhagem ostrogoda e sueva de Hemérico, seu neto por Ethico dos
Skires (mesmo povo da esposa de Hermérico) casado como um hérula. Odoacro então tornado lider hérulo (Odoacre DES HERULES, roi des
herules 435-493, filho de Edecon DES SKYRES 406-469 With Flora DES
HERULES 410, citado na lista reproduzida acima Royaume Europe). Zenão I (c.425 – 491),
um dos mais proeminentes entre os primeiros imperadores romano-orientais (r. 474-475, 476-491) em 481, quando Teodorico O Grande teria se tornado rei de todos os ostrogodos e
podia causar problemas para Bizâncio nos Bálcãs, logrou induzi-lo a invadir a
península Itálica para combater Odoacro. Zenão mesmo sem ter sido confrontado diretamente pelos hérulos, temendo seu crescimento e
possíveis invasões desse povo, estimulou e financiou Teodorico, O Grande, rei
dos ostrogodos, a invadir e dominar toda Península Itálica, a fim de acabar
definitivamente com a ameaça. O ataque aconteceu em 489 - o exército de Teodorico, mesmo que com muitas baixas,
derrotou Odoacro em Verona, prendeu e condenou-o por traição em 493. Em seguida, a região recebeu o
povo ostrogodo e os hérulos, assimilando sua cultura.
- Eutarico [480-522], rei ostrogodo, mas também líder dos vizigodos morreu antes de suceder seu sogro Teodorico, o Grande – não
possiblitando a conexão dinástica planejada por seu sogro para estabilizar as
relações entre godos ostrogodos e
visigodos. – Lembramos que haveria dúvidas quanto à paternidade de
Torismundo citado acima. Para Jordanes seu pai seria Hermenerico e na
Wikipédia provavelmente Teodorico I.
Assim sendo, Jordanes na Gética
refere Eutarico como membro da dinastia amala, filho de Veterico ou Vedemiro (tio
de Teodorico, O Grande), neto de Berismundo, bisneto de Torismundo filho de
Hermenerico, (erro proposital de Jordanes?), tataraneto de Hunimundo -
os últimos dois reis ostrogóticos durante o final do século IV e começo do V.
Erro proposital de Jordanes para agradar Teodorico, o Grande, amalo e ostrogodo?
Finalmente,
acreditamos ter apresentado um quadro genealógico gótico-suevo para melhor entendimento de fatos históricos que se
desenvolvem na Europa nos séculos V e VI. Esta nota pretendeu analizar o
contexto genealógico amplo da dinastia gotico-sueva que, na Europa e na Galícia,
neste período que conviveu com godos e mesmo vizigodos.
Bibliografia
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Públio Cornélio Tácito - Germania.
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- Geary,
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- Fernandes, Armando de Almeida - Fernandes, Armando de Almeida - Viseu,
Agosto de 1109, nasce D. Afonso Henriques, edição da Funda-cão Mariana
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-
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quadros e regnum suevorum (358-585 d.C)”, na Revista Portuguesa de Arqueologia,
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-
Fiorot, Juliana Bardelle – Tese “Aconstrução de um Reino Ideal (sec.. V e VI)”.
Tese de doutoramento, UNESP – 2021. Pdf.
-
Costa, Ricardo da – professor da Universidade Federal do Espírito Santo
(UFES-Brasil) e orientador de doutorado da Universidad de Alicante (UA -
Espanha) com um artigo em seu blog “Cronologia da Península Hibérica” https://www.ricardocosta.com/cronologia-d379-468. Artigo recente.
-
Revilia Calvo, Victor - “A Luzitania e a cidade galeza dos éduos”. Ed.
Universitat de Barcelona, J. Encarnação, 2020. Ainda não permitida consulta.
Torres
– Rosa Sampaio - artigo “A origem da dinastia Agilofings na Antiguidade”,
publicado na revista ConTexto em 2024.
https://revistacontextoarteshistgeneal.blogspot.com/search?updated-max=2025-03-19T06:58:00-07:00&max-results=7...
Torres - Rosa Sampaio - artigo “Notas sobre os
Bohemi”, publicado na revista ConTexto em 2025. https://revistacontextoarteshistgeneal. blogspot.com/search?updated-max=2025-03-19T06:58:00-07:00&max-results=7...
Acontecimentos já nos Séculos III, IV,
V e VI da Era Cristã:
Em 270—275 d.C.
godos tervíngios chegam a um acordo
pelo qual os romanos lhes cediam a província
da Dácia (oeste da atual Romênia) em troca da paz, à época do Imperador Aureliano (270—275). Em
seguida convertidos em federados do império por Constantino I, o Grande (272–337), que os encarregou da defesa do
limes danubiano em troca de grandes somas de dinheiro.
- Em 375
d.C. ocorre o suicídio do rei suevo Hermenerico, rei grutungo (godo do oriente), rei godo do oriente unificado frente à
pressão dos hunos à
leste. Com o
tempo os godos se haviam dividido em dois ramos, os grutungos (do gótico Ost Goths, "godos do leste") e
os tervíngios (em gótico Wiss Goths, "godos do
oeste"), separados pelo rio Dniestre.
- Por muitas pressões internas e externas em 9 de agosto de 378 d.C. ocorre a Batalha de Adreanópolis entre os godos e o Império Romano.
- Em 395
tem fim o Império Romano unificado com a morte do Imperador
Teodósio. Divisão do Império entre seus
filhos - Arcádio imperador do Oriente entre 395-408, e Honório, imperador do Ocidente entre 393-423.
- Finalmente em 406/7 d.C. temos a Invasão da Gália pela Confederação Sueva - cerca de duzentas
mil pessoas, guerreiros homens e mulheres, ainda crianças, atravessando
o Reno gelado - 20.000 vândalos
teriam sido mortos nesta fronteira renana por francos ripuários resistentes.
- Em 410
ocorre a invasão de Roma pelos godos de Alarico I (tervíngio, membro da nova dinastia dos “baldo”),
culminando com o saque desta cidade em 25, 26 e 27 de agosto.
- Em 411 temos o estabelecimentos
do Reino Suevo e aliados na
Galícia.
- Os burgúndios refugiados da destruição de Worms
em 437 pelos hunos de Atila haviam
sido reinstalados em Lyon pelo general romano Flávio Aécio.
- Invasão
da Galia por Átila no início de 451 - Átila, o Huno, atravessou o
Rio Reno e atacou, queimou e saqueou diversas cidades da Gália. A cidade de Metz
foi atacada em 7 de abril. O rei dos burgúndios Gondioc, forças francas, alanas e Teodorico
I, rei dos vizigodos e outros
juntaram então suas forças com as do general Romano do Ocidente, Flavius
Aetius – 30.000 a 80.000 homens
enfrentaram milhares de hunos de
Atila e seus aliados na Batalha dos Campos Cataláunicos,
Champagna – Ardenas, em 451. Atila recua.
- Em 458 o General AEgidius (Egídio), tido como galo–romano recapturou Lyon (Lugduno)
aos burgúndios (que haviam
extrapolado seus limites permitidos pelos romanos), e repeliu uma invasão dos visigodos, derrotando-os na Batalha de Orleães em 463.
- Lyon tornada formalmente a capital do
novo reino borgonhês em 461.
- Com a
omissão posterior do Império romano o general Aegidius chegou a dominar e governou
(como dux ou rex) o seu chamado Reino de Soissons de 461– 464, por fim foi destruido em 468 pelos reis franceses, filhos de Clovis.
- Estabelecimento do Reino Ostrogótico entre os anos 493 a 552 d.C. liderado por Teodorico,
O Grande (n. 454 – f. 526) ostrogodo
que predominou sobre a península Itálica e aproximadamente áreas
vizinhas – Império implementado pelo ramo oriental dos godos - os ostrogodos.
- Reino
Gépida – etnia goda? que havia vencido Átila, reino que existiu por pequeno
período 539 – 551.
Fim do Reino Suevo na Galícia em 585 d.C.- os visigodos
destroçaram os suevos, capturaram o
rei Andeca e o colocam em um mosteiro, ainda o rei Amalarico morto.]]
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